Como a alga marinha pode influenciar a produção (e o preço) do café

Por: Gustavo Gonella, diretor de marketing da Acadian para a América do Sul
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Divulgação

Vários fatores têm pressionado o preço do café brasileiro, com destaque para eventos climáticos adversos, como a escassez de água nas plantações. Isso proporciona redução da produtividade e da qualidade dos grãos. Com oferta menor, os preços sobem. Esses desafios tornam-se ainda mais críticos para o Brasil, que é o maior produtor e exportador de café do mundo.

De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a colheita nacional de café em 2024 foi de 54,2 milhões de sacas com 60 quilos cada – ou, aproximadamente, 3,2 bilhões de toneladas. Na safra de 2023, entretanto, o resultado foi um pouco maior: 55,1 milhões de sacas. As exportações, por outro lado, atingiram um recorde positivo, com 50,5 milhões de sacas, o que representa um aumento de 28,8% na comparação de 2024 com o ano anterior.

O amargor desse café, entretanto, acabou ficando mais evidente no preço ao consumidor: todos os tipos do grão estão com a cotação em alta, em razão das condições climáticas desfavoráveis e da redução na oferta global.

Outro fator que agrava o cenário é a bienalidade do café, especialmente do arábica. Esse fenômeno refere-se à oscilação natural da produção das árvores: em anos de bienalidade positiva, a produção é maior (como aconteceu em 2024), mas em anos de bienalidade negativa, a expectativa é de produção menor. E é justamente isso o que se projeta para 2025. A expectativa da Conab para o ano todo é uma redução de 4,4% na colheita. A primeira estimativa para 2025 indica que a produção de café beneficiado deve chegar a 51,8 milhões de sacas – total que equivale a uma diminuição de 2,4 milhões de sacas frente ao ano passado.

Diante desse cenário desafiador, a Acadian Plant Health (APH), maior empresa independente de colheita, cultivo e extração de plantas marinhas do mundo e líder internacional em soluções biológicas sustentáveis, tem investido em tecnologias inovadoras para apoiar os cafeicultores a suportar melhor as adversidades climáticas. Estudos recentes – elaborados em parceria com pesquisadores do campus Botucatu da Universidade Estadual Paulista (Unesp) – mostraram que bioativadores à base da alga marinha Ascophyllum nodosum representam uma alternativa promissora para mitigar os efeitos do estresse abiótico, como a falta de água.

Essa alga, originária das águas frias do Atlântico Norte, cresce em zonas de intermaré, onde enfrenta condições ambientais extremas que estimulam o desenvolvimento de mecanismos de sobrevivência. Como resultado, ela produz compostos bioativos que a protegem contra os efeitos dessas condições adversas.

Os estudos concluíram que os extratos de Ascophyllum nodosum podem aumentar a resistência de outras plantas aos mesmos desafios, estimulando mecanismos fisiológicos que ajudam as culturas a enfrentarem melhor o estresse provocado pela falta de chuvas. A aplicação dessa tecnologia no cultivo de café pode melhorar a tolerância das árvores ao déficit hídrico e promover o crescimento saudável, fator fundamental especialmente em anos de bienalidade negativa.

Além disso, a alga contribui para a ativação de processos metabólicos que favorecem a absorção de nutrientes e protegem as células vegetais, o que pode resultar em maior produtividade e redução dos danos causados pela falta de água. Ao minimizar os impactos do estresse abiótico, o extrato de Ascophyllum nodosum ajuda a estabilizar a produção de café, garantindo a continuidade dessa cultura vital para a economia brasileira e para a nossa cultura. Afinal, o cafezinho faz parte do cotidiano de todos os brasileiros.

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