Manejo de pré e pós-colheita do café

Os produtores se preparam para a colheita do café, momento de fazer assepsia na pré-colheita e o uso de cicatrizante na pós-colheita, visando à eliminação de fungos e bactérias que afetam a qualidade da bebida.
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O manejo de pré e pós-colheita do café é uma prática essencial para garantir a qualidade final dos grãos e a saúde das plantas. Este processo envolve uma série de cuidados e técnicas específicas que devem ser aplicadas antes e após a colheita, desde a assepsia das plantas até o uso de cicatrizantes para prevenir doenças. Realizar um manejo adequado não só melhora a produção, mas também assegura um produto de alta qualidade, valorizado no mercado.

Manejo de pré e pós-colheita do café para qualidade dos grãos.
Crédito: Jacto

O cafeeiro demanda bastante cuidado em seu manejo, devendo o produtor se atentar às condições climáticas. Uma das etapas de manejo é a pré e pós-colheita, que exige cautela nas aplicações, respeitando o período de carência dos produtos.

O clima também pode afetar de forma significativa os grãos, como por exemplo as chuvas vindas mais próximas da colheita, quando os frutos já estão totalmente granados e apenas faltando concluir a maturação.

Assim, pode acontecer de fazê-los caírem no chão, acarretando na perda da qualidade, dificuldade de recolher grande quantidade de frutos, dentre outros fatores.

Assepsia pré-colheita

A assepsia na pré-colheita tem garantido bons resultados no cafeeiro. Trabalhos mostram que plantas que chegam à colheita bem vigorosas, com alto enfolhamento e baixa pressão de pragas e doenças tendem a ter melhores respostas à qualidade dos frutos, visto que a planta se concentra mais em produzir fotoassimilados para enchimento de grãos do que para induzir resistência a pragas e doenças.

Métodos de assepsia

O cafeeiro não tolera desaforo, de forma que o manejo assertivo, com zero de praga e doença deve ser seguido à risca, visto que plantas com alta incidência de pragas e doenças prejudicam o desenvolvimento das lavouras.

A maioria dos produtores obtém o conhecimento de que pragas e doenças prejudicam a planta, e por isso têm sido assertivos em seus manejos, evitando que os cafeeiros cheguem à pré-colheita livres de pragas e doenças.

Como nem todos são eficientes, alguns optam pela assepsia, utilizando fungicidas à base de cobre nas aplicações para ter um efeito melhor no controle e, de certa forma, contribuir para a limpeza das plantas, em específico, doenças.

Cicatrizantes na pós-colheita do café

A colheita é uma etapa de condução da lavoura que, realizada de maneira errada, pode ocasionar grandes problemas, como por exemplo, os ferimentos provocados pelas colhedoras, que podem não estar reguladas.

A colheita manual com pessoas sem treinamento adequado também pode danificar ramos, assim como o porte da lavoura, que impede de fazer uma boa colheita.

A pulverização com cicatrizante é muito importante nos casos de danos causados pela colheita, visto que previne a entrada de doenças nas plantas, fazendo com que o ferimento causado pela má condução não interfira na sanidade da lavoura e, por consequência, no bom desenvolvimento do cafeeiro.

Manejo de pré e pós-colheita do café: e a qualidade?

A aplicação de produtos com efeito cicatrizante atua no fechamento de injúrias causadas nas folhas, ramos e caule da planta após a colheita.

Essa precaução é importante para conduzir a lavoura com baixo inóculo de fungos prejudiciais ao cafeeiro na fase da florada, responsável por impactar colheitas futuras.

Pensando nos aspectos relacionados à qualidade de bebida do cafeeiro, fungos presentes nos frutos, como Fusarium oxysporum, Aspergillus sp. e Penicillium sp., sendo estes dois últimos associados à produção de micotoxinas, como a ocratoxina, exigem a aplicação de produtos que não apresentem residual que comprometa o período de carência (da última aplicação à colheita dos frutos).

Opções disponíveis

Os principais produtos utilizados na pós-colheita do café são os fungicidas cúpricos, à base de oxicloreto de cobre, hidróxido de cobre, óxido cuproso, que embora não sejam cicatrizantes específicos, atuam reduzindo o inóculo desses patógenos até que ocorra a recuperação dos tecidos das plantas.

Alguns produtos, como o cloro estabilizado, apresentam efeito cicatrizante, atenuando o efeito prejudicial das lesões nas plantas.

Em regiões onde o clima é mais propenso ao desenvolvimento de doenças, como a phoma ou bacteriose, é recomendada sua utilização.

Cloro estabilizado

O cloro estabilizado (hipoclorito de sódio 4%) é um produto com carbonato de sódio, carbonato de potássio e cloreto de sódio. Pode ser utilizado no controle de fungos e bactérias presentes no café que afetam a qualidade.

O cloro estabilizado pode ser aplicado na pré-colheita, via foliar, aproximadamente 30 dias antes da colheita, assim como direcionado ao solo, nos frutos caídos após a colheita.

As aplicações na pós-colheita são necessárias devido aos danos nos ramos e folhas após a derriça.

Atenção

A qualidade do café está ligada a boas práticas de produção, não havendo um único ponto-chave, mas um manejo integrado, com ações que visem minimizar a perda de qualidade.

Para uma colheita de qualidade, é importante realizar o manejo fitossanitário adequado na lavoura, mantendo sob controle pragas como a broca, responsáveis diretamente pela perda de qualidade e peso dos grãos, controle de cercosporiose, que afetam a qualidade pelos compostos fenóis produzidos.

Além disso, a colheita no timing adequado, com a menor quantidade possível de cafés verdes, adequação dos lotes no terreiro, secagem ideal, manutenção da estrutura de beneficiamento, armazenamento em tulhas limpas, sem presença de contaminantes, é imprescindível.

Em conclusão, o manejo de pré e pós-colheita do café é um processo complexo e vital para assegurar a qualidade do produto final. A aplicação de práticas como a assepsia e o uso de cicatrizantes, além do controle rigoroso de pragas e doenças, são fundamentais para preservar a integridade dos grãos e maximizar o potencial de produção. Ao adotar um manejo adequado e integrado, os produtores podem garantir uma colheita de alta qualidade, contribuindo para a competitividade e valorização do café no mercado.

Túlio de Paula Pires
Engenheiro agrônomo – Universidade Federal de Lavras (UFLA)
tuliopiresagro@gmail.com
Alisson André Vicente Campos
Engenheiro agrônomo, doutor em Fitotecnia – UFLA e coordenador de pesquisa – Fronterra
alissonavcampos@yahoo.com.br

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