Milho safrinha: decisões corretas viram produtividade no campo

Planejamento técnico, escolha genética e manejo integrado são decisivos para transformar o potencial do milho safrinha em altas produtividades.

Publicado em 9 de janeiro de 2026 às 06h18

Última atualização em 9 de janeiro de 2026 às 09h13

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Priscila Carvalho da Silva
Biotecnologista, doutora em Produção Vegetal e Analista de Serviços Agronômicos – GDM Sementes

A safrinha de milho se consolidou como um dos principais sistemas produtivos da agricultura brasileira, impulsionada pelo avanço da genética, das tecnologias, pela evolução do manejo e pela profissionalização do produtor.

Entretanto, considerando as limitações inerentes ao ambiente de produção, o alcance de altas produtividades exige planejamento técnico e decisões assertivas na execução, desde o pré-plantio até a colheita.

Planejamento: a base da produtividade

O sucesso do milho safrinha começa no planejamento, com a correta escolha do híbrido, da população, do posicionamento e da data de plantio, aliados ao diagnóstico do ambiente de produção.

A análise de solo orienta a adubação de base e de cobertura, enquanto o histórico da área, incluindo compactação, nematoides, doenças de solo e cultura antecessora, direciona as decisões de manejo.

A janela de plantio é determinante por condicionar o florescimento e o enchimento de grãos às condições de temperatura e disponibilidade hídrica. Em ambientes tropicais e subtropicais, o período ideal de semeadura ocorre do final de janeiro a meados de fevereiro.

Estudos da área técnica da GDM Sementes indicam perdas médias de 1,9 saca por dia de atraso, podendo resultar em reduções superiores a 3.700 kg/ha em atrasos acima de 30 dias, além do aumento do risco de acamamento e quebramento de plantas.

Manejo da palhada

O manejo da palhada também é fundamental, pois a adequada cobertura vegetal contribui para a conservação da umidade do solo, a redução da amplitude térmica e o aporte de matéria orgânica.

Como o milho safrinha normalmente sucede a soja, torna-se essencial uma dessecação eficiente, associada ao controle de insetos-praga, como percevejos, para assegurar boa implantação e desenvolvimento inicial da cultura.

Produtividade começa na escolha do híbrido

A genética é um dos principais pilares da produtividade. Além do potencial produtivo, os híbridos devem apresentar estabilidade, tolerância a estresses abióticos e eficiência no uso de recursos.

A escolha do híbrido deve considerar a análise local e o objetivo do cultivo, elencando atributos como ciclo precoce ou superprecoce, amplitude de janela de plantio, tolerância ao complexo de enfezamentos e a doenças, além de resistência ao acamamento, ao quebramento e à ocorrência de grãos ardidos.

Nesse contexto, o portfólio da Supra Sementes conta com híbridos que se destacam pelo equilíbrio entre potencial produtivo, sanidade e estabilidade, proporcionando maior segurança e rendimento.

Além disso, para a safrinha 2027, a Supra terá novidades em seu portfólio, com lançamentos de híbridos de alta performance desenvolvidos com genética de ponta.

Nutrição equilibrada

O milho é altamente exigente em nitrogênio (N), nutriente fundamental para a constituição estrutural da planta, a manutenção da área foliar e a definição dos componentes de produção, com demanda média de 20 a 25 kg de N por tonelada de grãos, podendo representar necessidade acima de 150 kg de N/ha.

O fósforo (P) atua nos processos energéticos e no desenvolvimento radicular, apresentando extração de 8 a 10 kg de P₂O₅ por tonelada, com doses de aplicação entre 60 e 120 kg de P₂O₅/ha.

Já o potássio (K), com extração de 20 a 25 kg de K₂O por tonelada, está relacionado à regulação osmótica e fisiológica, demandando doses entre 80 e 150 kg de K₂O/ha, conforme a análise de solo e a expectativa produtiva.

Como complemento ao manejo químico, o uso de Azospirillum brasilense estimula a produção de fitormônios, favorece o desenvolvimento do sistema radicular e aumenta a eficiência de absorção de água e nutrientes, podendo ser aplicado via tratamento de sementes, sulco de plantio ou pulverização.

Sanidade e proteção da lavoura

Entre as principais doenças do milho destacam-se a mancha de bipolaris (Bipolaris maydis), a cercosporiose (Cercospora zeae-maydis), a diplodia (Stenocarpella maydis e S. macrospora) e as fusarioses (Fusarium verticillioides e F. graminearum).

A mancha de bipolaris e a cercosporiose afetam diretamente a eficiência fotossintética da cultura, enquanto a diplodia e as fusarioses estão associadas ao apodrecimento de colmo e de espiga/grãos, sendo favorecidas por condições de estresse nutricional e hídrico.

O manejo de doenças deve ser conduzido de forma integrada, com ênfase no controle químico por meio de fungicidas dos grupos triazóis, estrobilurinas e carboxamidas, preferencialmente em misturas, visando ampliar o espectro de ação e a eficiência de controle.

Para a mancha de Bipolaris maydis, recomenda-se o início do manejo a partir do estádio V4, com aplicações subsequentes nos estádios V8 e VT, conforme o monitoramento da lavoura.

Altas produtividades

Altas produtividades no milho safrinha resultam da integração entre planejamento, posicionamento dos híbridos, boa plantabilidade, nutrição equilibrada e manejo fitossanitário adequado.

Em um cenário de margens cada vez mais ajustadas e maior exposição a riscos climáticos, decisões técnicas consistentes são determinantes para transformar potencial produtivo em resultados concretos e sustentáveis no campo.

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