Percevejo-marrom e mosca-branca: produtividade da soja em risco

Os produtores de soja enfrentaram alta infestação de pragas na safra que está sendo colhida, com importantes prejuízos na produtividade do mais importante cultivo agrícola do país. Pesquisa informa aumento de 40% na infestação de percevejo-marrom e 29% de mosca-branca.
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Crédito: UPL

Fernanda Lourenço Dipple
Engenheira agrônoma, mestra e professora – Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat)
fernanda.dipple@unemat.br

A cultura da soja é acometida por diversos insetos-praga. Dentre eles, o percevejo e a mosca-branca preocuparam os produtores na safra 2023/24. Estes insetos têm potencial de causar diversos danos e alcançar prejuízos assustadores de mais de 50% na produção.

O percevejo marrom (Euschistus heros) é a principal espécie, devido a sua adaptação e nível populacional, sendo considerado o principal causador dos danos e prejuízos à cultura da soja.

Outra praga que está dando dor de cabeça para muitos produtores é a mosca-branca, que nesta última safra teve sua população aumentada, causando sérios prejuízos às lavouras brasileiras.

Estes insetos-praga foram favorecidos por condições ambientais, como a desuniformidade na pluviosidade. Em muitas regiões, o ciclo da soja foi estendido e os produtores tiveram que esperar para semear, ou até perderam a lavoura, tendo que fazer mais de uma semeadura. Tudo isso favoreceu o desenvolvimento destes insetos, aumentando suas populações e os prejuízos.

Dor de cabeça

Os dois insetos são classificados dentro da ordem dos hemípteros, com aparelho bucal tipo picador-sugador, apresentando as mandíbulas e as maxilas transformadas em estiletes filiformes.

Eles possuem capacidade de se alimentar por sucção e causam diversos prejuízos à soja, como perfurar o grão ou a vagem, diminuindo seu tamanho, causando vagens murchas, abortamento de vagem, redução de peso dos grãos e diminuição significativa da produtividade.

Além destes danos, estes insetos têm a capacidade de causar prejuízos indiretos, como inserir toxinas, transmitir viroses nas plantas, afetando o desenvolvimento e a maturação da soja. O hábito de alimentação é um canal de abertura para infecção de patógenos, causando doenças e podridões dos grãos.

Causas da infestação

Esta safra de soja foi desafiante para muitos produtores. Há previsão de redução da produção em 6%, comparada ao ano anterior. O principal fator foi a variação climática, com redução e falhas na distribuição da pluviosidade e ondas de calor.

Assim, a má distribuição das chuvas, intercalada com períodos de seca, afeta a semeadura e o desenvolvimento da soja. Estes fatores ambientais favoreceram o desenvolvimento de percevejos e da mosca-branca.

Medidas de controle

O manejo para percevejos já é algo comum dos produtores de soja, pois esta praga pode causar danos em todas as fases da cultura. Porém, a mosca-branca está sendo novidade para muitos sojicultores.

O manejo integrado de pragas (MIP) é a principal ferramenta para controle destes insetos-pragas, bem como a redução do uso de agroquímicos e aliar a redução do custo de produção.

Infelizmente, muitos produtores só fazem o controle químico com calendário programado, sem realizar o levantamento e monitoramento de pragas para tomada de decisão.

Notícia positiva é que o controle biológico de pragas está aumentando no Brasil nos últimos anos, como o uso de microrganismos como os fungos entomopatogênicos para controle de percevejos e mosca-branca.

Este aumento do uso do controle biológico de pragas se deve à ineficiência do controle químico sob altas populações de alguns insetos-praga, bem como a ser uma alternativa mais eficiente e segura para manejo de pragas, mostrando aos sojicultores a importância do MIP (Manejo Integrado de Pragas) e outras estratégias de controle.

Soluções

Os percevejos podem ficar em diapausa escondidos entre a safrinha de milho até a safra de soja, assim o manejo entre safra é fundamental. Assim, é importante manejar as plantas daninhas, pois muitas podem ser abrigos para percevejos e moscas brancas.

Outras estratégias são: utilizar cultivar ou material tolerante; fazer rotação de mecanismos de ação de inseticidas; utilizar inseticidas seletivos para reduzir morte dos inimigos naturais, produtos biológicos para manejo de percevejos e mosca-branca; e fungos entomopatogênicos, como Beauveria bassiana e Metharhizium anisopleae.

Deve-se soltar e preservar inimigos naturais dos insetos-praga, bem como fazer uso de 0,5% v/v de sal nas caldas com inseticidas, para auxiliar no manejo de percevejos. Outro ponto importante é utilizar armadilhas e realizar amostragens constantes para identificar o nível populacional das pragas, bem como o MIP, para uma lavoura mais produtiva e segura.

Medidas preventivas

Como a principal medida preventiva é a realização do manejo integrado de pragas durante todo ano, recomenda-se utilizar armadinhas, fazer monitoramento e manejos assertivos para impedir elevadas populações de insetos, controlar os abrigos das pragas, como as plantas daninhas, milho tiguera, fazer uso de inseticidas biológicos, planejar e rotacionar os mecanismos de ação de inseticidas.

O MIP consiste em diversas estratégias para um controle de pragas assertivo e eficiente.

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