Conservação das florestas brasileiras

O Brasil possui a segunda maior área de floresta, com 497 milhões de hectares, atrás apenas da Rússia (815 milhões de hectares).

Publicado em 22 de maio de 2021 às 13h28

Última atualização em 22 de maio de 2021 às 13h28

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O Brasil possui a segunda maior área de floresta, com 497 milhões de hectares, atrás apenas da Rússia (815 milhões de hectares). Nos últimos 30 anos, a perda líquida de florestas no mundo diminuiu em função da redução do desmatamento e do aumento na área florestal, por meio da formação de florestas por plantio e da expansão natural. Os dados são do Relatório de Avaliação Global dos Recursos Florestais (FRA 2020), produzido pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).
“As florestas são reconhecidas pela importância para o meio ambiente e para a saúde humana. Estudos comprovam sua eficiência no equilíbrio da biodiversidade e no regime de chuvas”, destaca a advogada ambiental, Samanta Pineda.
Segundo ela, poucos países mantiveram suas florestas, sendo o Brasil um dos que ainda conservam a maior porcentagem. “No entanto, ano após ano, vemos números alarmantes de áreas desmatadas, sempre comparadas à quantidade de campos de futebol para que se possa ter uma dimensão do prejuízo ambiental”, alerta.

Iniciativas sustentáveis

É importante destacar iniciativas que visam o desenvolvimento de políticas, práticas e investimentos para a produção sustentável e a preservação dos recursos florestais. Hoje, existem novas fontes de financiamento da agropecuária brasileira que promovem práticas e tecnologias sustentáveis.
Uma das opções são os Títulos Verdes ou “Green Bonds”, títulos de renda fixa utilizados na captação de recursos para implantar ou refinanciar projetos e ativos que tenham atributos positivos do ponto de vista ambiental ou climático. “São uma alternativa para estimular e viabilizar iniciativas e tecnologias com impactos socioambientais positivos”, destaca Samanta.
A advogada lembra que o Brasil desenvolveu diversas técnicas de produção sustentável. As tecnologias de agricultura tropical permitiram o aumento da produtividade sem o aumento, na mesma proporção, da área utilizada.
Além disso, a forma de produção foi evoluindo para, além de gerar menos impacto, promover a melhoria do meio ambiente, como o plantio direto que recompõe o solo, diminui emissão de gases e evita o carreamento do solo, como também os sistemas de integração que recuperam pastagens e diminuem o impacto da pecuária, o uso de bioinsumos, como a fertirrigação da cana com a vinhaça, além de tantas outras.
Todas essas técnicas de produção que são ambientalmente melhores que a forma convencional são elegíveis para serem financiadas por recursos advindos de Títulos Verdes.

Tradição em sustentabilidade

O Brasil tem tido iniciativas que incentivam a produção sustentável há anos. Um bom exemplo é a linha de financiamento que faz parte do Plano Safra todos os anos que se chama linha ABC – Agricultura de Baixo Carbono.
É uma linha de crédito com taxas e prazos diferenciados para aquele produtor que comprovar que tem métodos produtivos que reduzem a emissão de gases de efeito estufa.

Quem pode emitir e com usar

O Título Verde pode ser emitido por qualquer empresa, desde que ela consiga demonstrar a destinação dos recursos e o impacto positivo ao meio ambiente. Os projetos enquadráveis para emissão destes títulos podem ser novos ou existentes e são denominados projetos verdes. “De um lado, temos o emissor, produtores e empresas de vários segmentos que possuem projetos sustentáveis para serem financiados e, do outro, investidores que buscam iniciativas com o carimbo de sustentabilidade”, enfatiza a advogada.
Segundo o Governo Federal, os recursos da venda de Títulos Verdes podem ser usados na agropecuária de baixo carbono; silvicultura e manejo florestal; conservação, restauração e recomposição de vegetação nativa; recuperação de áreas degradadas; pesca e aquicultura sustentável.
Desde sua criação, os Títulos Verdes já movimentaram R$ 8,1 bilhões na economia brasileira. “O Brasil tem um gigantesco potencial no mercado de Títulos Verdes. A agricultura brasileira tem a capacidade de ser uma das maiores emissoras destes títulos”, explica a advogada ambiental.
A grande maioria deste recurso foi destinada a financiar infraestrutura de energia renovável e o setor florestal. O restante pulverizado entre o setor agropecuário, de bionergia, transportes e saneamento.

Por onde começar

É necessário escolher o que será financiado pelo recurso advindo do Título Verde. Importante dizer que em propriedades rurais, por exemplo, são financiáveis desde a aquisição da terra, compra de máquinas e insumos, até o final da produção, ou seja, no todo ou em parte o processo produtivo como um todo é elegível.
“Emitir um Título Verde significa atingir um número muito maior de investidores interessados além de melhorar a reputação e a imagem da empresa. Para que a atividade seja elegível, é preciso identificar a forma de aplicação do recurso e emitir um relatório de monitoramento desses investimentos, o que aumenta a transparência das operações, sendo mais um fator de eleição dos Títulos Verdes pelos investidores que correm menos risco”, pontua Samanta.
A certificação do Título Verde pela Climate Bonds Iniciative custa cerca de US$ 20 mil, mas não é obrigatória, podendo haver apenas uma auditoria que emitirá uma opinião de segunda parte sobre o projeto e suas qualificações.

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