Bacterioses são o terror do plantio da alface de verão

Crédito Kércio Estevam da Silva

Publicado em 22 de novembro de 2015 às 07h00

Última atualização em 22 de novembro de 2015 às 07h00

Acompanhe tudo sobre Água, Alface, Bacteriose, Colheita, Esporulação, Hortifrúti, Irrigação, Nematoide, Plantio, Pós-colheita, Queima, Resíduos e muito mais!

 

Cristiane Bezerra da Silva

Bióloga e doutora em Ciências Farmacêuticas

cris.mpj@gmail.com

Crédito Kércio Estevam da Silva
Crédito Kércio Estevam da Silva

A cultura da alface está sujeita ao ataque de várias doenças e pragas, fazendo com que o produtor normalmente necessite lançar mão do controle químico que, embora garanta uma boa aparência do produto, pode acumular-se como resíduos nas folhas e comprometer a saúde do consumidor.

Cerca de 75 doenças transmissíveis, ou seja, causadas por fatores bióticos, como bactérias, fungos, nematoides e vírus, já foram relatadas em alface no mundo. A maioria, no entanto, é de origem virótica, em grande parte ainda não presente no Brasil.

Por afetarem diretamente o órgão comercializável, as doenças da parte aérea da alface não são toleráveis e devem ser cuidadosamente controladas. Muitas vezes os propágulos dos patógenos responsáveis por essas doenças são provenientes de lavouras vizinhas, onde o controle fitossanitário eventualmente não é feito de forma adequada.

 Cristiane Bezerra da Silva, bióloga e doutora em Ciências Farmacêuticas
Cristiane Bezerra da Silva, bióloga e doutora em Ciências Farmacêuticas

O míldio

O míldio (Bremialactucae Regel) é uma das principais doenças da alface, tanto em campo como em cultivos protegidos. Chega a ser limitante em locais onde a temperatura é baixa e as folhas ficam constantemente molhadas por irrigação, chuva ou pelo orvalho.

Em regiões mais secas, como no Brasil Central, a intensidade da doença varia consideravelmente em decorrência da época de plantio e do manejo da cultura, em função do método e da frequência de irrigação.

Sob ataque severo, pode-se observar uma descoloração dos tecidos internos do caule, devido à invasão sistêmica do fungo. A doença se inicia em decorrência de uma ou mais das seguintes fontes de inóculo: semente infectada, solo infestado com estruturas de sobrevivência denominadas oósporos, restos de plantas não suficientemente decompostos do cultivo anterior ou estruturas do fungo carreadas pelo vento, oriundas de plantas doentes de cultivos vizinhos.

Septoriose

A septoriose (Septorialycopersici) é uma doença importante, principalmente em plantios de verão, já que é favorecida por temperatura e umidade elevadas. A doença normalmente se inicia por meio de semente ou solo infestado.

Os primeiros sintomas são observados normalmente nas folhas baixas, onde as lesões produzem grande quantidade de esporos, que terminam por infectar as folhas mais novas.

Os picnídios também funcionam como estruturas da sobrevivência do fungo no solo na ausência da planta hospedeira. A longas distâncias, este fungo se dissemina pelas sementes infectadas.

Cercóspora

A mancha-de-cercóspora (Cercospora longíssima) é uma doença que, juntamente com a septoriose e o míldio, são comuns em campo e em cultivos protegidos.

Ocorre em ampla variação de temperaturas, sendo mais destrutiva com temperaturas em torno de 25°C e umidade relativa alta acima de 90%. Vento e respingos de água disseminam os esporos do patógeno que são produzidos livremente sobre as manchas entre plantas do mesmo campo e de cultivos vizinhos.

Diferencia-se da septoriose por apresentar, normalmente, manchas mais individualizadas e com as bordas mais bem definidas. Em ataques severos, com a coalescência das lesões, provoca queima das folhas.

Sintomas de míldio em alface - Crédito Fernando Sala
Sintomas de míldio em alface – Crédito Fernando Sala

Rizoctoniose

Rizoctoniose ou queima-da-saia (Rhizoctoniasolani) é uma doença de ocorrência frequente, já que o patógeno é um fungo habitante do solo, estando presente na maioria dos solos cultivados.

Causa maiores problemas em condições de alta temperatura e solos muito úmidos, afetando as folhas baixeiras de plantas adultas próximas ao ponto de colheita. Os sintomas iniciam-se nas folhas mais velhas que ficam em contato com o solo. Em condições climáticas favoráveis, ocorre também a invasão das folhas imediatamente superiores.

Podridão-de-botritis

A podridão-de-botritis(Botrytiscinerea) é uma doença que pode ocorrer em alface cultivada em campo, ou em cultivos protegidos e na fase de pós-colheita. Este fungo também pode estar associado com as podridões causadas por bactérias e por Rhizoctonia.

É uma doença que ocorre em condições de alta umidade relativa (acima de 90%), sendo que nesta condição ocorre uma abundante esporulação do fungo sobre o tecido da região atacada, de coloração cinza a marrom, e formação de pequenos escleródios de coloração negra.

 A septoriose infecta as folhas mais novas - Crédito UFRGS
A septoriose infecta as folhas mais novas – Crédito UFRGS

Essa matéria completa você encontra na edição de novembro 2015  da revista Campo & Negócios Hortifrúti. Adquira já a sua para leitura integral.

Participe do Nosso Canal no WhatsApp

Receba as principais atualizações e novidades do agronegócio brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Pesquisar

Últimas publicações

1

Produtor rural paulista amplia uso de capital próprio e assume papel mais estratégico no campo, aponta ABMRA

2

Café especial mineiro chega à Itália com chancela do Selo Verde MG e abre caminho para o mercado europeu

3

8ª Abertura da Colheita da Noz-Pecã reúne produtores no RS e coloca irrigação no centro do debate

4

FGV Agro e Meridiana promovem webinar sobre o futuro do seguro rural no Brasil

5

Safra de soja do Brasil deve atingir novo recorde em 2025/26 após revisão de produtividade, aponta Hedgepoint

Assine a Revista Campo & Negócios

Tenha acesso a conteúdos exclusivos e de alta qualidade sobre o agronegócio.

Publicações relacionadas

Propriedade Maróstica - Crédito Divulgação

8ª Abertura da Colheita da Noz-Pecã reúne produtores no RS e coloca irrigação no centro do debate

cacau

Superávit global de cacau é revisado para 247 mil toneladas em 2025/26, mas El Niño ameaça o próximo ciclo

m São Paulo, o cultivo começou no litoral e, a partir da década de 1930, avançou para o Vale do Ribeira

Com banana do Vale do Ribeira, agro de São Paulo soma dez Indicações Geográficas reconhecidas pelo INPI

PG 15 a 17 - Foto 01 (Pequeno)

Beauveria bassiana: mosca-branca sob controle no tomateiro