Minas Gerais, o coração da cafeicultura brasileira, recebe a exposição cultural itinerante “BRASIS Cafés de Origem”, inspirada no livro “A Revolução do Café Brasileiro – Regiões com Indicação Geográfica”, e apresenta o trabalho do fotógrafo Marcelo Coelho. Tem curadoria de Juliano Tarabal, diretor-executivo da Federação dos Cafeicultores do Cerrado e estreou no dia 9 de abril de 2026 em Guaxupé, seguindo para Carmo do Paranaíba (Cerrado Mineiro) e Viçosa (Matas de Minas).
A mostra é uma jornada imersiva que combina fotografia, conhecimento técnico e experiências sensoriais para celebrar as regiões que detêm o selo de Indicação Geográfica (IG). E a iniciativa busca conectar o consumidor à “história e alma” por trás de cada grão, destacando como o selo de origem transforma o café de uma simples commodity em um produto de valor agregado e identidade preservada.
Para apresentar a exposição, bem como proporcionar uma imersão visual e sensorial, o lançamento em cada cidade será marcado por um evento especial, incluindo degustação, palestra de Juliano Tarabal e painel com produtores locais.
Em Guaxupé, “BRASIS Cafés de Origem” estará no Teatro Municipal Arlete Souza Mendes até o dia 19 de abril; em Carmo do Paranaíba erá de 24 de abril a 2 de maio e, em Viçosa, de 6 a 18 de maio. Nas três cidades a exposição será aberta ao público, com visitação gratuita.
Segundo Tarabal, a exposição tem como missão elevar o valor do trabalho de gerações e garantir ao consumidor uma experiência com “história e alma”. Ele explica que: “A Indicação Geográfica é um selo de origem e qualidade que transcende o produto. Ela certifica que o café possui características únicas, moldadas pelo clima, solo, altitude e pelo saber-fazer das comunidades locais”.
Para a diretora da Pink Produções e cocriadora da mostra, Marcela Ribeiro, a BRASIS Cafés de Origem é um convite a uma jornada imersiva na diversidade cultural e sensorial do café brasileiro. “A exposição convida o público a explorar cada detalhe, a sentir a paixão que move esses produtores e a compreender a importância de cada região. É um portal para um novo olhar sobre o café brasileiro, uma oportunidade para saborear a história, a cultura e a geografia em cada grão”.
A exposição cultural BRASIS Cafés de Origem é um projeto viabilizado por meio da Lei Rouanet e patrocinado pelo Sicoob – Sistema de Cooperativas Financeiras. “Para nós, participar dessa iniciativa é muito mais do que demonstrar apoio a um projeto nacional, ela é convergente com o nosso compromisso de contribuir para o desenvolvimento do país, impulsionando o empreendedorismo e gerando prosperidade e bem-estar nas diferentes regiões. Valorizamos o impacto positivo da cultura cafeeira, que, para além da repercussão econômica, é aliada da sustentabilidade e transforma a realidade de milhares de famílias brasileiras”, ressalta Enio Meinen, Diretor de Coordenação Sistêmica, Sustentabilidade e Relações Institucionais do Sicoob.
Cafeicultura mineira brilha em exposição itinerante
A escolha de Guaxupé para abrir o calendário mineiro da mostra BRASIS Cafés de Origem carrega um simbolismo profundo. Coração da recém-certificada IP Sudoeste de Minas (2023), a região vive uma verdadeira revolução de identidade. A narrativa da exposição conecta o passado glorioso dos “barões do café” de 1800, que substituíram a pecuária leiteira pela cafeicultura impulsionada pela expansão ferroviária, à vanguarda da cafeicultura consciente de hoje. Atualmente, os produtores locais utilizam tecnologias de ponta, como mapeamento de erosão e manejo biológico, para garantir a sustentabilidade diante dos desafios climáticos severos, como geadas e secas.
Carmo do Paranaíba emerge como um dos maiores polos produtores de café de Minas Gerais, consolidando-se como referência de excelência no Cerrado Mineiro, região que, com pouco mais de 50 anos de existência, já conquistou o status de primeira a receber a Denominação de Origem (DO) no Brasil. A história local transformou-se em força econômica quando a especialização em cafés de qualidade ganhou impulso a partir de 2000.
Com 80% da área mecanizada, forte presença feminina na gestão e uma nova geração de produtores com formação empresarial, Carmo do Paranaíba não apenas produz café, mas também histórias de resiliência, inovação e sustentabilidade que redefinem o agronegócio brasileiro.
Viçosa está inserida estrategicamente na região das Matas de Minas, detentora da Indicação de Procedência (IP) para cafés especiais, e desempenha um papel crucial no desenvolvimento e na sustentabilidade da cafeicultura local. A cidade é um polo regional de conhecimento e inovação, abrigando instituições como a Universidade Federal de Viçosa (UFV), que historicamente contribuem com pesquisa e extensão para as práticas de cultivo em montanha, o manejo artesanal e aprimoramento da qualidade sensorial dos grãos.
Essa sinergia entre o ambiente propício das Matas de Minas, caracterizado por seu relevo acidentado, altitudes elevadas e predominância de pequenos produtores familiares, e o suporte técnico-científico de Viçosa fortalece a identidade e a excelência dos cafés da região, que se destacam por sua doçura, notas de caramelo e chocolate, e acidez cítrica delicada.