Olivas de Gramado: a revolução do azeite de oliva brasileiro

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Foto: Sandro Seevald

No centro da Serra Gaúcha, André Bertolucci, 44 anos, sócio-proprietário do Olivas de Gramado, azeitólogo e mestre-lagareiro, está liderando uma transformação silenciosa, mas poderosa, no mercado de azeite de oliva brasileiro.

Com 29 hectares de olivais abrigando aproximadamente 12.600 pés de oliveira, Bertolucci está comprometido em produzir azeites de altíssima qualidade, alinhados com as melhores tradições da olivicultura mundial.

A produção e seus desafios

Os desafios na produção de azeite de oliva são muitos, e Bertolucci os conhece bem. A operação envolve custos elevados, desde o manejo cuidadoso dos olivais, que inclui aplicação de fungicidas e inseticidas, até a colheita, que é feita manualmente com derriçadeiras, que auxiliam nos pontos mais altos das oliveiras.

São necessários, ainda, sombrites e garfos para colheita, além do trator para levar os frutos do pomar para o lagar. “A mão de obra para colheita é cara e escassa”, lamenta Bertolucci, ressaltando a importância de um trabalho meticuloso para garantir a qualidade do produto final. Além disso, a infraestrutura necessária para o processamento das azeitonas é sofisticada, com uma série de equipamentos essenciais para a extração, filtragem, envase e rotulagem do azeite.

As variedades e o terroir

A Olivas de Gramado cultiva seis variedades distintas: arbequina, picual, frantoio, koroneiki, ascolana e manzanilla. Cada uma dessas variedades contribui para a criação de azeites com perfis sensoriais únicos, possibilitando blends que vão do mais amargo e picante ao mais frutado e suave.

“O Terroir Serrano é o nome do premiado azeite de oliva extravirgem da Olivas de Gramado, uma homenagem aos fatores únicos do microclima, que conjectura as horas/frio, os índices pluviométricos, o pH do solo (que é corrigido em função da alcalinidade) e a altitude, entre outros fatores, e gera azeites complexos, potentes, de altíssima qualidade, premiados internacionalmente”, orgulha-se o empresário Bertolucci.

Inovações e crescimento

Este ano marcou um avanço significativo para a Olivas de Gramado, com a construção de seu próprio lagar próprio (anteriormente a extração era feita em um lagar de um parceiro de Viamão – RS), equipado com tecnologia de ponta para automação dos processos de extração. O investimento visou tanto a melhora da qualidade do azeite quanto a produtividade, permitindo que a empresa acompanhe a crescente demanda.

Foto: Sandro Seevald

Bertolucci traz um dado alarmante: “O Brasil exporta 98% do azeite consumido no país, sendo o segundo maior consumidor de azeite de oliva do mundo, atrás apenas dos americanos. A maioria dos azeites que se encontram aqui são de baixa qualidade ou adulterados, mesmo os ditos “extravirgem” de supermercado, que na verdade contêm defeitos sensoriais e não condizem com a classificação do rótulo. Estamos seguindo o caminho contrário!”, diz.

O empresário optou por produzir menos quantidade com mais qualidade, não para abastecer o mercado, mas para agradar os mais exigentes paladares, com produtos premium, com valor agregado maior, voltado para um nicho de mercado mais segmentado e exclusivo.

Para isso, todas as etapas de manejo dos olivais são realizadas com precisão e muito esmero, para possibilitar o cumprimento de seus processos biológicos e que não haja enfermidades nos frutos, otimizando a produção e garantindo a excelência na qualidade do produto final.

Desafios e Perspectivas

No entanto, os desafios são muitos. O principal deles é educar o consumidor sobre a diferença entre os azeites de supermercado, muitas vezes de baixa qualidade, e os azeites extravirgens de alta qualidade produzidos no Brasil. “Precisamos mostrar ao consumidor os benefícios de um azeite de oliva extravirgem, e por que ele tem um preço mais alto, justamente por sua qualidade superior”, diz Bertolucci.

A Olivas de Gramado está bem posicionada para crescer dentro desse mercado em expansão de marca, com o aumento da produção e a criação de redes de distribuição, possibilitando uma logística eficaz de abastecimento. Com uma produção que representa menos de 2% do consumo nacional, a empresa vê oportunidades para aumentar sua presença e, eventualmente, levar o azeite brasileiro para mais lares. “A tendência é de um crescimento significativo das áreas de olivais no Brasil”, afirma Bertolucci, confiante no futuro da olivicultura nacional.

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