Desafios persistentes: Mercado de Cacau inicia 2026 volátil

Chuvas acima da média na África Ocidental reforçam perspectivas positivas para a safra.
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Os futuros do cacau encerraram a primeira semana de 2026 no dia 09 de janeiro cotados a 5.345 USD/t em Nova York e 3.916 GBP/t em Londres, acumulando perdas semanais de 8,96% e 7,81%, respectivamente, revertendo os ganhos da sessão anterior. De acordo com relatório da Hedgepoint Global Markets, sem mudanças significativas nos fundamentos, os principais vetores dos movimentos recentes permanecem associados ao clima e a fatores técnicos.

“Na faixa produtora de cacau da África Ocidental, principal região de origem das amêndoas, chuvas acima da média têm sido registradas nos últimos dias em áreas relevantes da Costa do Marfim e de Gana. O padrão contrasta com o observado no mesmo período da safra passada, quando essas regiões enfrentavam condições mais secas”, afirma Carolina França, analista da Hedgepoint Global Markets.

Na avaliação da analista, caso se mantenha, esse cenário reforça uma perspectiva mais positiva para o final da safra principal e para o início da safra intermediária 2025/26, contribuindo para a manutenção da expectativa de superávit no ciclo corrente. Ainda assim, o cenário atual reflete, em maior medida, a retração observada na moagem de cacau, principal indicador de demanda, do que um aumento expressivo da oferta.

“Nesse contexto, o mercado aguarda, a divulgação dos resultados de moagem do quarto trimestre de 2025, quando se observaram correções de preços mais intensas, para avaliar um eventual impacto desses movimentos sobre os volumes de moagem”, explica.

Cacau de Nova York no Índice Bloomberg

Carolina França reforça que, no campo técnico, a inclusão do cacau de Nova York no Índice Bloomberg de Commodities surge como um importante fator que pode dar suporte aos preços no curto prazo, embora seja importante destacar que parte do mercado já esteja posicionada para esse movimento. A mudança pode gerar um volume relevante de negociações, à medida que fundos atrelados ao índice realizam o rebalanceamento de seus portfólios.

“Nesse contexto, movimentos técnicos associados a esses fluxos podem favorecer oscilações pontuais de preço, e, nas negociações de 8 de janeiro, o mercado registrou ganhos de 2,99% em Nova York e 2,60% em Londres. Na sessão de 9 de janeiro, os preços recuaram, devolvendo os ganhos anteriores em meio a maiores vendas à medida que os preços se aproximaram de níveis mais atrativos. Além disso, o movimento pode também estar associado à saída de posições de investidores especulativos que haviam se antecipado à inclusão do contrato no índice no ano passado, sem alteração relevante nos fundamentos”, avalia.

“De forma geral, o mercado segue à espera de novas informações relacionadas aos fundamentos. Nesse sentido, os fundos especulativos mantiveram posições praticamente estáveis em Nova York de acordo com o último relatório divulgado em 5 de janeiro, em níveis ainda abaixo da média e do mesmo período correspondente ao ano anterior, cenário que reflete tanto a cautela dos participantes quanto a redução da atividade observada durante o período de feriados de fim de ano”, complementa.

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