Incidência da mancha-de-phoma durante a florada do café

Publicado em 17 de janeiro de 2017 às 07h15

Última atualização em 17 de janeiro de 2017 às 07h15

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Laércio Zambolim

PhD. e professor do Departamento de Fitopatologia da Universidade Federal de Viçosa (UFV)

zambolim@ufv.br

Crédito Cristiano Soares Oliveira
Crédito Cristiano Soares Oliveira

A mancha-de-phoma pode atacar folhas novas do primeiro e segundo par dos ramos, botões florais e frutinhos. Na florada, uma das fases mais importantes do ciclo reprodutivo do cafeeiro, os botões florais podem ser afetados por esta doença com consequente queda ou posterior mumificação dos frutinhos, no estádio inicial de desenvolvimento.

Ressalta-se que a mumificação dos frutinhos do cafeeiro nem sempre é resultado do ataque da manha-de-phoma. Pode ser devido à deficiência de cálcio e boro e de óvulos não fecundados, causado por fatores abióticos. Além disso, em anos de alta carga é comum observar queda natural de frutinhos devido à competição por água e nutrientes entre eles.

Nas folhas novas do primeiro e segundo pares, as lesões são necróticas com tamanho variável, sem formato definido, resultando em encurvamento do limbo. Como resultado do ataque, as folhas caem prematuramente e, consequentemente, ocorre a seca da ponta dos ramos plagiotrópicos.

Sem confusão

Para comprovar que realmente se trata da mancha-de-phoma, causada por Phoma, deve-se colher folhas e frutinhos com sintomas de necrose e colocá-los em câmara úmida por 24 horas, na temperatura ambiente. Após esse período, observar ao microscópio para verificar se nas lesões ocorre o corpo de frutificação, denominado de picnídio.

Logo após, deve-se preparar uma lâmina de microscopia com um fragmento da lesão e uma gota de água contendo picnídios. Colocar a lamínula sobre a preparação e fazer a observação ao microscópio estereoscópico, no aumento de até 400 X, para verificar a presença de conídios unicelulares, hialinos, que provavelmente pertencerão ao gênero Phoma, da espécie mais predominante nos cafezais – P. tarda.

Entretanto, para ter certeza de que o fungo observado ao microscópio é o agente causal da doença, deve-se proceder ao teste denominado de postulado de Koch, ou prova de patogenicidade.

 

O ataque da phoma causa seca da ponta dos ramos plagiotrópicos - Crédito Vitor Resende
O ataque da phoma causa seca da ponta dos ramos plagiotrópicos – Crédito Vitor Resende

Durante a florada

A doença incide primeiramente nas folhas novas do primeiro e segundo pares dos ramos, devido a injúrias causadas pela ação do vento. Após a formação da necrose há produção dos picnídios e conídios do fungo, no seu interior. Pela ação de chuvas finas e constantes, os conídios são dispersos pela ação do vento úmido para as flores e frutinhos.

A preferência de infecção dos botões florais pelo fungo ocorre devido a aberturas naturais e presença de açúcares simples, o que favorece a germinação e penetração do fungo.

Condições para o ataque

A mancha-de-phoma é uma doença que geralmente atinge lavouras acima de 900 m de altitude, sujeitas à incidência de ventos frios. O vento provoca injúria nas folhas, botões florais e chumbinhos, favorecendo a penetração do fungo.

Entretanto, a doença pode ocorrer também em lavouras implantadas em altitudes inferiores, nos corredores, onde passam os ventos frios. Condições climáticas que favorecem a doença são: frentes frias com temperaturas na faixa de 18 a 20ºC, alta umidade relativa, chuvas finas e constantes.

O fator de maior importância no surgimento da doença é o vento, que causa ferimentos nos tecidos da planta, desencadeando todo o processo infeccioso do fungo.

Prejuízos

A doença começa nas folhas novas - Crédito Vitor Resende
A doença começa nas folhas novas – Crédito Vitor Resende

Não há, na literatura, trabalhos científicos realizados que relatem a determinação dos danos (redução na produtividade) e perdas (prejuízos financeiros) causados pela mancha-de-phoma.

Sintomas de necrose nas folhas do primeiro e segundo pares dos ramos podem ser observados em quase todas as lavouras, mesmo em altitudes abaixo de 900 m. Na Zona da Mata de Minas Gerais é comum observar folhas das pontas dos ramos com sintomas da doença, mas não chegam a atingir nem 10% dos ramos nas plantas.

É raro também o surgimento da doença nos botões florais e chumbinhos na Zona da Mata. Além disso, a simples presença de sintomas em folhas não implica necessariamente em danos e perdas. Quando tais sintomas incidirem em mais de 30% dos ramos, danos poderão ocorrer na safra do ano seguinte.

Por outro lado, sabe-se que em algumas regiões do País, notadamente no Estado de Minas Gerais, como a Serra do Salitre, Chapadão das Emas e no Sul de Minas, no município de Carmo da Cachoeira, a doença é severa devido à presença contínua de ventos frios nas lavouras. Sob estas condições, a produção de café só será viabilizada se plantas do tipo ‘quebra-vento’ forem instaladas, visando à proteção das plantas.

 

Essa matéria completa você encontra na edição de janeiro 2017 da revista Campo & Negócios Grãos. Adquira já a sua para leitura integral.

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