Produtores de soja do Brasil registram perdas nas relações de troca em 2022

Consultoria tomou como base dados do Paraná, segundo maior produtor do grão no Brasil
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Créditos Pixabay

Análise da Consultoria DATAGRO destaca as relações de troca da soja frente aos seus principais insumos no estado Paraná, segundo maior produtor da oleaginosa no Brasil, tomando como base dados referentes ao mês de agosto do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento.

Na totalidade dos casos analisados, a soja perdeu poder de compra no mercado de insumos em relação a igual momento do ano passado. “Podemos identificar três grandes motivadores dessa variação negativa nas relações de troca da soja brasileira desde o ano passado: impacto da pandemia na desestruturação global na produção de insumos; a recuperação nos padrões de consumo no Brasil e em todo o mundo em ritmo superior ao da evolução da oferta; e a manutenção da elevada taxa de câmbio também impactando fortemente nos preços dos insumos”, ressalta Flávio Roberto de França Junior, economista e líder de pesquisa da DATAGRO Grãos.

Houve piora nas relações de troca da soja em todos os sete insumos analisados (fertilizantes, ureia, sementes, calcário, óleo diesel, herbicidas e colheitadeiras) na comparação com o mesmo período do ano anterior. No comparativo com a média histórica de 10 anos, a piora foi observada em seis dos sete produtos.

No caso dos fertilizantes, tomando como base a formulação NPK 04-30-10, a relação de troca piorou consideravelmente desde o ano passado, passando de 21,04 sacas em agosto de 2021 para 28,43/sc no mesmo mês deste ano, ante média histórica dos últimos 10 anos de 19,82/sc.

A média histórica da ureia é de 20,45/sc de soja para adquirir uma tonelada do insumo. Houve forte aumento desde o ano passado, de 21,17 para 27,77/sc.

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Os preços das sementes voltaram a subir fortemente nesta temporada em relação ao ano passado. Com isso, também houve piora na relação de troca, de 2,85 para 3,23/sc, acima das 2,53/sc da média de 10 anos.

No caso do calcário dolomítico moído, em agosto deste ano se gastaria 1,19/sc de soja para adquirir uma tonelada, ante 0,98/sc em igual período de 2021, no entanto, neste caso, ainda abaixo da média de 10 anos, de 1,48/sc.

No que diz respeito à aquisição de 100 litros de óleo diesel, a relação de troca subiu de 2,66/sc em agosto de 2021 para 3,98/sc no mesmo mês deste ano. A média plurianual é de 3,77/sc de soja.

No caso dos herbicidas, para adquirir cinco litros de Roundup, a troca passou de 0,97/sc em agosto do ano passado para 2,78/sc neste ano, bem acima da média histórica de 1,14/sc.

E, por último, as colheitadeiras. Tem-se observado, no geral, piora no poder de compra da soja sobre as máquinas agrícolas, a despeito da melhora econômica dos produtores e recuperação parcial do fluxo de vendas. No caso da colheitadeira John Deere 1470 de 193 CV, a relação de troca, que tem média histórica de 6.465/sc por unidade, avançou fortemente de 6.707 para 8.404/sc neste mês de agosto.

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