Algas proporcionam tolerância ao estresse hídrico

Publicado em 22 de dezembro de 2014 às 07h00

Última atualização em 22 de dezembro de 2014 às 07h00

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Giancarlo Couto da Costa

Engenheiro agrônomo, consultor técnico, produtor rural e empresário

giancarlocouto@yahoo.com.br

 

Crédito Sérgio Sanderson
Crédito Sérgio Sanderson

Algas marinhas são classificadas como vegetais sem sistema vascular. Entretanto, suas células podem formar aglomerações, na forma de fios ou de lâminas finas. Encontram-se distribuídas por diferentes habitat: oceanos, corpos de água doce, solos, rochas, sobre a neve e superfície de vegetais; desde que disponham de luz e umidade suficientes.

No reino Plantae são encontradas as macroalgas, organismos pluricelulares eucariontes e autótrofos, que podem ser classificados em três grupos de acordo com a coloração. As principais características desses grupos são:

– Filo Chlorophyta. São descritas aproximadamente 10.000 espécies. É composto pelas algas verdes, extremamente abundantes nos ambientes aquáticos. Podem habitar águas doces ou salgadas, solos úmidos ou troncos.

– Filo Rhodophyta. São descritas aproximadamente 6.000 espécies. Composto pelas algas vermelhas, quase que exclusivamente pluricelulares e marinhas (99%) que vivem fixadas em substratos. A principal característica é a presença do pigmento ficoeritrina em suas células, responsável pela coloração avermelhada desses organismos.

– Â  Filo Phaeophyta. Composto pelas algas marrons, organismos pluricelulares predominantemente marinhos. As algas pardas são as maiores existentes, podendo atingir mais de 25 metros de comprimento. Nesses organismos são encontrados os pigmentos fucoxantina, carotenoides e substâncias de reserva, óleos e polissacarídeos (laminarana).

Estudos

No Brasil, muitos estudos vêm sendo realizados por diversas instituições de pesquisa, tendo como objeto de trabalho as algas marinhas. Estes estudos vêm gerando conhecimento científico em diversas áreas, entre elas sua aplicação na agricultura.

As algas podem ser usadas na agricultura na forma seca ou de extratos, sendo usadas como fertilizantes bioestimulantes e/ou fitoprotetores, e apresentam a capacidade de aumentar a resistência das plantas a doenças e até mesmo a outros estresses.

O mar, com certeza, é grande fornecedor de organismos úteis ao homem, porém, pouco estudados, entre eles destacando-se as algas marinhas. As macroalgas são organismos muito diversificados e de ocorrência frequente em ambientes marinhos.

Potencial

O potencial das algas em melhorar as condições do solo para o cultivo agrícola tem recebido mais atenção nas últimas décadas, propriedade que tem sido atribuída ao fato de que o solo fica revestido por partículas de polissacarídeos que estimulam o crescimento de bactérias e fungos saprófitas do solo, eliminando, assim, os microrganismos patogênicos.

Além disso, as algas melhoram a agregação do solo, minimizando a erosão e otimizando a aeração, aumentando a capacidade de retenção e de movimentação da água, desenvolvimento de raízes, além de fertilizá-lo.

A alga marinha A. nodosum, pertencente à divisão Phaeophyta, é encontrada nas águas frias e limpas do Atlântico Norte na Costa de Nova Scotia, Canadá. Também conhecida como alga marrom, atua como um verdadeiro adubo natural, sendo explorada comercialmente em uma enorme gama de produtos.

Benefícios da A. nodosum

O extrato dessa alga estimula o crescimento vegetal e sua composição é rica em macro e micronutrientes, carboidratos, aminoácidos e promotores de crescimento. Segundo Anasac (2006), as ações combinadas dessas moléculas e nutrientes produzem um amplo efeito estimulante que se expressa em melhor qualidade de frutos.

A aplicação do extrato de A. nodosum estimula processos fisiológicos da planta, como absorção de nutrientes e fotossíntese, devido às moléculas extraídas (elicitores) da alga. Plantas pulverizadas com produtos à base de A. nodosum podem sofrer um aumento da atividade da nitrato redutase, uma enzima do metabolismo do nitrogênio, estimulando o crescimento de plantas em condições adversas, principalmente em deficiência de nitrogênio.

Estas plantas marinhas são ricas em nutrientes e vitaminas, mas também contêm hormoÌ‚nios de crescimento e oligossacarídeos. O seu elevado teor de hidrocoloides também permite aÌ€s algas condicionarem propriedades do solo que permitem a liberação lenta de minerais e moléculas ativas e mantêm a umidade do solo de acordo com a necessidade das plantas.

Algas x estresse hídrico

A utilização de algas promove um maior desenvolvimento do sistema radicular das plantas e, como se sabe, a raiz é a “boca“ da planta. Sendo assim, quanto mais raiz, maior a capacidade de absorção de água e nutrientes.

Em condições de veranicos prolongados, uma planta com maior volume radicular suportará mais o stress hídrico.

 
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