Agrocinco e Embrapa: parceria impulsiona inovação e produtividade no campo

Aliança estratégica entre pesquisa pública e iniciativa privada resulta em cultivares de cebola, melão, tomate e alface mais produtivas, adaptadas ao clima brasileiro e alinhadas às demandas do mercado.
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A parceria entre a Agrocinco e a Embrapa vem rendendo bons frutos para a horticultura nacional. A união entre pesquisa científica, melhoramento genético e estratégia comercial tem permitido o lançamento de cultivares mais produtivas, estáveis e adaptadas às condições brasileiras, ampliando a competitividade dos produtores e fortalecendo diferentes cadeias produtivas.

Entre os destaques dessa cooperação estão soluções em cebola, melão, tomate e alface, desenvolvidas para atender desde sistemas altamente tecnificados até regiões com condições climáticas desafiadoras.

BRS Belatriz 239: cebola adaptada ao calor e à umidade

O híbrido de cebola BRS Belatriz 239 foi desenvolvido para plantio nas condições de primavera e verão, com foco nas principais regiões produtoras do Brasil. Voltada ao segmento de cebolas amarelas precoces para consumo fresco, a cultivar se diferencia por aliar estabilidade produtiva e ampla adaptabilidade a ambientes de dias longos, quentes e úmidos, comuns nas regiões centro-oeste e sudeste.

A cultivar apresenta alta produtividade de bulbos comerciais, com excelente padronização, concentrando a produção nas classes 3 e 4. Também se destaca pela uniformidade de maturação e colheita, característica essencial para a eficiência operacional no campo.

Outro diferencial está na resistência e tolerância a doenças e pragas, incluindo resistência à queima foliar por Xanthomonas, à mancha púrpura e à antracnose, além de tolerância ao nematoide-das-galhas e resistência moderada à raiz rosada.

A BRS Belatriz 239 ainda apresenta resistência à bulbificação precoce sob altas temperaturas, um desafio comum no cultivo de verão.

Indicada para cultivo no Planalto Central (DF e Goiás) e nas regiões de Campinas e macro-metropolitana paulista, a cultivar se adapta a latitudes entre 13° e 23° e altitudes de 700 a 1.200 metros.

O ciclo é precoce, com colheita entre 120 e 130 dias, e o plantio recomendado ocorre de meados de novembro ao final de janeiro. Os bulbos apresentam teor médio de matéria seca de 10% e pungência média a alta, além de boa conservação pós-colheita.

BRS Anton: melão com alto potencial produtivo e qualidade superior

Outro resultado expressivo da parceria é o melão híbrido BRS Anton, desenvolvido pela Embrapa Hortaliças em conjunto com a Agrocinco. O material vem se destacando pelo elevado potencial produtivo e pela excelente qualidade dos frutos.

Em áreas de produtores no Vale do São Francisco, o BRS Anton já alcançou produtividade de 36,85 toneladas por hectare, superando com folga a média nacional de 25 t/ha.

Segundo Luís Galhardo, diretor comercial da Agrocinco, a expectativa é que, com maior familiaridade dos produtores com o híbrido, a produtividade ultrapasse as 40 t/ha.

Além do rendimento, o BRS Anton apresenta frutos com excelente padrão de tamanho, cor e rugosidade de casca, mantendo boa qualidade mesmo após o transporte para diferentes mercados consumidores do País.

Diante desses resultados, a Agrocinco planeja ampliar o cultivo do híbrido para estados como Rio Grande do Norte, Ceará, Tocantins e Oeste da Bahia.

Desenvolvimento genético focado nas condições brasileiras

O BRS Anton pertence ao grupo de melões amarelos e foi desenvolvido especificamente para as condições brasileiras. Ainda na fase de validação em áreas comerciais, o híbrido já demonstrava produtividade acima da média nacional, com resultados de 33 t/ha em Petrolina (PE) e 34 t/ha em Porangatu (GO).

O material é considerado precoce, com ciclo de aproximadamente 64 dias no Vale do São Francisco, apresenta frutos doces, com teor de sólidos solúveis de 13° Brix, e alta durabilidade pós-colheita.

A maior espessura e rugosidade da casca contribuem para reduzir danos durante o transporte, enquanto a resistência às raças 1 e 2 do fungo do oídio reforça sua adaptação às principais regiões produtoras do País.

Portfólio robusto em tomate: produtividade e resistência

A parceria entre Embrapa Hortaliças e Agrocinco também se destaca no desenvolvimento de híbridos de tomate. Entre eles está o BRS Nagai, um tomateiro do tipo saladete indeterminado, com frutos alongados e alta produtividade.

O portfólio inclui ainda os híbridos BRS Laterrot, BRS Imigrante, BRS Iracema e BRS Zamir, cada um com características específicas para atender diferentes nichos de mercado.

O BRS Laterrot é um tomate longa vida, altamente produtivo e com ótimo enfolhamento, enquanto o BRS Imigrante, do tipo salada, apresenta crescimento semideterminado e excelente cobertura foliar.

Já o BRS Iracema é do tipo cereja, e o BRS Zamir se destaca como grape multifloral, com formação de pencas.

Esses materiais apresentam elevados níveis de tolerância a doenças como verticilose, fusariose, cladosporiose, nematoides e viroses, além de bom desempenho tanto em campo aberto quanto em ambiente protegido.

Alface também entra no pacote de inovação

Além das solanáceas e cucurbitáceas, a parceria rendeu avanços também na alfacicultura. As cultivares BRS Leila e BRS Mediterrânea, desenvolvidas pela Embrapa Hortaliças em conjunto com a Agrocinco, ampliam as opções para produtores que buscam vigor, produtividade e padrão comercial.

A BRS Leila é uma alface crespa de grande porte, folhas verdes e alto vigor. Já a BRS Mediterrânea apresenta porte mais ereto e folhas de coloração verde-oliva, atendendo diferentes preferências de mercado e sistemas de produção.

Pesquisa e parceria como motores da competitividade

Os resultados obtidos com cebola, melão, tomate e alface mostram que a parceria entre a Agrocinco e a Embrapa vai além do desenvolvimento de novas cultivares. Trata-se de uma estratégia que integra ciência, inovação e mercado, entregando ao produtor soluções adaptadas, produtivas e alinhadas às exigências de qualidade e sustentabilidade do agronegócio brasileiro.

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