Uso do silício no cultivo de mudas de eucalipto

Viveiro de mudas de eucalipto - Crédito Viveiro Pavão

Publicado em 13 de novembro de 2014 às 14h23

Última atualização em 13 de novembro de 2014 às 14h23

Acompanhe tudo sobre Água, Cálcio, Eucalipto, Ferrugem, Formiga, Lagarta, Madeira, Nitrogênio, Resíduos, Silvicultura, Viveiro e muito mais!

Lísias Coelho

Doutor e professor de Silvicultura da Universidade Federal de Uberlândia

lisias@iciag.ufu.br

 

Viveiro de mudas de eucalipto - Crédito Viveiro Pavão
Viveiro de mudas de eucalipto – Crédito Viveiro Pavão

O silício é o segundo elemento mais abundante na crosta terrestre. Ele é classificado como um semi-metal. Como até hoje não foi possível demonstrar que o silício tem uma função específica na planta, como já foi demonstrado para o fósforo (P), potássio (K), nitrogênio (N) e tantos outros, o silício tem sido considerado um nutriente benéfico, mas não essencial como os outros.

Espécies florestais beneficiadas

Os vegetais têm sido classificados como acumuladores, não acumuladores ou intermediários, quanto ao acúmulo de silício. As principais plantas acumuladoras são as gramíneas.

As espécies florestais ainda são pouco estudadas quanto à capacidade de absorver e acumular o silício, especialmente por causa de seu ciclo mais longo. Sabe-se que há silício na madeira de teca, e que algumas espécies de eucalipto podem ser consideradas intermediárias quanto ao acúmulo deste nutriente.

Vantagens para o eucalipto

O silício é encontrado em associação com outros elementos, como silicato de cálcio, silicato de magnésio ou silicato de potássio. Esses produtos podem ser naturais, como a rocha Wolastonita, ou sintetizados, como o silicato de potássio, ou podem ser resultantes de outros processos industriais, como os agregados (resíduos) de siderurgia, que são ricos em silicato de cálcio e de magnésio.

É importante enfatizar esse aspecto da origem, porque os produtos mais comuns são os agregados siderúrgicos. Esses produtos, além de fornecerem o silício, também são fonte de cálcio e magnésio.

As vantagens são melhor estrutura da planta, conferindo mais rigidez às células, o que pode resultar em caules mais eretos. Os principais benefícios devem ser observados nas folhas, que apresentarão maior eficiência fotossintética, melhor posicionamento (maior exposição à luz solar), melhor controle dos estômatos, o que significa economia de água. Também pode haver maior resistência a pragas, doenças e outros estresses abióticos.

Relação do silício com a redução de toxidez nos solos

Como mencionado anteriormente, a associação com o cálcio e magnésio favorece a correção da acidez dos solos, aumentando a disponibilidade nos nutrientes essenciais e reduzindo a toxidez por alumínio, uma vez que este se torna indisponível.

Neste aspecto, o silício é um substituto do calcário, apresentando duas vantagens: a primeira é fornecer silício, além do cálcio e do magnésio; a segunda é que durante sua solubilização no solo não há liberação de CO2, que é um dos gases responsáveis pelo aquecimento global.

Silício x fitossanidade

Estudos têm mostrado uma grande diversidade de respostas do eucalipto à aplicação de silício. Essa diversidade se deve tanto aos materiais genéticos e espécies analisadas como às doenças e pragas presentes.

Alguns estudos mostraram que o silício reduz a quantidade de oídio no eucalipto. O oídio é uma doença foliar, mais comum durante o inverno, quando o orvalho fica nas folhas por um período maior. Outra doença que deve ter controle semelhante é a ferrugem das mirtáceas. Esta melhor resistência das plantas de eucalipto é esperada, considerando a mesma reação observada com ferrugens e oídios em outras culturas.

Infelizmente, como as quantidades de silício absorvidas não são grandes, não deve haver alteração na resistência das folhas. Por isso não se espera que a aplicação de silício seja capaz de diminuir o ataque por formigas, ou por lagartas desfolhadoras, como observado no milho.

 

Essa matéria completa você encontra na edição de outubro da revista Campo & Negócios Floresta. Clique aqui e adquira já a sua.

 

Participe do Nosso Canal no WhatsApp

Receba as principais atualizações e novidades do agronegócio brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Pesquisar

Últimas publicações

1

PI AgSciences estreia na Feira de Inovações SCV com soluções disruptivas para tratamento de sementes

2

Famílias poderão produzir seus próprios alimentos dentro de condomínio, em Goiás

3

Leite brasileiro emite menos da metade do carbono que a média mundial, revela estudo inédito da Cargill, USP e Embrapa

4

Abisolo lança Summit de Nutrição Vegetal Inteligente e promove imersão técnico-científica em Piracicaba

5

Soja cai 2,1% para 177,8 mi t, mas mantém recorde; milho sobe para 136 mi t no ciclo 25/26

Assine a Revista Campo & Negócios

Tenha acesso a conteúdos exclusivos e de alta qualidade sobre o agronegócio.

Publicações relacionadas

Tucano-de-bico-verde é símbolo do Projeto Aracê Ibá na B4, a bolsa de ação climática / Crédito: Freepik

Projeto Aracê Iba, da Bolsa de Ação Climática, traz proteção para o coração da Amazônia no Pará

A rica biodiversidade da Amazônia é fonte de recursos estratégicos para novos insumos agrícolas e farmacêuticos, e produtos biotecnológicos de última geração. Foto: Felipe Rosa

Fungo amazônico pode controlar doenças agrícolas e gerar novos antibióticos

Após o término da reunião de colegiado que reúne 19 ministérios, a ministra Marina Silva e integrantes do Governo do Brasil concederam entrevista coletiva à imprensa no Palácio do Planalto. Foto: Rogério Cassimiro/MMA

Amazônia tem queda de 35% nas áreas sob alerta de desmatamento entre agosto de 2025 e janeiro de 2026

Fotos: Alexandre Amaral/Emater-MG

Silvicultura impulsiona produção na agroindústria e no campo