Atualidades no manejo das pragas do pepino

As ações deletérias provocadas pelas espécies D. nitidalis e D. hyalinata caracterizam-se pelo broqueamento dos frutos, em função da formação de galerias na polpa, que compromete a comercialização do pepino, e também pela desfolha provocada pelo consumo foliar das lagartas.

Publicado em 5 de maio de 2022 às 10h03

Última atualização em 15 de maio de 2025 às 16h37

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Crédito Renato Pegoraro

Franscinely Aparecida de Assis
Doutora em Entomologia e professora do Curso de Agronomia – Centro Universitário de Goiatuba (UniCerrado)
franscinelyassis@unicerrado.edu.br
Vanessa Andaló
Doutora em Entomologia e professora do Curso de Agronomia – Universidade Federal de Uberlândia (UFU)
vanessaandalo@ufu.br

As ações deletérias provocadas pelas espécies D. nitidalis e D. hyalinata caracterizam-se pelo broqueamento dos frutos, em função da formação de galerias na polpa, que compromete a comercialização do pepino, e também pela desfolha provocada pelo consumo foliar das lagartas. As injúrias também podem ser observadas em ramos, que apresentam brotos e folhas murchas e secas, e em flores.
Dependendo da intensidade de infestação, as perdas podem chegar a 100% da produção. Elevadas densidades populacionais das brocas-das-cucurbitáceas são registradas nas épocas mais quentes do ano.


Como medidas de controle cultural, recomenda-se realizar o cultivo do pepino em ambiente protegido, como em estufas; utilizar cultivares de ciclo curto, visando promover assincronia fenológica; realizar isolamento dos talhões, bem como instalar cercas vivas nos cultivos; promover o policultivo; realizar rotação de culturas e a destruição de restos culturais, principalmente de frutos e flores caídos no chão e/ou atacados.
No controle biológico das brocas-das-cucurbitáceas, pode-se realizar pulverização com Bacillus thuringiensis subsp. aizawai ou com B. thuringiensis subsp. kurstaki a partir da formação dos frutos e antes das lagartas penetrarem nos mesmos.
É importante salientar que o produto só é eficiente para lagartas pequenas (1º ao 3º instares) e que as aplicações devem ser realizadas preferencialmente à tarde, em função da menor exposição ao sol e maior umidade relativa do ar.
Para o controle químico de D. nitidalis, têm-se os ingredientes ativos (grupos químicos) cloridrato de cartape (bis (tiocarbamato)), carbaril (metilcarbamato de naftila), etofenproxi (éter difenílico), malationa (organofosforado), indoxacarbe (oxadiazina), ciantraniliprole ou clorantraniliprole (antranilamida), bifentrina, lambda-cialotrina ou deltametrina (piretroide), lufenurom, novalurom ou teflubenzurom (benzoilureia), bem como as misturas cipermetrina (piretroide) + profenofós (organofosforado), lambda-cialotrina (piretroide) + tiametoxam (neonicotinoide), acetamiprido (neonicotinoide) + etofenproxi (éter difenílico), alfa-cipermetrina (piretroide) + teflubenzurom (benzoilureia) ou cipermetrina (piretroide) + profenofós (organofosforado) (Sistema de Agrotóxicos Fitossanitário – Agrofit/Ministério Da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, 2022). Já para D. hyalinata, atualmente não há defensivos agrícolas registrados.
A utilização de plantas de abobrinha italiana Cucurbita pepo, cutivar Caserta, serve como isca para broca-das-cucurbitáceas e também para vaquinhas, que serão apresentadas posteriormente.
Neste caso, a abobrinha pode ser usada como cultura intercalar com o pepino ou estabelecida na bordadura do cultivo. Assim, haverá aplicação localizada de inseticidas químicos ou biológicos, à base de B. thuringiensis subsp. aizawai ou B. thuringiensis subsp. kurstaki, e não em área total.

Broca-do-fruto

O ataque de H. zea em pepino promove perda da viabilidade comercial do fruto, uma vez que as lagartas se alimentam da polpa, broqueando esta cucurbitácea de fora para dentro.
Como medidas de controle recomendam-se o estabelecimento do plantio em cultivo protegido; policultivo; evitar o escalonamento do plantio; adotar irrigação por aspersão; rotação de culturas; eliminação de plantas voluntárias; destruição de restos de cultura e de frutos atacados.
O controle biológico aplicado pode ser efetuado mediante a liberação semanal do parasitoide de ovos Trichogramma pretiosum (Hymenoptera: Trichogrammatidae), que impedirá o surgimento de novas lagartas, bem como pulverizações com B. thuringiensis subsp. kurstaki, no intuito de eliminar lagartas pequenas antes de penetrarem nos frutos.
Por outro lado, as tesourinhas Doru luteipes (Dermaptera: Forficulidae) também auxiliam na redução de ovos e lagartas pequenas da praga em função da sua predação, contribuindo com o controle biológico natural. Inseticidas químicos, como os que atuam como reguladores de crescimento dos insetos, como o teflubenzurom (benzoilureia) (Agrofit/MAPA, 2022), também ajudam na redução da população da praga.

Lagarta-rosca

As injúrias provocadas por A. ipsilon caracterizam-se pelo corte rente ao solo das plantas novas, reduzindo o estande. A observação de plantas cortadas e mortas na altura do solo ao longo da fileira de cultivo representa uma maneira de realizar o monitoramento da praga, que é favorecida por períodos quentes e secos do ano, o que contribui negativamente para o aumento da densidade populacional e ataque das plantas.
O hábito noturno do inseto torna difícil a visualização da praga, que acaba sendo detectada em função das sérias injúrias deixadas nas plantas. Como ações de controle recomendam-se a aração profunda nos plantios de pepino que serão implantados, no intuito de expor lagartas e pupas à radiação solar e inimigos naturais; eliminação de plantas hospedeiras; elevar a densidade de semeadura/transplantio em áreas com histórico de redução de estande pelo ataque da lagarta-rosca; evitar o uso de cobertura morta, que possibilita abrigo e proteção das lagartas contra seus inimigos naturais; realizar a coleta manual das lagartas da superfície do solo em pequenos cultivos e promover a destruição de restos culturais.
Quanto ao controle químico, atualmente não há produtos fitossanitários registrados para o controle da lagarta-rosca em pepino.

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