Manejo integrado de tecnologias garante controle eficiente de doenças

O controle químico de maneira isolada não garante a solução de todos os problemas no campo. Recomenda-se a adoção de práticas de manejo integradas que levem em consideração vários fatores, como a escolha da cultivar, época de semeadura, rotação de culturas, manejo da entressafra, tecnologia de aplicação, entre outros.

Publicado em 8 de maio de 2019 às 13h53

Última atualização em 8 de maio de 2019 às 13h53

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O controle químico de maneira isolada não garante a solução de todos os problemas no campo. Recomenda-se a adoção de práticas de manejo integradas que levem em consideração vários fatores, como a escolha da cultivar, época de semeadura, rotação de culturas, manejo da entressafra, tecnologia de aplicação, entre outros.

Esse alerta vem sendo feito há muitos anos por pesquisadores da Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso (Fundação MT), por entenderem que o cenário de doenças ainda é muito preocupante no Estado de Mato Grosso.

Resultados de pesquisas desenvolvidas desde a safra 2011/12 pela Fundação MT e pela Embrapa, com participação de consultores técnicos, revelam perda da eficácia dos fungicidas do grupo dos triazois, estrobilurinas, e mais recentemente das carboxamidas.

A preservação da eficiência dos fungicidas deve considerar, de acordo com os pesquisadores, as seguintes ações: aplicações preventivas; uso de fungicidas multissítios associados aos fungicidas sistêmicos; rotação de grupos químicos e mecanismos de ação dentro dos programas de aplicação; realização de no máximo duas aplicações de carboxamidas por ciclo da cultura; adoção de uma tecnologia de aplicação eficiente; respeito ao vazio sanitário e a calendarização de plantio de soja; além do uso de cultivares com tolerância e/ou resistência genética.

Para Ivan Pedro, fitopatologista da Fundação MT, essas são estratégias anti-resistência que podem contribuir para a longevidade da eficácia dos fungicidas. “Está comprovado que o controle químico por meio de fungicidas é indispensável, no entanto, as estratégias de manejo de doenças vão além, devendo ser considerados aspectos como a genética das cultivares de soja, posicionamento das variedades, ambientes de produção, culturas antecessoras, clima, tecnologia de aplicação e, por fim, o monitoramento adequado”.

Mancha-alvo

Além desse alerta, Ivan Pedro apresentou resultados de pesquisa sobre a ocorrência da macha-alvo. Segundo ele, na safra 2017/18 a ocorrência dessa doença na cultura da soja foi mais severa nas seguintes regiões do MT: Parecis, Médio Norte e Vale do Araguaia.

As perdas médias por causa dessa doença oscilam entre 15 e 25%. “Os danos são dependentes da suscetibilidade da cultivar de soja, das condições climáticas, da época de semeadura, do estádio fenológico da planta em que a doença ocorre e dos programas de fungicidas adotados”, explica o pesquisador.

As principais recomendações para o manejo da mancha-alvo foram citadas por Ivan Pedro. Produtor e equipe que não querem ter perdas de produtividades devem adotar as seguintes estratégias de manejo: uso de cultivares tolerantes/resistentes; utilização de fungicidas efetivos e com especificidade de controle; fazer associação de fungicidas multissítios como estratégia de controle e manejo de resistência; adoção de tecnologia de aplicação efetiva; emprego de aplicações preventivas; garantir intervalos seguros entre as aplicações; proteger a soja até o estádio R6 e conhecer o sistema de produção para o correto posicionamento de cultivares de soja.

“A adoção deste manejo aliado ao monitoramento constante da lavoura é o que pode garantir que as plantas de soja fiquem livres de doenças”, finaliza o pesquisador.

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