Polinização artificial é essencial para a produção do maracujazeiro

Créditos Nilton Scudeller

Publicado em 18 de maio de 2017 às 19h24

Última atualização em 18 de maio de 2017 às 19h24

Acompanhe tudo sobre Abelha, Maracujá, Polinização e muito mais!

Marco Antonio da Silva Vasconcellos

Professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)

masv@ufrrj.br

Ivan Marcos Rangel Junior

Engenheiro agrônomo e mestrando da UFRRJ

Créditos Nilton Scudeller
Créditos Nilton Scudeller

O maracujá amarelo apresenta autoincompatibilidade, ou seja, é incapaz de produzir frutos quando as flores de uma planta são polinizadas com o próprio pólen. Além disso, diferentes plantas podem, ou não,ser compatíveis entre si, e como o grão de pólen é muito pesado, pode não ser carregado pelo vento, necessitando, portanto, de um agente polinizador.

Entenda melhor

Atualmente, no mercado, de forma consolidada, tem-se a comercialização de frutos do maracujazeiro amarelo (Passiflora edulis f. flavicarpa) e do maracujazeiro doce (Passiflora alata). Ambas as espécies apresentam autoincompatibilidade floral, necessitando, portanto, do cruzamento entre flores formadas em plantas diferentes.

Para ambas as espécies de maracujazeiro, a polinização natural é feita pela mamangava ou mangangá, uma abelha grande.

Créditos Nilton Scudeller
Créditos Nilton Scudeller

Importância da polinização

Na exploração comercial do maracujazeiro amarelo, bem como do maracujazeiro doce, a polinização assume grande importância, uma vez que tanto a quantidade de frutos produzidos como a sua qualidade é totalmente dependente da quantidade de pólen e forma da polinização.

Quanto maior a quantidade de pólen depositada na superfície do estigma (órgão feminino), maior será o número de sementes formadas no fruto. Logo, o fruto terá mais sementes e,consequentemente, mais polpa, será maior e mais pesado.

Detalhes que fazem a diferença

A forma de polinização está relacionada à necessidade do cruzamento ser feito entre flores de plantas diferentes, levando o pólen de uma flor para a outra.A mamangava naturalmente realiza esse processo, pois ao visitar a flor para se alimentar do néctar nela produzido, carrega em suas costas o pólen dessa flor e assim sucessivamente, dessa forma ficando com uma mistura de polens de flores de diferentes plantas.

Contudo, a presença do inseto polinizador não garante que a produtividade e mesmo a qualidade dos frutos (tamanho e peso) será a ideal, uma vez que o número de insetos pode ser pequeno (em relação ao número de flores presentes) e que o inseto realiza a polinização para se alimentar do néctar das flores.

Dessa forma, a polinização artificial passa a ser uma ferramenta que determina ganhos de produção e qualidade de frutos, uma vez que o homem, ao realizar a polinização artificial, visita a totalidade das flores (aumentando o pegamento de frutos) e deposita mais polens nas flores (formando frutos maiores e mais pesados, com maior volume de polpa).

Polinização feita por abelhão - Créditos Nilton Scudeller
Polinização feita por abelhão – Créditos Nilton Scudeller

Manejo

Basicamente, a polinização artificial é realizada com os dedos (polegar, indicador e dedo médio). Outra forma de polinização artificial seria a realizada com o polvilhamento de pólen nas flores. Para essa situação, deverá ser coletado pólen das anteras e depois misturar com um produto (pó) para possibilitar o polvilhamento. Esse método não é empregado, na prática.

A melhor eficiência é observada na polinização com os dedos. Para iniciar, o operador deve previamente passar a ponta dos dedos das duas mãos nas anteras de uma flor presente numa linha de plantio oposta à de onde iniciará a polinização.

Em seguida, deve passar a ponta dos dedos com pólen na superfície dos três estigmas (no sentido de baixo para cima). O processo deve ser rápido, e repetido nas flores próximas.

Quando se observar que a presença do pólen diminuiu nos dedos, o operador (polinizador) deverá novamente coletar na ponta dos dedos em flores presentes na linha de plantio oposta, garantindo uma mistura de polens.

Ao mesmo tempo, um outro operador deverá fazer o mesmo, só que na linha oposta ao primeiro operador. Dessa forma, eles andarão em ziguezague nas entrelinhas de plantio, garantindo a polinização entre flores de plantas diferentes, consequentemente aumentando o pegamento dos frutos.

Ganhos produtivos

Como relatado anteriormente, a polinização artificial gera aumento no pegamento de frutos, devido à técnica ser realizada em um maior número de flores que o inseto polinizador. Portanto, a formação de frutos maiores e mais pesados é consequência do maior número de grãos de pólen depositado nas flores, o que determinará a maior formação de sementes e, por isso, o maior volume de polpa e suco.

 

Essa matéria completa você encontra na edição de maio 2017  da revista Campo & Negócios Hortifrúti. Adquira já a sua para leitura integral.

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