É hora de avaliar o replantio do canavial

Considere sua produtividade e o momento econômico da atividade, entre outros pontos, recomendam especialistas.

Publicado em 2 de junho de 2021 às 12h11

Última atualização em 15 de maio de 2025 às 16h14

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As estatísticas mais recentes indicam que o Brasil tem produzido mais de 750 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. Uma colheita anual estimada em cerca de R$ 54 bilhões, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com o primeiro período do ano encerrado, é hora de avaliar o canavial e verificar sua condição, lembrando que a lavoura possibilita, em média, seis colheitas consecutivas, mas há muitos casos com mais safras.

Cada agricultor deve fazer a análise dos custos de reforma do canavial (incluindo cana planta e cana soqueira) x sua produtividade atual antes de definir o caminho a seguir. Importante ter sempre em mente que o Brasil é o maior produtor mundial de cana-de-açúcar e, assim, tem sempre muito poder para determinar o dinamismo do mercado global.

Se a produção nacional é superior à demanda de açúcar e etanol no momento, há risco de os preços internacionais recuarem; se a safra é menor – e isso, como vocês sabem, ocorre por diferentes fatores – a cotação tem tudo para avançar. Nesse ponto, as usinas ajustam o fluxo de produção de açúcar e de etanol de acordo com a tendência dos preços e do balanço oferta x demanda.

Decisão de reforma do canavial tomada, a rotação de culturas aparece como importante aliada, já que mantém a cobertura do solo e contribui para melhorar suas propriedades físicas, químicas e biológicas. Soja, amendoim e Crotalaria juncea são “adubos verdes” cada vez mais utilizados para esse processo de “descanso” do solo.

Os especialistas recomendam alguns cuidados para não errar na reforma do canavial. Entre esses pontos de atenção estão a escolha da variedade de cana que melhor se ajusta às características da região e do solo – aliás, é muito importante fazer a análise da terra; fazer a reforma por partes e não em 100% da área ao mesmo tempo. Tenha certeza de que isso facilita o manejo e o normal desenvolvimento das plantas.

Nesse cenário, ganha cada vez mais importância o sistema de plantio de Meiosi (Método Inter rotacional Ocorrendo Simultaneamente) e muda pré-brotada (MPB), devido aos ganhos que oferece (menor custo operacional, cana-muda com desenvolvimento mais rápido com mais sanidade e maior volume de muda).

A Embrapa informa que “o sistema mais comum de utilização de culturas em rotação ou reforma envolve operações como: retirada da cana, destruição da soqueira, calagem, preparo do solo, plantio da cultura anual, colheita e novo plantio de cana, logo em seguida”. Portanto, é um processo trabalhoso, mas importante.

Atenção especial também deve ser dada ao manejo das plantas daninhas! Nesse caso, é preciso selecionar com cuidado o insumo a ser utilizado. “Dê preferência a fornecedores com histórico de prestação de serviços e produtos de alta qualidade, resultados da mais moderna tecnologia disponível”, destaca Luciano Almeida, engenheiro agrônomo, especialista em gestão empresarial e supervisor de marketing para cana e florestas da UPL Brasil.

Contribui cada vez mais para o sucesso do plantio o uso de bioestimulantes, que contribuem para acelerar o desenvolvimento fisiológico das plantas, aumento da CTC (Capacidade de Troca de Cátions) do solo, melhoria de enraizamento, aumento da absorção de água e de nutrientes pelas plantas, bem como melhoria da resistência ao estresse hídrico e aos efeitos residuais de herbicidas no solo, aumentando o perfilhamento do canavial e sua longevidade, além de diminuir falhas, proporcionar aumento da produtividade e a consequente redução de custos.

O aumento da produtividade está diretamente ligado ao uso de novas tecnologias. Elas estão aí para ajudar os agricultores a obter melhores resultados em suas culturas. “Quanto melhor for o programa de nutrição maior será a expectativa de produtividade”, diz o prof. Gaspar Korndorfer, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). “Estamos numa situação em que a margem de lucro para o uso de insumos, como fertilizantes e fisioativadores, é bastante positiva. Com as tecnologias disponíveis é perfeitamente possível impulsionar a produtividade, mas para isso precisamos fornecer os nutrientes em quantidades adequadas e no tempo certo, além de usar bioestimulantes. Assim como os fertilizantes, os fisioativadores podem contribuir para o programa de nutrição da cana. Com o desenvolvimento da biotecnologia (biologia molecular), bioquímica e fisiologia vegetal foi possível a síntese e obtenção de novas moléculas, de comprovado efeito fitotônico, as quais podem oferecer proteção a muitos efeitos bióticos e abióticos nas plantas. Os bioestimulantes são moléculas sinalizadoras, naturalmente presentes nas plantas em concentrações muito baixas, capazes de influenciar a atividade hormonal das plantas, responsáveis por efeitos marcantes no desenvolvimento vegetal”, explica o especialista da UFU.

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