Araucária pode ser extinta em 2070?

Araucária pode ser extinta em 2070?
Araucária pode ser extinta em 2070?

Publicado em 2 de dezembro de 2019 às 11h14

Última atualização em 2 de dezembro de 2019 às 11h14

Acompanhe tudo sobre Araucária, Mata Atlântica, Rastreabilidade, Semente, Sustentabilidade, Traça e muito mais!
Crédito: César Wegler Filho

Artigo publicado pela Universidade de Reading, no Reino Unido, revela que a espécie pode deixar de existir nos próximos anos devido à intensa exploração e às mudanças climáticas

Dos 20 milhões de hectares da extensão original da floresta com Araucárias, hoje restam apenas de 1 a 3%. Para o futuro, a expectativa de cientistas da Universidade de Reading, no Reino Unido, não é nada positiva.

Segundo estudo publicado este ano na Wiley Online Library, a araucária (Araucaria angustifolia) deve ser totalmente extinta até 2070, como resultado da intensa e predatória exploração madeireira e do manejo inadequado das sementes.

O cenário é agravado pelas mudanças climáticas, que interferem nesse e em outros ecossistemas. Para os cientistas, apenas intervenções direcionadas podem ajudar a garantir a sobrevivência da espécie na natureza.

Quem é ela

Componente importante da Mata Atlântica, a araucária ocorre predominantemente nos Estados do Sul do Brasil e em algumas regiões serranas do Sudeste. Conhecida como símbolo do Paraná, a árvore de grande porte pode atingir 50 metros de altura.

Atualmente, os poucos remanescentes da espécie estão localizados em pequenas e médias propriedades rurais, que asseguram aos agricultores uma importante fatia de renda por meio da extração do pinhão (semente da Araucária) e das folhas de erva-mate, que fazem parte do ecossistema da floresta com araucárias.

Araucária+

Como forma de conciliar a conservação de espécies e o desenvolvimento econômico, em 2013 foi criada a iniciativa Araucária+ por meio da parceria entre as fundações Grupo Boticário de Proteção à Natureza e CERTI. A proposta objetiva impulsionar a conservação da biodiversidade, reduzindo a tendência de desmatamento e degradação desse ecossistema por meio de um modelo de valorização da floresta com araucárias e de desenvolvimento sustentável das comunidades associadas.

Atualmente, o Araucária+ conta com mais de 50 organizações parceiras, entre empresas, institutos de Ciência e Tecnologia, investidores, poder público e cerca de 80 produtores articulados. Mais de 6,5 milhões de metros quadrados de floresta estão sendo conservados e monitorados pela iniciativa.

Também foi firmada a parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a restauração ecológica e estruturação da cadeia de restauração em regiões de remanescente, visando a proteção de 2,6 milhões de metros quadrados de floresta com araucárias.

Por meio da iniciativa, produtores locais são conectados a um mercado diferenciado, formado por empresas que adotam estratégias de inovação e sustentabilidade em seus produtos, demandando insumos de origem sustentável, com informação e rastreabilidade agregada.

Para acessar esse mercado, os agricultores devem adotar o padrão sustentável de produção, com análise das cadeias produtivas em que se identificam os principais impactos derivados da extração de produtos da floresta. Integrados, eles recebem orientação técnica e capacitação, além de um plano de melhorias direcionado para cada propriedade.

“Nós formamos uma rede de atores que estão envolvidos das mais variadas formas com as cadeias produtivas não-madeireiras desta floresta e que, por falta de incentivos ou conhecimento, acabam trabalhando de forma isolada. Ao conectarmos esses atores, potencializamos os impactos de suas iniciativas. Com isso, geramos renda e conservamos a Floresta com Araucárias”, destaca Guilherme Karam, coordenador de Negócios e Biodiversidade da Fundação Grupo Boticário.

Participe do Nosso Canal no WhatsApp

Receba as principais atualizações e novidades do agronegócio brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Pesquisar

Últimas publicações

1

Resultados da biotecnologia HB4® indicam ganhos de produtividade em condições de seca 

2

Trator da Série S6 da Valtra é destaque na Expointer

3

Mel do Vale do Paraíba recebe Indicação Geográfica

4

Açúcar: apesar de demanda resiliente, excesso de oferta limita a alta dos preços, avalia Hedgepoint

5

Porto de Vila do Conde movimenta 9,5 milhões de toneladas e lidera movimentação na Região Norte em 2025

Assine a Revista Campo & Negócios

Tenha acesso a conteúdos exclusivos e de alta qualidade sobre o agronegócio.

Publicações relacionadas

Área plantada do Projeto RECA nos sistemas agroflorestais

Projeto RECA: 40 anos de produção sustentável na Amazônia

Balsas de garimpo ilegal operando no Rio Madeira próximo a áreas protegidas

Garimpo ilegal no Rio Madeira se intensifica e ameaça áreas protegidas e comunidades

Fumaça causada por queimadas em Porto Velho durante período seco

Queimadas em Porto Velho agravam crise ambiental e ameaçam saúde da população

Foto 01 (Médio)

Jiffy Pellets: eficiência e produtividade no viveiro florestal