Agentes saneantes na agricultura

Tratam-se de compostos antimicrobianos, agentes ativos catiônicos fortes.

Publicado em 18 de dezembro de 2023 às 12h00

Última atualização em 18 de dezembro de 2023 às 12h00

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Muriel Cicatti Emanoeli Soares
Engenheira agrônoma e Analista de Pesquisa e Desenvolvimento – Technes

A Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária, por meio da Resolução RDC nº 59/2010, define saneante como “substância ou preparação destinada à aplicação em objetos, tecidos, superfícies inanimadas e ambientes”.

A finalidade é a limpeza geral e afins, desinfecção, esterilização, desinfestação, sanitização, desodorização e odorização, além de desinfecção de água para o consumo humano, hortifrutícolas e piscinas.

Para ter uma ação desinfetante, o produto deve estar relacionado a um ou mais aspectos, como: amplo espectro de ação antimicrobiana; inativar rapidamente os microrganismos; não ser irritante para a pele e mucosas; possuir baixa toxicidade; manter sua atividade mesmo sofrendo pequenas diluições; ser um bom agente umectante; de fácil uso; inodoro ou ter odor agradável; de baixo custo; ser estável quando concentrado ou diluído, entre outros.

Quem são eles

Um grupo de ativos que pode se encaixar nas caraterísticas acima pertence à família dos quaternários de amônio.

Tratam-se de compostos antimicrobianos, agentes ativos catiônicos fortes que possuem atividade desinfetante poderosa para diversos grupos de microrganismos, além de inúmeros outros usos relacionados, devido às suas largas propriedades de espectro, de eficácia e de caráter físico/químico.

Eles também aumentam a capacidade de limpeza de formulações de detergentes.

Entendendo a classificação dos quaternários

Os quaternários de amônio recebem diversas classificações (atualmente, são divididos em 1ª, 2ª, 3ª, 4ª e 5ª gerações). Essas nomenclaturas da geração de quaternários podem variar dependendo do fabricante.

Há de se considerar, porém, que, independentemente da nomenclatura, é cientificamente comprovada a evolução da eficiência desses produtos ao longo das gerações.

O cloreto de benzalcônio foi o primeiro composto derivado de quaternário de amônio a ser introduzido no mercado (1ª geração). Desde o nascimento do primeiro sal quaternário em 1916, pesquisas levaram ao desenvolvimento de quaternários mais modernos, com melhor performance biocida frente à matéria orgânica e água dura.

Os compostos de quaternário de amônio denominados segunda geração (cloreto etilbenzil) e terceira geração (primeira e segunda geração mistas) são os compostos que permanecem mais ativos na presença de água dura. Sua ação bactericida é atribuída à inativação de enzimas, desnaturação de proteínas essenciais e ruptura da membrana celular.

A quarta geração de quaternários é conhecida como “quaternários de cadeia linear”, sem o anel benzeno. Estes incluem cloreto de dimetil amônio, cloreto de dimetil dioctil amônio, cloreto de didecil dimetil amónio – DDAC, cada um isolado.

Quando a cadeia linear (DDAC) de quaternário de amônio foi descoberta, percebeu-se que a mesma possuía um poder bactericida superior aos quaternários convencionais anteriores, além de apresentar baixa formação de espuma, ter alta tolerância às cargas de proteínas e água dura e melhor tolerância a misturas com tensoativos aniônicos.

Eles são indicados para desinfecção na indústria alimentícia e de bebidas, dada a sua baixa toxicidade.

Evolução

Porém, com os custos mais elevados para a fabricação dessa molécula, surgiu a opção de realizar um blend com os quaternários convencionais, de forma a reduzir os custos e tornar viável a utilização em aplicações com menor rentabilidade (5ª geração). E os resultados foram muito melhores ao próprio quaternário com cadeia linear, quando utilizado isoladamente.

Porém, não é uma regra. Nem sempre um desinfetante com um quaternário de quinta geração é melhor do que um de terceira geração. Certamente, isto depende de concentração e da formulação como um todo, já que outros componentes de um desinfetante podem também ter um impacto no desempenho do produto, devido ao sinergismo entre eles.

Utilização na agricultura

O cloreto de benzalcônio já vem sendo utilizado na agricultura há décadas, com foco na lavagem de caixas, bandejas de mudas, ferramentas e diversos materiais utilizados em podas e amarração.

Com o advento da molécula do DDAC, com efeitos em baixas doses e baixo efeito residual, sua utilização vem crescendo a campo, utilizado em parceria com fungicidas e bactericidas, diminuindo a germinação dos esporos e auxiliando na limpeza dos microrganismos que estão em superfície.

Modo de ação dos quaternários

Estudos concluíram que uma característica comum dos quaternários é sua capacidade de causar extravasamento do conteúdo celular, principalmente devido à sua adsorção à membrana em grandes quantidades, induzindo o vazamento imediato do conteúdo e levando a célula à morte.

Além disso, também podem atuar internamente na planta pela indução de mecanismos de defesa, como o aumento do teor de compostos fenólicos, além da síntese de â-1,3-glucanase e quitinases no tecido vegetal, conferindo uma proteção local, não evidenciando a proteção sistêmica.

Atualmente, não se espera que um número grande de novas moléculas seja “criado” ou “descoberto”. Diante disso, a utilização de substâncias que possam complementar e potencializar a ação das tecnologias já existentes no mercado é de extrema importância para manter a eficiência do controle, diminuir os problemas de resistência, sem residual, com segurança na manipulação, garantindo bons resultados aos produtores.

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