O greening está presente no Brasil desde 2004, mas, para Arlindo de Salvo Filho, a situação ficou crítica nos últimos três anos na região de Campanha (MG). As condições de seca e inverno prolongado do último ciclo agravaram ainda mais o cenário: a incidência chegou a 90%, afetando de forma severa o desenvolvimento e a produtividade das plantas.
Sua propriedade, o Sítio Santa Helena, é referência regional na produção de tangerinas — 15 hectares de Ponkan e 5 hectares de mexerica Montenegrina, ambas sobre porta-enxerto de limão-cravo, e hoje enfrenta o maior desafio fitossanitário de sua história.
A estratégia que começa pelas raízes
Para Arlindo, o manejo eficiente contra o greening precisa começar por baixo da copa: na preservação das raízes. Ele evita herbicidas que possam causar danos radiculares e aposta em adubações orgânicas e químicas equilibradas, especialmente com Gran Black, da Amazon, sempre guiadas por análises de solo e folhas.

A condução cuidadosa garante maior vigor e resiliência das plantas, reduzindo impactos indiretos da doença. Ao mesmo tempo, a intensidade das aplicações precisa acompanhar o comportamento do psilídeo.
Rotação de inseticidas e modos de ação, alternância entre produtos químicos e biológicos e volume de calda suficiente para molhar toda a planta são pilares fundamentais.
Monitoramento constante e eliminação rápida
Com monitoramento semanal conduzido por um inspetor de pragas, Arlindo ajusta a frequência de aplicações conforme a necessidade identificada no campo. Plantas totalmente afetadas são removidas sem hesitação, e os espaços são replantados.
Nessas mudas, os cuidados são redobrados, incluindo o uso de drencher a cada 40 a 50 dias para garantir proteção contínua. Segundo ele, não há espaço para dúvidas: “o manejo exige agilidade, regularidade e disciplina. Sem essas práticas, o risco de perda generalizada aumenta drasticamente”.
Tecnologias de apoio e o custo que divide eras
Arlindo afirma que houve uma “citricultura antes e depois do greening”. O custo de manejo subiu de forma expressiva, e superar a doença exige ferramentas complementares, não soluções isoladas.
Entre as tecnologias que têm contribuído, ele destaca o uso de N-acetilcisteína, que conta com endosso de pesquisadores do Centro de Citricultura de Cordeirópolis (SP). O produto reduz a queda de frutos e prolonga a vida útil e produtiva das plantas doentes, oferecendo um respiro em meio ao avanço da doença.
Meio século de experiência e uma visão clara do futuro
Com 52 anos de atuação em citricultura, Arlindo segue trocando informações com consultores, pesquisadores da Fundecitrus, universidades e especialistas do setor. Para ele, a atualização constante é indispensável, tanto para quem assessora quanto para quem produz.
Sua avaliação é direta: o produtor que não adotar essas técnicas integradas dificilmente conseguirá manter o pomar produtivo diante da intensidade atual do greening.
Retrato do Sítio Santa Helena
A seguir, um resumo das principais características da produção conduzida por Arlindo de Salvo Filho em Campanha (MG).
| Propriedade | Sítio Santa Helena |
| Localização | Campanha (MG) |
| Área total | 20 ha |
| Área de Ponkan | 15 ha |
| Área de Mexerica Montenegrina | 5 ha |
| Porta-enxerto | Limão-cravo |
| Produtividade Ponkan | 1.200 caixas de 40,8 kg/ha |
| Produtividade Montenegrina | 700 caixas de 40,8 kg/ha |

