Blackfoot leva a videira à morte

Publicado em 13 de abril de 2017 às 07h01

Última atualização em 13 de abril de 2017 às 07h01

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Gerarda Beatriz Pinto da Silva

Leise Inês Hecker

Engenheiras agrônomas, mestres e doutorandas em Fitotecnia do Departamento de Fitossanidade da Universidade Federal do Rio Grande do Sul

gerardabeatriz@gmail.com

Foto 01 ABlackfoot é o nome, em inglês, da doença que conhecemos no Brasil como o pé-preto da videira. Essa doença, juntamente com a doença de Petri, esca, eutipiose e escoriose, são mundialmente conhecidas como doenças do lenho da videira.

A doença ficou conhecida, portanto, como pé-preto, devido à coloração destas lesões, que variam de marrom a preto e aparecem nas raízes e no colo das plantas.A doença já foi relatada em todas as principais regiões vitivinícolas do mundo, e até pouco tempo era associada apenas ao gênero Cylindrocarpon, fungo saprófita naturalmente encontrado no solo.

Atualmente este gênero foi dividido em cinco diferentes espécies de fungos, que são bastante semelhantes morfologicamente e causam os mesmos sintomas nas plantas. No Brasil já se tem relato de quatro espécies encontradas nos parreirais da Serra Gaúcha e no Nordeste, sendo eles Campylocarpon, Ilyonectria, Dactylonectria e Cylindrocarpon.

Sintomas

Diversos gêneros de fungos são responsáveis por causarem doenças no tronco de videiras, sendo que os sintomas se apresentam de forma semelhante e são facilmente confundidos no campo. Os sintomas variam com o avanço da doença e, como seu desenvolvimento é lento, os primeiros sinais são percebidos apenas quando a planta já está comprometida, alguns anos após a infecção. A doença tem sido relatada dizimando, principalmente, vinhedos jovens com até dez anos de idade.

O pé-preto possui a capacidade de infectar raízes, seja por ferimentos ou por meio da coroa dos porta-enxertos. Os sintomas ocorrem nas raízes, principal local de infecção, e também podem ser observados na parte aérea, onde acarreta redução do vigor e do número de brotações, além de apresentar clorose foliar que evolui para o murchamento da parte aérea.

Na região do colo da planta ocorre um completo escurecimento interno, de coloração variando de marrom-escuro a preto. Após a infecção das raízes o fungo atinge os tecidos lignificados, ocorre necrose nas raízes e, com o avanço da doença, o fungo se instala na região do xilema, provocando a sua obstrução, levando à diminuição de absorção de água e minerais e, consequentemente, causando a morte da planta.

Foto 01 B

Condições para o ataque

Os fungos necrotróficos são responsáveis por causar o blackfoot, no entanto, eles podem ser encontrados habitando naturalmente o solo. Estes fungos ainda têm a capacidade de sobreviver mesmo em baixas concentrações de oxigênio. Por isso, o desenvolvimento desse patógeno ocorre principalmente nas áreas mais compactadas e em solos mal drenados.

O blackfoot ocorre principalmente nas videiras jovens e em vinhedos recém-implantados, pela facilidade com que o fungo penetra em tecidos mais jovens, assim instalando-se na planta. Mesmo estando presentes na maioria dos solos, esses microrganismos nem sempre agem como um patógeno, podendo ser encontrados associados a várias espécies de plantas, no entanto, sem causar danos às mesmas.

O blackfoot causa prejuízos diretos aos parreirais, por levar incialmente a um decréscimo na produção de uvas. Devido ao avanço da doença, ocorre a morte das plantas e, caso não seja manejado de forma correta, pode provocar a perda completa do parreiral. Esta doença compromete seriamente a longevidade dos vinhedos, visto que uma videira infectada sobrevive por poucos anos.

O uso do controle químico tem demostrado poucos resultadoscontra o blackfoot - Crédito Reginaldo Teodoro de Souza
O uso do controle químico tem demostrado poucos resultadoscontra o blackfoot – Crédito Reginaldo Teodoro de Souza

Controle

Atualmente, as alternativas para o controle do pé-preto são limitadas. Pelo fato de se tratar de um fungo de solo e pela falta de conhecimento que se tem sobre a doença, seus agentes causais e o ciclo de vida.

O uso do controle químico tem demostrado poucos resultados, seja a campo ou em testes laboratoriais. A percepção dos sinais da doença só é possível quando as videiras já estão seriamente comprometidas, dificultando o manejo preventivo, o que é agravado ainda mais pelo fato de o Brasil não possui registro para nenhum produto comercial no Ministério da Agricultura, seja químico ou biológico.

Sendo assim, o controle desta enfermidade se dá por algumas práticas de manejo com o intuito de reduzir os danos pela doença e pelo uso de produtos biológicos recomendados.

Os porta-enxertos

A utilização de porta-enxertos resistentes deveria ser a ferramenta mais eficaz para o controle da doença. No entanto, estudos conduzidos por diferentes instituições mostraram que os porta-enxertos testados não apresentaram uma boa tolerância ao ataque do patógeno.

Algumas técnicas podem ser empregadas para evitar a instalação de patógenos e diminuir ou minimizar seus danos. Deve-se optar sempre pela utilização de mudas sadias livres do patógeno, realizar drenagem na área e evitar a compactação do solo, além de nunca realizar o plantio de mudas em solos contaminados.

A limpeza constante das ferramentas utilizadas no manejo precisa ser uma atividade corriqueira, pois previne que o patógeno seja disseminado de áreas contaminadas para aquelas livres da doença.

Recomenda-se utilizar a rotação de cultura, tanto no viveiro quanto no vinhedo, proporcionar às mudas jovens um ambiente adequado na cova de plantio, adubar adequadamente, arrancar e queimar as plantas com sintomas, adicionar calcário mantendo o solo com pH adequado e evitar o contato direto de estruturas do patógeno com a nova planta.

Essa matéria completa você encontra na edição de abril 2017 da revista Campo & Negócios Grãos. Adquira já a sua para leitura integral.

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