A combinação entre clima instável, degradação de pastagens e custos crescentes colocou as estratégias de alimentação de gado no centro das discussões técnicas deste ano. O assunto reacendeu no último mês, após a Associação Nacional de Criadores e Pesquisadores (ANCP) atualizar os indicadores zootécnicos de 2025: os números mostram que propriedades que dependem apenas do capim tiveram até 14% de redução no ganho de peso médio durante janelas de estiagem mais longas, intensificadas pelo El Niño.
Apesar de o capim ser mesmo a base da pecuária, confiar apenas nele é assumir uma variação nutricional que o produtor não controla, como explica José Loschi, CEO da SRX Holding’s, que lidera esse segmento com Master Nutrição. “Os dados mostram que, mesmo com bom manejo, a oscilação de proteína e energia do pasto ao longo do ano pode comprometer o ganho médio diário. Corrigir o que o capim não entrega em determinados períodos é, na prática, um excelente investimento”, afirma.
A oscilação da qualidade da forragem tem sido alvo crescente de estudos. De acordo com análises da Embrapa Gado de Corte, a proteína bruta do capim pode cair de 12% na época chuvosa para até 6% na seca, reduzindo drasticamente a capacidade do animal de converter pasto em ganho de peso. Esse fenômeno tende a ser mais crítico em regiões de pastagens antigas, com manejo irregular ou sobrecarga de lotação.
Além das questões nutricionais, o impacto econômico também pesa. Um levantamento do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostrou que sistemas que adotam suplementação estratégica durante a seca encurtam o ciclo de engorda em até 30 dias, reduzindo o custo por arroba produzida. Na prática, isso significa maior previsibilidade no planejamento e menor exposição a perdas causadas pela estacionalidade.
“O pasto é fundamental, mas a decisão sobre a suplementação precisa ser técnica e baseada em dados, não em intuição. Quem ajusta a nutrição conforme a oscilação da forragem mantém produtividade independente do clima”, finaliza José.
