Verão pede pepino indústria

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Publicado em 16 de janeiro de 2016 às 07h00

Última atualização em 15 de maio de 2025 às 16h40

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A cultura do pepino apresenta grande potencial de produção em praticamente todo o território nacional, com o desenvolvimento e a ampliação de redes de produção industrial ou de pequenos e médios produtores

 

O pepino (Cucumissativus L.) é uma versátil hortaliça, sendo utilizada das mais variadas formas nas mesas das famílias brasileiras. Este é um peponídeo de origem asiática, que historicamente acompanha a humanidade em sua colonização planetária.

Esta cucurbitácea presta-se de forma in natura nas saladas, sanduíches ou em conservas, além de suas utilidades não comestíveis quando processadas para fins cosméticos e medicamentosos.

Ação poderosa

O pepino é uma baga suculenta que possui princípios ativos como as vitaminas A, B, C e K, além de potássio, cálcio e ferro, apresentando-se como importante auxiliar no desenvolvimento de ossos e dentes nas crianças e poderoso calmante, diurético e remineralizante em todas as faixas etárias.

André Rocha Duarte, engenheiro agrônomo, mestre em Fitopatologia e coordenador do Curso de Agronomia da Faculdade Finom, conta que o pepino é adaptado a regiões de clima ameno a quente (20 a 30ºC), uma vez que as baixas temperaturas e suas possíveis geadas atrasam seu desenvolvimento ou provocam a “queima“ de seus tecidos.

Esta hortaliça é cultivada no período de primavera-verão, preferencialmente, salvo em casas de vegetação nas regiões frias do País, podendo destacar Santa Catarina como o Estado líder em produção.

A receita líquida média do pepino pode chegar a R$ 6.000 - Crédito Shutterstock
A receita líquida média do pepino pode chegar a R$ 6.000 – Crédito Shutterstock

Sob proteção

O cultivo protegido age de forma protetora em ambos os casos, no calor ou no frio, pois em regiões em que as temperaturas noturnas podem ficar abaixo de 19ºC, o efeito estufa das casas de vegetação regula esta oscilação, tornando satisfatório o desenvolvimento da cultura.

É comprovado, também, que em regiões quentes, desde que suas paredes laterais sejam passíveis de abertura, a estrutura ameniza as altas temperaturas, ajudando no controle de pragas e doenças.

Em ambas as situações, em campo aberto ou em casas de vegetação, a irrigação do pepino é de suma importância, dada a sua constituição em torno de 95% de água. A cultura deve ser conduzida à capacidade de campo do solo, ou seja, na capacidade máxima de retenção de água pelo solo em que este fator não seja limitante nem pela sua falta e muito menos pelo seu excesso.

Opções em irrigação

O tipo de irrigação empregado no pepino está muito voltado às condições ambientais/técnicas encontradas na propriedade, como disponibilidade deste fator de produção, bem como do nível de tecnologia disponível pelo produtor.

Apresentando características distintas e influenciando alguns aspectos de produção, André Duarte afirma que a irrigação será escolhida em virtude do manejo de doenças e plantas daninhas na cultura, pois a aspersão, muito utilizada em pequenas propriedades por ser menos dispendiosa, pelo fato de já ser utilizada em outras culturas da propriedade, independente do espaçamento dos seus cultivos, apresenta o inconveniente do desperdício e do molhamento de suas folhas que, para algumas doenças, será crucial para seu estabelecimento.

Já o sistema de gotejamento vislumbra um aporte mais racional da água, limitando-se àirrigação próxima à planta, deixando-a menos exposta a algumas doenças, pelo não molhamento de suas folhas e tornando o controle de plantas daninhas mais eficiente, uma vez que a não pulverização de água em área total leva à menor incidência destas plantas espontâneas.

 O cultivo protegido age de forma protetora para o pepino, no calor ou no frio - CréditoVan Der Hoeven
O cultivo protegido age de forma protetora para o pepino, no calor ou no frio – CréditoVan Der Hoeven

“A utilização de sistemas de gotejamento reduz a necessidade de capina, pois apenas a área próxima ao pepino terá plantas competidoras. Logo, a capina manual será facilitada. É interessante acrescentar a possibilidade do uso de plantio direto na cultura, pois a presença de cobertura morta reduz os gastos com controle de plantas invasoras e gera proteção aos frutos no modo de condução rasteiro da lavoura“, justifica o especialista.

Para a indústria

Tendo como foco o pepino destinado à indústria (conserva ou processamento, como pode ser chamado, dependendo da região), este deve receber alguns cuidados especiais, mas que não são limitantes a nenhuma categoria de produtor, sendo ele pequeno, médio ou grande fornecedor de hortaliça em sua região.

Este tipo de pepino é classificado devido ao requisito tamanho, logo, a indústria determina a necessidade de aquisição de frutos variando de 4 a 12 cm ou, ainda, de 3 a 5 cm, quando direcionado à produção do tipo “cornichon“.

O pepino apresenta flores masculinas e femininas na mesma planta -Crédito Shutterstock
O pepino apresenta flores masculinas e femininas na mesma planta -Crédito Shutterstock

Características

O pepino tem hábito de florescimento monóico, logo, apresenta flores masculinas e femininas na mesma planta, sendo esta uma característica normal da espécie. Entretanto, o trabalho de melhoramento genético ao longo dos anos proporciona a criação de cultivares ginoicas, ou seja, a produção quase que exclusiva de flores femininas.

Assim, diz André Duarte, a adição de sementes de cultivares monoicas será importante para a produção de flores masculinas, que fornecerão o grão de pólen para a fecundação e produção de frutos.

Essa é parte da matéria de capa da revista Campo & Negócios Hortifrúti, edição de janeiro 2016. Adquira a sua para leitura completa.

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