Cepas de fungos tem potencial para controlar o mofo-branco

Uma das cepas conseguiu inibir em 100% a germinação de escleródios do patógeno.

Publicado em 26 de maio de 2023 às 06h00

Última atualização em 26 de maio de 2023 às 06h00

Acompanhe tudo sobre Cepas de fungos, controlar, mofo-branco e muito mais!

Estudo de cientistas da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Embrapa Meio Ambiente, Universidade Federal de Lavras (UFLA) e do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) revelou a capacidade de duas linhagens brasileiras do fungo TrichodermaTrichoderma asperelloides CMAA 1584 (BRM 065723) e Trichoderma lentiforme CMAA 1585 (BRM 065775) – em controlar o mofo-branco.

Crédito: Maurício Meyer

Trata-se de uma doença altamente destrutiva causada pelo fungo Sclerotinia sclerotiorum, que ataca diversas culturas de importância socioeconômica para o Brasil, como algodão, soja, feijão, girassol e tomate, entre outras.

Uma das cepas conseguiu inibir em 100% a germinação de escleródios do patógeno (estruturas que desempenham papel importante na sobrevivência do fungo de uma safra para outra). Além disso, ambas mostraram aptidão para solubilizar fósforo inorgânico, um macronutriente de baixa disponibilidade em solos tropicais.

Quem é ele

O Trichoderma é um dos principais aliados da ciência no controle biológico de doenças agrícolas. Os produtos microbianos à base desse fungo apresentam características multifuncionais na proteção de plantas, como competição e parasitismo de patógenos, indução de resistência às doenças e estímulo ao crescimento, além de aumento da disponibilidade de nutrientes.

Esta é uma estratégia que tem ajudado produtores a reduzir o uso de fungicidas químicos contra o mofo-branco e de fertilizantes em diversas culturas, como soja e feijão, além do algodão, no Brasil e em outros países.

Diante da importância desse microrganismo para a agricultura mundial, cientistas investem em estudos de triagem para identificação de novas linhagens de Trichoderma com potencial para uso em programas de biocontrole. “Na pesquisa em questão, os resultados reforçaram a necessidade de selecionar a cepa de acordo com o patógeno-alvo desejado, levando em consideração a sua biologia e a epidemiologia no sistema de cultivo”, explica o pesquisador Wagner Bettiol, da Embrapa Meio Ambiente.

Avaliação

De acordo com Bettiol, diversas cepas de Trichoderma foram avaliadas preliminarmente a esse estudo, visando ao controle do mofo-branco em plantas de feijão, e essas duas foram as mais eficazes nos testes.

A cepa de Trichoderma asperelloides CMAA 1584 (BRM 065723) mostrou bom potencial para controlar o patógeno causador do mofo-branco em condições de laboratório.

Já a cepa de Trichoderma lentiforme CMAA 1585 (BRM 065775) demonstrou capacidade bioestimulante no crescimento de algodão, por solubilizar fosfato no solo e incrementar o desenvolvimento de raízes.

“Como as duas cepas possuem funções complementares, sugere-se o uso combinado delas visando ao manejo do mofo-branco e à promoção de crescimento de plantas de algodão”, afirma o analista Gabriel Mascarin, da Embrapa Meio Ambiente.

Essa pesquisa faz parte da tese de doutorado de Lucas Guedes Silva, defendida na Unesp, que gerou o artigo Dual functionality of Trichoderma: Biocontrol of Sclerotinia sclerotiorum and bioestimulant of cotton plants, publicado na revista Frontiers in Plant Science.

Participe do Nosso Canal no WhatsApp

Receba as principais atualizações e novidades do agronegócio brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Pesquisar

Últimas publicações

1

Milho paulista: valor da produção agropecuária cresce 26% em 2025

2

Indústria de bioinsumos amplia ações de controle de qualidade para sustentar crescimento do setor e promover maior eficiência no campo

3

Novo combo de uvas tintureiras reforça produção de sucos e vinhos brasileiros

4

Dicas para fazer uma horta doméstica no feriado

5

Aquishow Brasil 2026 volta a Uberlândia (MG) para fomentar a piscicultura no Triângulo Mineiro e região

Assine a Revista Campo & Negócios

Tenha acesso a conteúdos exclusivos e de alta qualidade sobre o agronegócio.

Publicações relacionadas

milho

Milho paulista: valor da produção agropecuária cresce 26% em 2025

Treinamentos presenciais, voltado a profissionais, contam com as inscrições abertas até o fim de fevereiro

Indústria de bioinsumos amplia ações de controle de qualidade para sustentar crescimento do setor e promover maior eficiência no campo

Fixação Biológica do Nitrogênio é pilar de sustentabilidade na produção de soja. Foto: Antonio Neto

Uso de bioinsumos eleva em mais de 8% a produtividade da soja no Paraná

Altas temperaturas (manchas vermelhas) no oceano Pacífico Equatorial, como observado entre 1 e 10 de junho de 2023, são características do El Niño. (Fonte: NOAA)

El Niño volta em 2026 e deve ser mais forte