Methylobacterium symbioticum fixa N2 via foliar em milho?

O diferencial desta bactéria é que ela tem a capacidade de colonizar a superfície das folhas e em seguida se deslocar até os estômatos e alcançar o interior do tecido foliar.
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Elisamara Caldeira do Nascimento
Doutora em Ciência dos Solos e coordenadora de Geração de Demanda – Agro Amazônia
elisamara.nascimento@agroamazonia.com

A fixação biológica de nitrogênio é um processo pelo qual certas bactérias convertem o nitrogênio atmosférico (N2), abundantemente disponível na atmosfera, em formas que as plantas podem usar.

Os microrganismos fixadores de N são capazes de reduzir o nitrogênio atmosférico na forma inorgânica NH4+, que assim poderá ser absorvido pelas plantas e outros organismos. Esse processo pode ocorrer através de bactérias classificadas em simbióticas, de vida livre ou associativas.

Eficiência

Ao estabelecer uma associação simbiótica com bactérias fixadoras de nitrogênio, o fornecimento de N pode chegar a 100%, no caso de algumas plantas. O mais conhecido e bem-sucedido dos exemplos é a associação de rizóbios e leguminosas, em que se tem uma relação simbiótica especializada com formação de estruturas chamadas de nódulos.

O nitrogênio é um nutriente essencial para o crescimento saudável dos vegetais. As plantas de milho requerem uma quantidade significativa de nitrogênio durante seu ciclo de crescimento para formar proteínas, enzimas, clorofila e outros compostos essenciais.

Quando não têm acesso suficiente ao nitrogênio, seu crescimento e desenvolvimento podem ser comprometidos, resultando em baixos rendimentos e qualidade inferior da cultura.

Interação entre as bactérias

Embora eficiente, a interação de bactérias de vida livre com gramíneas não consegue suprir a maior parte da demanda de N da cultura. O gênero mais pesquisado e com resultados estabelecidos se refere ao Azospirillum, que contribui, além do nitrogênio, com fitormônios como auxinas, giberelinas e citocininas, o que gera benefícios importantes para o desenvolvimento de culturas.

O Azospirillum brasilense, por exemplo, recebe recomendação para uso principalmente em gramíneas, como o caso do milho.

Pesquisas em andamento

Nos últimos anos, os estudos com novos grupos de microrganismos têm aumentado, impulsionados pelo avanço da aceitação dos bioinsumos em plantio em larga escala. No caso dos fixadores de nitrogênio, vários esforços têm sido direcionados às bactérias diazotróficas classificadas como associativas.

Neste grupo se enquadram microrganismos rizosféricos e endofíticos presentes nas raízes e parte aérea. Os diazotróficos da rizosfera estão presentes em um ambiente rico em nutrientes e muito competitivo. Já os endofíticos ocupam nichos mais específicos, como as folhas, e conseguem transferir o N fixado diretamente no interior das culturas.

A Methylobacterium symbioticum é uma bactéria endofítica capaz de fixar nitrogênio atmosférico em simbiose com plantas, como o milho. A aplicação foliar dessas bactérias pode aumentar a disponibilidade de nitrogênio para esta cultura, fornecendo-lhes uma fonte adicional de nitrogênio, principalmente em fases de maior demanda da cultura ou em situações de estresse.

Além disto, ela é capaz de produzir substâncias promotoras de crescimento vegetal, como hormônios vegetais, vitaminas e enzimas que podem estimular o crescimento das plantas de milho.

Esses compostos podem aumentar a produção de biomassa, o desenvolvimento das raízes e a capacidade das plantas de absorver nutrientes e água do solo, o que pode ajudar as plantas de milho a resistirem melhor a estresses ambientais, cada vez mais comum na agricultura.

O que se tem recomendado hoje, no milho, entre V4 e V8, com bons resultados em V6 e V8, são 333 gramas, em aplicação única.

Diferenciais

A grande vantagem e diferencial da utilização desta bactéria é que ela tem a capacidade de colonizar a superfície das folhas e em seguida se deslocar até os estômatos e alcançar o interior do tecido foliar.

Isto permite que ela alcance o xilema, e assim colonize tecidos distintos de onde foi realizada a aplicação. Uma vez no interior da planta, a bactéria realiza o processo de FBN, convertendo-o em uma forma assimilável e distribuindo-o tanto para as folhas velhas como para as jovens.

As evidências científicas sobre a fixação de nitrogênio por bactérias como o Methylobacterium geralmente incluem estudos que demonstram a presença de genes específicos envolvidos na fixação de nitrogênio, a capacidade das bactérias de crescer em meios de cultura com nitrogênio atmosférico como única fonte de nitrogênio, e estudos de inoculação em condições de laboratório, casa de vegetação e campo.

Comprovação científica

A fixação de nitrogênio por membros do gênero Methylobacterium é bem documentada na literatura científica, mas ainda não existem evidências suficientes que permitam uma recomendação de redução de adubação nitrogenada para a cultura do milho.

Contudo, se considerarmos que em muitos casos a adubação desta cultura não atinge os níveis adequados para produtividades elevadas e que o parcelamento muitas vezes não é realizado de forma adequada, o uso de Methylobacterium symbioticum pode favorecer uma nutrição mais adequada destas plantas, o que pode levar a aumentos de produção.

Atualmente, existe no mercado brasileiro um produto comercial à base de Methylobacterium symbioticum, o que significa que a indústria estabilizou o meio para sua sobrevivência e posterior colonização dos tecidos após aplicação.

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