*Por Luís Schiavo, CEO da Naval Fertilizantes
Quando se fala em agronegócio, a imagem mais comum ainda está associada ao alimento que chega à mesa. Mas o agro vai muito além da alimentação. Ele está presente, de forma quase invisível, em objetos, hábitos e setores que fazem parte da rotina urbana, dos cosméticos à indústria têxtil, da energia que move veículos aos materiais usados na construção civil.
Óleos vegetais e extratos naturais são amplamente utilizados na formulação de produtos de higiene pessoal e farmacêuticos. Algodão, fibras naturais e até tecidos tecnológicos têm origem no campo. Já os biocombustíveis, como o etanol e o biodiesel, são exemplos claros de como a produção agrícola se conecta diretamente à mobilidade, à transição energética e à redução das emissões de carbono.
Essa integração entre campo e cidade não é casual. Ela reflete um movimento estrutural de diversificação do uso das matérias-primas agrícolas, impulsionado por demandas globais por sustentabilidade, eficiência produtiva e segurança no abastecimento. À medida que a população cresce e os centros urbanos se expandem, aumenta também a necessidade de cadeias produtivas mais resilientes e integradas.
Nesse contexto, os fertilizantes exercem um papel fundamental, embora pouco percebido pelo consumidor final. São eles que viabilizam a produtividade agrícola necessária para sustentar não apenas a produção de alimentos, mas também de insumos essenciais para diferentes segmentos da indústria. Garantir o equilíbrio do solo e a eficiência das lavouras é um fator-chave para manter a estabilidade dessa cadeia que conecta o agro a múltiplos setores da economia.
Mais do que insumos agrícolas, os fertilizantes são instrumentos estratégicos para a segurança produtiva e ambiental do agronegócio. Ao fornecer nutrientes essenciais como nitrogênio, fósforo e potássio, eles garantem o desenvolvimento adequado das plantas, elevam a eficiência do uso do solo e reduzem a necessidade de abertura de novas áreas agrícolas. Quando aplicados com manejo técnico e responsável, seguindo critérios de dose, momento e local adequados, eles contribuem para uma produção mais sustentável, com menor desperdício de recursos naturais e maior previsibilidade de oferta para toda a cadeia que depende do campo, da alimentação à indústria.
O futuro aponta para uma presença ainda mais estratégica do agro no cotidiano das pessoas. Tendências como a bioeconomia, o avanço dos biocombustíveis e a busca por matérias-primas renováveis indicam que o campo continuará sendo uma base essencial para soluções industriais e ambientais. Ao mesmo tempo, cresce a responsabilidade de produzir mais, com menor impacto e maior eficiência.
Reconhecer o agro como parte integrante da vida moderna e não como um setor distante da realidade urbana, é fundamental para compreender os desafios e as oportunidades que se desenham. Afinal, muito do que consumimos, usamos e movimenta a economia começa longe dos centros urbanos, mas está presente, silenciosamente, em cada detalhe do nosso dia a dia.
