Magnésio: transforma a qualidade do feijão

Essencial à fotossíntese, ao enchimento de grãos e ao equilíbrio nutricional, o magnésio é decisivo para que o feijoeiro expresse seu máximo potencial produtivo e qualitativo.
Lavoura de Feijão

Publicado em 25 de fevereiro de 2026 às 06h06

Última atualização em 24 de fevereiro de 2026 às 09h08

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Antonio Santana Batista de Oliveira Filho
Professor e coordenador do Curso de Agronomia – Unibalsas
coord.agronomia@unibalsas.edu.br
Daiana Gomes Ciappina
Professor de Agronomia – Unibalsas
daiana.sgomes@hotmail.com

Com elevado teor de proteínas, ferro e carboidratos, o feijão consolida-se como uma das principais fontes alimentares das regiões tropicais e subtropicais.

Dada sua relevância econômica e social, a correta nutrição mineral durante o cultivo é determinante para que a cultura expresse plenamente seu potencial produtivo, refletindo diretamente na produtividade, na qualidade dos grãos e na rentabilidade do sistema produtivo.

O papel fisiológico do magnésio no feijoeiro

O magnésio é um macronutriente essencial para o desenvolvimento, a produtividade e a qualidade do feijoeiro. Ele atua em diversos processos fisiológicos e bioquímicos, com destaque para sua função estrutural na molécula de clorofila e como ativador de centenas de enzimas envolvidas no metabolismo vegetal.

Plantas adequadamente supridas com magnésio apresentam maior vigor, crescimento equilibrado e melhor eficiência fotossintética. Esse conjunto de fatores favorece o transporte de carboidratos das folhas para os grãos, promovendo melhor enchimento das vagens, maior peso dos grãos, uniformidade de produção e melhor qualidade fisiológica das sementes.

Segundo Vian e Tiecher (2023), feijão, algodão e soja figuram entre as culturas com maiores teores críticos de magnésio, demandando concentrações superiores a 4,0 g/kg de massa seca, evidenciando a elevada exigência nutricional do feijoeiro.

Magnésio, fotossíntese e enchimento de grãos

A disponibilidade de magnésio solúvel no solo influencia diretamente a fotossíntese e o metabolismo do feijoeiro. Quando bem supridas, as plantas mantêm folhas mais verdes, maior produção de fotoassimilados e melhor translocação de açúcares para os órgãos reprodutivos.

Esse processo resulta em vagens mais bem formadas, grãos maiores, coloração mais uniforme e incremento na produtividade final, além de impactos positivos na qualidade comercial do produto colhido.

Manejo do magnésio no solo: diagnóstico e correção

Para assegurar adequada oferta de magnésio antes do plantio do feijão, a análise de solo é indispensável. O diagnóstico correto orienta a necessidade de correção e evita desequilíbrios nutricionais.

A calagem com calcário dolomítico é a principal prática de fornecimento de magnésio via solo. No entanto, o manejo deve ser integrado, considerando também:

– O equilíbrio da adubação potássica, evitando excessos de K que competem com o Mg na absorção;

– A manutenção da matéria orgânica, que contribui para a retenção e disponibilidade do nutriente;

– A escolha de fontes corretivas adequadas às condições do solo e ao sistema de produção.

Magnésio e eficiência no uso do nitrogênio

Além da fotossíntese, o magnésio desempenha papel central na ativação de enzimas relacionadas ao metabolismo do nitrogênio, favorecendo a síntese de aminoácidos e proteínas.

Com suprimento adequado, o feijoeiro apresenta maior eficiência no uso do nitrogênio, o que pode resultar em grãos com maior teor proteico. Esse aspecto agrega valor nutricional ao produto e pode ampliar sua valorização em mercados que priorizam qualidade e padrão alimentar.

Desafios no manejo do magnésio no ciclo curto do feijão

O ciclo curto e o crescimento acelerado do feijoeiro impõem desafios significativos ao manejo nutricional, especialmente do magnésio.

A cultura exige que o nutriente esteja prontamente disponível desde os estádios iniciais, o que nem sempre ocorre em solos com baixa disponibilidade ou com desequilíbrios catiônicos.

Entre os principais entraves estão:

– Antagonismo com potássio e cálcio em doses elevadas;

– Baixa eficiência de correções tardias;

– Dependência de umidade adequada do solo para mobilidade do nutriente;

– Dificuldade de ajustes rápidos na adubação durante o ciclo.

Esses fatores reforçam a importância do planejamento nutricional antecipado.

Deficiência de magnésio: sintomas e impactos produtivos

A deficiência de magnésio em plantas de feijão compromete diretamente o crescimento, a produtividade e a qualidade dos grãos. Por ser um nutriente móvel na planta, os sintomas aparecem inicialmente nas folhas mais velhas, caracterizados por clorose internerval, mantendo as nervuras verdes.

Em situações mais severas, podem ocorrer necroses, queda precoce das folhas e redução da área fotossintética.

Essa condição reduz a eficiência da fotossíntese, limita o transporte de carboidratos e prejudica o enchimento das vagens, resultando em grãos menores, mal formados e com menor peso.

O manejo adequado envolve análise de solo, correção com calcário dolomítico e, quando necessário, uso de fontes solúveis ou aplicações foliares de magnésio.

Evidências científicas do efeito do magnésio na produtividade

Resultados experimentais reforçam a importância do magnésio no feijoeiro. Schmitt (2022) observou aumento da massa de vagens e de grãos em áreas corrigidas com calcário e, principalmente, com silicato de cálcio e magnésio.

Lemanski et al. (2025) constataram que a aplicação foliar de magnésio influenciou positivamente o crescimento, a formação de vagens e o rendimento de grãos.

Machado e Santos (2025) destacam ainda que a adubação potássica interfere diretamente nas relações Mg/K, Mg/Ca, Ca/Mg e (Ca+Mg)/K, reforçando a necessidade de equilíbrio entre esses cátions para maximizar a absorção e o aproveitamento do magnésio.

Qualidade percebida pelo consumidor

Do ponto de vista do consumidor, feijões provenientes de lavouras bem supridas com magnésio apresentam melhor padrão visual, com grãos mais uniformes em tamanho e coloração, menor incidência de grãos chochos e maior atratividade no ponto de venda.

Após o preparo, esses grãos tendem a apresentar cozimento mais uniforme, melhor textura e caldo mais encorpado, elevando a aceitação sensorial. Em contraste, feijões oriundos de plantas deficientes em magnésio costumam apresentar menor qualidade culinária e menor valor percebido.

Tabela 1 – Magnésio no feijoeiro

AspectoImportância do magnésio
Função fisiológicaComponente da clorofila e ativador enzimático
FotossínteseAumenta produção de fotoassimilados
Enchimento de grãosFavorece transporte de carboidratos
ProdutividadeIncrementa peso, tamanho e uniformidade dos grãos
QualidadeMelhora padrão visual, teor proteico e qualidade culinária
ManejoCalagem dolomítica, equilíbrio K–Ca–Mg e análise de solo
DeficiênciaClorose internerval, redução de rendimento e qualidade

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