Cochonilha no café: todo cuidado é pouco

A melhor forma de identificar as cochonilhas é observar a planta no dia-a-dia. No entanto, devido à coloração da cochonilha ser bastante variável, pode acabar dificultando reconhecê-la.
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Crédito: Maurício Fornazier

Dhyene Rayne Dos Santos Becker
Mestra em Biodiversidade e Conservação – Universidade Federal do Pará (UFPA)
drayneagro@gmail.com

As cochonilhas são uma das principais pragas do café, podendo causar até 100% de perdas, a depender da infestação. Por isso, entender mais sobre este inseto é fundamental para realizar um manejo mais eficiente e evitar perdas.

Estes pequenos insetos sugam a seiva de folhas, frutos, trocos, ramos e raízes, e causam grandes prejuízos às plantações, como enfraquecimento das plantas, desfolha e seca de ramos. Além disso, durante a sucção podem injetar toxinas nas plantas.

O cafeeiro é acometido por diversos insetos-pragas, com uma capacidade imensa de causar danos. Dentre eles, destacam-se as cochonilhas Planococcus sp., Dysmicoccus sp. e Orthezia praelonga, que ocasionam danos e perdas de qualidade dos frutos.

Identificação e controle

A melhor forma de identificar as cochonilhas é observar a planta no dia-a-dia. No entanto, devido à coloração da cochonilha ser bastante variável, pode acabar dificultando reconhece-la.

Segundo Fornozier et al. (2018), na cultura do café as cochonilhas apresentam comportamentos que se correlacionam com as fases de desenvolvimento das plantas e as condições climáticas.

Para um manejo eficiente, são fundamentais inspeções periódicas e monitoramentos, visto que o conhecimento da lavoura e das pragas permite auxiliar na tomada de decisão de táticas de controle, para que ela não atinja o nível de dano econômico.

O Manejo Integrado de Pragas (MIP) é o conjunto de medidas mais eficiente e de longo prazo que visa manter as pragas abaixo do nível de dano econômico. Para um bom resultado, é fundamental seguir as recomendações de um engenheiro agrônomo, para fazer bom uso do MIP de acordo com as táticas de manejo, como controle cultural, biológico, comportamental, genético, varietal e, por último, o controle químico (com a utilização de inseticidas seletivos e produtos registrados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, para a cultura/praga).

Uma das técnicas bastante utilizada no MIP é o controle biológico, que ainda auxilia na manutenção dos inimigos naturais dos insetos-pragas. Alguns autores destacaram a utilização de extratos vegetais no controle de cochonilhas, como extratos aquosos de pinhão-manso no manejo da cochonilha-da-roseta (Planococcus citri) na cultura do café, Capsicum frutescens L., associada ao álcool, fumo em rolo e sabão de coco em Hibiscus rosa-sinensis L. e extrato de nim em palma forrageira.

Quanto custa?

O custo com o controle de pragas pode ser reduzido pela metade nas aplicações de inseticidas e ainda aumentar a produtividade com a utilização eficiente do MIP.

Na literatura, diversos trabalhos destacam que a utilização do sistema convencional (aplicações calendarizadas) não é considerado um manejo eficiente, visto que muitas vezes as aplicações ocorrem quando os insetos ainda não atingiram o nível recomendado.

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