Severidade da ferrugem do alho

A severidade da ferrugem no alho demanda estratégias eficazes para preservar a saúde das plantas e garantir uma colheita robusta.

Publicado em 15 de janeiro de 2024 às 10h25

Última atualização em 15 de janeiro de 2024 às 10h25

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Leandro Luiz Marcuzzo
Professor – Instituto Federal Catarinense – IFC/Campus Rio do Sul
leandro.marcuzzo@ifc.edu.br

Aline Cristina Paulakoski
Engenheira agrônoma – IFC/Campus Rio do Sul

Djonatan Deivid Mariano
Técnico em Agropecuária – IFC/Campus Rio do Sul

Dentre as doenças que atacam a cultura do alho (Allium sativum L.) e reduzem o seu potencial produtivo, a ferrugem, causada por Puccinia porri Sowerby) G. Winter (sin. Puccinia allii) ocorre com bastante frequência nas lavouras de produção.

Sintomas da ferrugem na lavoura de alho
Foto: Leandro Marcuzzo

A maioria das cultivares utilizadas no Brasil tem pouca resistência para essa doença, e por isso, o seu controle vem sendo feito com pulverizações frequentes de fungicidas protetores e sistêmicos.

Formas de controle

Uma das maneiras de reduzir o uso de agrotóxicos é conhecer as condições que favorecem a ocorrência da doença, que envolvem o ambiente, o patógeno e o hospedeiro. Em relação ao patógeno, o detalhamento da deposição de uredósporos de P. porri em área de cultivo constitui-se em uma informação de relevância no avanço do manejo fitossanitário.

Diante do exposto, este trabalho teve por objetivo avaliar a deposição de uredósporos de P. porri presente no ar em área de cultivo de alho e a severidade da ferrugem nos anos de 2020 e 2021.

Inovação

Os experimentos foram realizados de 15 de junho a 9 de novembro de 2020 e de 14 de junho a 08 de novembro de 2021 no Instituto Federal Catarinense, Campus de Rio do Sul, município de Rio do Sul (SC) com latitude Sul de 27°11’07”, longitude oeste de 49°39’39” e altitude de 687 metros do nível do mar.

Segundo a classificação de Köeppen, o clima local é subtropical úmido (Cfa) e os dados meteorológicos foram obtidos de uma estação Davis® Vantage Vue 300 m localizada ao lado do experimento.

Os dados médios durante a condução do experimento foram de 15,7 e 14,8ºC para temperatura do ar, de 13,5 e 15,5 horas de umidade relativa do ar ≥90% e a precipitação pluvial acumulada foi de 465,2 e 554,3 mm para 2020 e 2021, respectivamente. 

O solo é classificado como Cambissolo Háplico Tb distrófico, com os seguintes atributos químicos: pH em água de 6,0; teores de Ca+2, Mg+2, Al+3 e CTC de 4,2; 1,8; 0,0 e 9,54 cmolc.dm-3, respectivamente; saturação por bases de 66,49%, teor de argila de 30% m/v e teores de P e K de 14 e 134 mg.dm-3, respectivamente.

Bulbilhos de alho da cultivar Chonan foram vernalizados a 4,0ºC por 50 dias e semeados em quatro canteiros, contendo, cada um, cinco metros de comprimento por 1,25 m de largura. Em cada canteiro com cinco linhas foram semeados 250 bulbilhos, com espaçamento de 0,25 entre filas e 0,10 entre plantas.

A calagem, adubação de plantio e de cobertura e os tratos culturais foram feitos conforme recomendação para a cultura. Para que houvesse inóculo na área, mudas de cebolinha-verde (Allium fistolusum L.) infectadas naturalmente com P. porri e apresentando sintomas nas folhas foram transplantadas a cada metro linear ao redor do experimento no dia do plantio.

Duas lâminas de microscópio (7,5 x 2,5 cm) foram untadas e cada uma depositada em um tijolo intercalado no centro do experimento, ficando à altura de 5,0 cm do solo. As lâminas permaneceram expostas à deposição dos uredósporos por um período de sete dias, sendo substituídas periodicamente, neste mesmo, intervalo por outras.

Em laboratório, a lâmina foi dividida em dois pontos centrais e adicionou-se duas gotas de azul de metileno 33% diluído em água, onde foram depositadas as lamínulas (1,8 x 1,8 cm), correspondendo a uma área de 6,48 cm². Por meio da visualização em microscópio óptico com a objetiva de 10 vezes, quantificou-se o número de conídios coletados semanalmente.

Análise

A severidade da doença foi analisada pela porcentagem de área foliar afetada em cada folha exposta pela escala, que varia de 1,0 a 25%, proposta por Azevedo (1997).

A deposição de conídios ocorreu antecipadamente à constatação da doença a campo já na 2ª semana após a semeadura em ambos os anos (Tabela 1). Isso se deve ao fato de o inóculo já estar presente na área, devido às plantas inoculadas nas bordaduras do experimento.

Houve oscilação na maioria do número de conídios coletados na mesma semana de avaliação entre 2020 e 2021 (Tabela 1). No entanto, a severidade da doença em 2021 foi mais acentuada e finalizou com 15,13%, enquanto que em 2020 ficou com 13,61% (Tabela 1). 

Isso se deve à estiagem que ocorreu durante o período inicial de condução da cultura em 2020, que, apesar da diferença (89 mm) a mais na precipitação pluvial, as chuvas foram mais concentradas em 2021, favorecendo o progresso da doença.

No ano de 2021, apesar de pouco variável o número de conídios entre a 14ª e 21ª semana após a semeadura, verificou-se que a severidade da doença se manteve crescente durante esse período.

Tabela 1. Deposição de uredósporos de Puccinia porri coletados semanalmente e as respectivas severidades da ferrugem em 2020 e 2021. IFC, Campus de Rio do Sul (SC)

Semanas após a semeaduraN° de uredósporosSeveridade (%) N° de uredósporosSeveridade (%)
2020 2021
100 00
250 30
310 20
4190,31 70
531,21 20
6762,03 60,03
7702,77 60,07
883,56 100,11
935,05 70,16
10117,39 770,30
11268,28 702,37
12139,40 314,37
13610,10 157,23
14110,76 69,47
15510,99 810,03
16611,24 710,53
17811,83 711,83
18512,21 513,17
191012,78 614,91
20513,30 215,12
21913,61 215,13

A deposição de uredósporos de P. porri é um indicador da ocorrência da ferrugem do alho e pode ser usada futuramente como uma ferramenta para tomada de decisão quanto ao controle em um sistema de previsão da doença.

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