Algas marinhas aumentam a produtividade da batata

Crédito Ana Maria Diniz

Publicado em 28 de outubro de 2015 às 07h00

Última atualização em 28 de outubro de 2015 às 07h00

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Nilva Teresinha Teixeira

Engenheira agrônoma, doutora em Solos e Nutrição de Plantas e professora do Curso de Engenharia Agronômica do Centro Regional Universitário de Espírito Santo do Pinhal (UNIPINHAL)

nilva@unipinhal.edu.br

Crédito Ana Maria Diniz
Crédito Ana Maria Diniz

As algas marinhas são organismos vegetais, unicelulares ou pluricelulares, que fazem fotossíntese. Nutrem-se dos elementos ativos do mar e contêm altíssimos níveis de sais minerais, dentre eles macro e micronutrientes de plantas. As algas são fontes de vitaminas, glicoproteínas, como o alginato, de aminoácidos, que podem funcionar como bioestimulantes vegetais e, ainda, de estimulantes naturais como: auxinas (hormônios do crescimento que governam a divisão celular), giberelina e citocininas.

São utilizadas como fertilizante na agricultura há vários séculos, com destaque para as regiões litorâneas do hemisfério Norte. Entretanto, somente nos anos 1950 passaram a ser comercializadas com o objetivo de melhorar a taxa de germinação de sementes, crescimento do sistema radicular, produção de flores, frutificação e indução de resistência a pragas e doenças, e estimular as respostas às condições de estresse, principalmente o hídrico, como fertilizante, na forma seca ou de extrato líquido, a resistência das plantas a doenças, ao estresse hídrico e geadas.

Na literatura há referências indicando as espécies de algas marinhas Fucus spp., Laminaria spp., Sargassum spp. e Turbinaria spp., como bioestimulantes na agricultura.

Os extratos de algas marinhas aumentam a produtividade da batata - Crédito Miriam Lins
Os extratos de algas marinhas aumentam a produtividade da batata – Crédito Miriam Lins

Fonte nutricional

Extratos de algas marinhas, se empregados nas lavouras, podem funcionar como fonte de nutrientes. Entretanto, outros aspectos precisam ser abordados, como o fato de tais produtos apresentarem riqueza em auxinas, giberelina e citocininas naturais.

Assim, a introdução deles no processo promove o estímulo da divisão celular, o que favorece a formação das raízes, propiciando, assim, o melhor aproveitamento da água e dos nutrientes. Ainda, tem que ser lembrado que os compostos presentes nos extratos de algas estimulam a formação da clorofila e, por consequência, a própria fotossíntese, que é a fonte de toda a estrutura da planta.

A partir dos açúcares formados na fotossíntese se originam todos os demais componentes das plantas (proteínas, óleos, etc.). Também, substâncias presentes nas algas marinhas beneficiam o Ciclo de Krebs, que é o centro do metabolismo vegetal.

Deve ser enfatizado que as substâncias presentes nas algas podem complexar os nutrientes em uma formulação de fertilizantes, o que favorece o aproveitamento dos nutrientes, assim apresentados.

Força vegetal

O emprego dos extratos de algas marinhas no sistema produtivo pode propiciar a produção de fitoalexinas (indutoras de resistência das plantas às doenças e pragas), fortalecendo os mecanismos de resistência das plantas.

As fitoalexinas são fontes de antioxidantes, substâncias produzidas a partir do metabolismo secundário das algas, que estimulam a proteção natural dos vegetais contra pragas e doenças e favorecem a vida microbiológica do solo. Tornam as plantas menos vulneráveis às variáveis abióticas, como temperatura, raios ultravioletas, salinidade, seca, etc.

Em relação ao efeito indutor de resistência, relatos de literatura permitem concluir que extratos de algas reduzem o desenvolvimento de fungos fitopatogênicos, o que desfavorece ataques importantes de doenças causadas por tais organismos. Tal fato pode ser explicado por:

ü Tais extratos são abundantes em compostos elicitores;

ü Apresentam atividade direta contra fungos e bactérias, inibindo o desenvolvimento de micélios e a multiplicação de bactérias;

ü O emprego dos referidos produtos aumenta a presença de antagonistas no solo e, ainda, estimula o crescimento das plantas.

Contra patógenos

Sabe-se que tanto as algas vermelhas como as marrons contêm elicitores. Como exemplo pode-se citar a gama-carragenana, um polissacarídeo sulfatado encontrado na parede celular de algas marinhas vermelhas que induz acúmulo de ácido salicílico e, por sua vez, desempenha papel central na defesa das plantas contra o ataque de microrganismos.

O ácido salicílico pode ser considerado um mensageiro que ativa a resistência contra patógenos incluindo a síntese de proteínas relacionadas com a destruição dos agentes estranhos. Um polímero linear de β-1,3-glucana, chamado de laminarana, extraído e purificado da alga marrom Laminaria digitata, também estimula a formação de ácido salicílico.

Ainda, derivados de Fucanas sulfatadas, componentes estruturais de paredes celulares de algas marinhas marrons, têm atividade elicitora, estimulando a formação da fitoalexina escopoletina.

Em relação aos extratos de algas Ascophyllum nodosum, estudos bioquímicos com plantas tratadas com tais produtos mostram aumento da atividade de peroxidase e de síntese de fitoalexinas, o que promove aumento da resistência das plantas a fungos e bactérias.

Essa matéria completa você encontra na edição de outubro  da revista Campo & Negócios Hortifrúti. Adquira já a sua para leitura integral.

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