Brasil tem potencial para se tornar centro global de soluções climáticas, aponta BCG

Estudo lançado na edição europeia do Brazil Climate Summit mostra que o país tem papel estratégico na mitigação das mudanças climáticas e no combate à intensificação do efeito estufa
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O Boston Consulting Group (BCG) acaba de divulgar o estudo “Seizing Brazil’s Climate Potential”, que revela a urgência e importância da transição para uma economia neutra em carbono, destacando o papel protagonista do Brasil na mitigação das mudanças climáticas e no combate à intensificação do efeito estufa.

O lançamento ocorreu na França, durante o Brazil Climate Summit Europe, evento concebido para envolver líderes empresariais e investidores que estão ativamente envolvidos na definição da agenda climática. Na ocasião, Arthur Ramos, diretor executivo e sócio do BCG, falou sobre o aumento da preocupação global com o assunto e a necessidade de atender às metas estabelecidas no Acordo de Paris.

“A descarbonização da economia mundial é urgente e crucial para evitar grandes desastres e perda de riqueza ambiental, mas a transição exigirá investimentos estimados entre US$ 100 trilhões e US$ 150 trilhões ao longo das próximas três décadas. Também serão necessárias ações climáticas em escala, tais como a adoção de energia renovável, biomassa e biocombustíveis, fim do desmatamento, agricultura sustentável, compensação de carbono, eletrificação e hidrogênio verde”, comenta Ramos. “O Brasil tem papel estratégico nesse cenário, principalmente por conta de suas soluções baseadas na natureza e alta competitividade de energias renováveis”.

De acordo com as projeções do levantamento, a demanda por culturas agrícolas deve crescer em torno de 50% até 2050. Mesmo que o país seja líder em agricultura sustentável, com produtividade três vezes maior do que a média mundial, ainda há espaço para melhorias, especialmente na implementação de práticas de agricultura regenerativa. na recuperação de pastagens degradas.

“O Brazil possui duas vezes a área da França em áreas degradadas subutilizadas que podem ser destinadas ao cultivo agrícola e evitar desmatamento adicional”, reforça o executivo.

Embora modesto e em progresso com avanços legislativos e iniciativas governamentais – como o Plano de Transformação Ecológica e o Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas – o Brasil demonstra um compromisso crescente com a agenda ambiental, redução do desmatamento e promoção de práticas sustentáveis.

As iniciativas governamentais estão sendo apoiadas pelo interesse internacional por projetos verdes no país, que nos últimos anos atraiu investimentos externos para ações significativas em soluções baseadas na natureza – a exemplo do maior projeto de créditos de carbono do mundo assinado entre a gigante de tecnologia Microsoft e a re.green, startup de reflorestamento brasileira – e energia renovável, incluindo hidrogênio verde e produtos industriais de baixa emissão.

“O Brasil tem potencial para se tornar um centro global de soluções climáticas, com oportunidades de investimento estimadas entre US$ 2 trilhões e US$ 3 trilhões, especialmente em setores como energia renovável, agricultura sustentável e produtos industriais verdes. Estamos vendo progresso na atração de investimentos internacionais e soluções inovadoras de ‘blended finance’, mas o Brasil ainda precisa aumentar muito a participação do investimento do setor privado para atingir a neutralidade de carbono. Entretanto, há motivo para otimismo em função da posição de liderança em grandes eventos globais, como o G20 e a COP30. Estas ocasiões promovem visibilidade para nossa causa e esforços. Devemos aproveitar o momento para iniciar os investimentos e ter impactos o mais breve possível”, finaliza Ramos.

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