Ferrugem – Patente de método de controle é concedida à TMG

Publicado em 30 de junho de 2019 às 15h46

Última atualização em 30 de junho de 2019 às 15h46

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Ainda considerada a doença foliar mais destrutiva da soja, a ferrugem asiática, desde que entrou no Brasil, por volta dos anos 2003/04, causou prejuízos quase que incalculáveis à agricultura nacional.

Pesquisadores da Tropical Melhoramento & Genética (TMG) desenvolveram um método de identificação e seleção de plantas de soja com resistência à ferrugem da soja. Com patente concedida nos Estados Unidos desde 2014, agora foi a vez da aprovação da patente do método no Brasil, garantindo a propriedade intelectual à TMG e os direitos previstos na legislação brasileira.

Concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), a patente outorga a propriedade do método de identificação e seleção de plantas de soja contendo o gene de resistência Rpp5, através do uso de marcadores moleculares.

Conquista

Para Francisco Soares Neto, diretor-presidente da TMG, a patente no Brasil é mais uma conquista da empresa e de todos que trabalham nela. “É especialmente uma forma de reconhecimento ao trabalho competente dos pesquisadores da TMG, ao forte investimento da empresa na pesquisa em genética para solucionar problemas que os agricultores enfrentam todos os dias. Além disso, essa patente vem agregar valor ao agronegócio brasileiro, na demonstração de respeito à propriedade intelectual”, destaca.

A partir de trabalhos como este, a TMG passou a ofertar ao mercado cultivares de soja com a Tecnologia Inox, aliada do produtor para enfrentar no campo a ferrugem da soja. As plantas de soja Inox, quando atacadas pelo fungo da ferrugem (Phakopsora pachyrhizi), têm uma reação de hipersensibilidade (criando uma lesão escura) que necrosa o tecido foliar ao redor do ponto de infecção. Isso restringe a progressão do fungo, evitando a sua multiplicação e esporulação.

Onde há a doença, portanto, a ferramenta oferece maior facilidade de controle, aliado ao bom desenvolvimento da lavoura e altas produtividades. “A patente é ainda um incentivo à inovação, o que mantém a pesquisa de novos genes que permitirão a manutenção de Tecnologia Inox ao longo do tempo, com a combinação de inúmeros genes para ampliar e auxiliar o controle da ferrugem”, pontua Francisco Soares Neto.

Ferramenta essencial

Alexandre Garcia, gestor de pesquisa da TMG e um dos responsáveis pela patente, explica que o uso de marcadores moleculares virou rotina nos programas de melhoramento e uma ferramenta essencial para manter a competitividade no desenvolvimento de cultivares. “A seleção de plantas com resistência à ferrugem é desafiadora, pois existe uma complexa interação entre biótipos do patógeno e os genes de resistência da planta. Nesse cenário é imprescindível monitorar a introgressão e presença dos genes através do DNA. A TMG mostrou sua competência ao descobrir o gene Rpp5 e identificar formas de selecioná-lo por marcadores moleculares e estamos muito contentes com o reconhecimento do investimento e da propriedade intelectual na forma de patente. Isso mostra a seriedade e competência da pesquisa de empresas brasileiras”, afirma.

Alexandre acrescenta que quando se trata de ferrugem, a genética é uma ótima ferramenta para atingir bons resultados de produtividade, mas o manejo adequado também é determinante para o sucesso da lavoura. “É imprescindível fazer as aplicações de fungicidas normalmente e seguir as recomendações de manejo. A vantagem é que o controle genético da Inox, associado ao uso de fungicidas, trazem segurança ao produtor e resultam em um controle muito mais efetivo e maiores produtividades, quando comparado com variedades suscetíveis, além de aumentar a longevidade das formas de controle da doença ”, explica.


Pioneirismo

Já estão reportados na literatura sete genes de resistência à ferrugem asiática da soja, os chamados genes Rpp. A TMG foi pioneira na descoberta e identificação de um desses sete genes, o gene Rpp5, que aparentemente é o gene mais eficiente contra o fungo nas condições atuais.

Alexandre Garcia explica que o gene está presente naturalmente em acessos de soja. Contudo, esses acessos “fonte” dos genes não possuem nenhuma adaptação que permita o plantio no Brasil. “Por isso, para lançar uma nova cultivar resistente, é preciso realizar o melhoramento genético, por meio de uma série de cruzamentos e seleção das plantas que contenham o gene e que sejam adaptadas as regiões de plantio desejadas”.

A TMG identificou as principais “fontes” do gene Rpp5 para serem usadas em programas de melhoramento e ainda conseguiu determinar o local em que esse gene está posicionado no genoma da soja e quais sequências de DNA (os chamados marcadores moleculares) podem ser usadas para confirmar a presença dele e selecionar plantas resistentes.

A patente, portanto, cobre a utilização de marcadores moleculares de DNA para identificar e selecionar plantas que contenham o gene Rpp5. Isso é um processo que impacta principalmente empresas de melhoramento e desenvolvimento de cultivares de soja, já que o uso de marcadores moleculares no processo de seleção de plantas se tornou rotina e ferramenta essencial para mandar velocidade e competitividade dos programas.

Obviamente, o cruzamento natural e seleção visual de plantas com resistência ainda pode ser feito.

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