Ácidos húmicos contribuem para crescimento radicular do pêssego

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Publicado em 11 de setembro de 2015 às 07h00

Última atualização em 11 de setembro de 2015 às 07h00

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Nilva Teresinha Teixeira

Engenheira agrônoma, doutora em Solos e Nutrição de Plantas e professora do Curso de Engenharia Agronômica do Centro Regional Universitário de Espírito Santo do Pinhal (UNIPINHAL)

nilva@unipinhal.edu.br

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Para se compreender os benefícios dos insumos contendo ácidos húmicos e fúlvicos nos cultivos, como o de pêssegos, torna-se necessário definir o que são tais ácidos e como eles agem.

Ácidos húmicos e fúlvicos são originados da decomposição química e biológica de todo e qualquer sedimento encontrado no solo. Trata-se de componentes presentes na fração mais estável da matéria orgânica do solo, o húmus, em cuja composição encontramos o que se denomina substâncias húmicas.

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As substâncias húmicas propriamente ditas representam cerca de 85 a 90% do carbono orgânico e apresentam três diferentes frações:

  • Ø Humina: insolúvel em meio alcalino ou em meio ácido diluído. Possui reduzida capacidade de reação.
  • Ø Ácidos húmicos: fração escura solúvel em meio alcalino e insolúvel em meio ácido. Trata-se de materiais muito complexos, formados por estruturas com grupos carboxílicos, fenólicos, amínicos, entre outros, com elevado peso molecular e grande capacidade de troca catiônica. Podem se ligar aos elementos metálicos precipitando-os, (como por exemplo o cálcio, magnésio ou ferro) ou, então, formando com os metálicos monovalentes de dispersão coloidal (como o que ocorre com o sódio ou potássio).
  • Ø Ácido fúlvico: fração colorida solúvel em meio alcalino ou em meio ácido diluído. Na estrutura apresenta alto conteúdo de grupos carboxílicos. Combina-se com óxidos de Fe, Al, argilas e outros compostos orgânicos, e possuem propriedades redutoras, formando complexos estáveis com Fe, Cu, Ca e Mg.

Saiba mais

Os ácidos húmicos e fúlvicos representam as frações bioativas e reativas das substâncias húmicas e podem influenciar as propriedades físicas, químicas e biológicas do solo.

Sabe-se que o plantio em solos com alta densidade aparente (relação entre a massa de amostra de solo seco a 110º C e o seu volume) tem a germinação das sementes, o enraizamento das plântulas e o pegamento das mudas muito prejudicado.

Tais solos têm a porosidade reduzida, o que não permite boa infiltração e distribuição de água. As substâncias húmicas podem auxiliar, pois agem como agentes cimentantes e podem promover a formação de agregados, o que melhora a estrutura do solo.

As substâncias húmicas agem como coloides, formando, assim, complexos estáveis com a fração inorgânica do solo, o que favorece sua estruturação. Em solos argilosos tal ação pode beneficiar a condução da lavoura.

Há, ainda, resultados que dão conta de que a adição de ácidos húmicos e fúlvicos à areia de rio pode propiciar até 80% de agregação das partículas, favorecendo a retenção de água e de nutrientes nessa condição.

Então, o cultivo em solos arenosos pode se beneficiar do emprego das referidas substâncias. Em relação à retenção de água, sabe-se que as substâncias húmicas puras apresentam capacidade excepcional de reter água: ou seja, de seis a oito vezes o seu peso.

 Os ácidos húmicos favorecem o enraizamento das plantas Créditos Pixabay
Os ácidos húmicos favorecem o enraizamento das plantas Créditos Pixabay

Outras vantagens

As substâncias húmicas também beneficiam a Capacidade de Troca Catiônica (CTC) e a Capacidade de Troca Aniônica (CTA), o que aumenta a retenção de íons e sua disponibilização às plantas. Esta característica define a ação tampão de tais materiais nos solos.

Outro aspecto a se destacar é que os ácidos em questão podem formar complexos relativamente estáveis com cátions polivalentes, como Zn²+, Cu²+, Mn²+ e Fe²+, aumentando sua disponibilidade e absorção pelas plantas.

Nas plantas, os ácidos húmicos e fúlvicos estimulam a atividade e síntese das enzimas H+-ATPases da membrana plasmática, num efeito semelhante ao auxínico, o que resulta melhoria na translocação de íons e ativação dos transportadores responsáveis pela entrada dos íons na célula, o que estimula a absorção iônica.

Ainda, acidificando o meio celular propiciam promoção do aumento da plasticidade da parede celular, fator fundamental para o processo de crescimento e alongamento da célula vegetal, favorecendo o enraizamento das plantas.

Outros aspectos da ação de tais ácidos nas plantas são relevantes, refletindo-se na parte aérea vegetal: estimulam a síntese das clorofilas, dos carotenoides e de enzimas ligadas à respiração vegetal e ao processo fotossintético. Todos esses fatores resultam em incrementos da biomassa vegetal e da produção.

Essa matéria completa você encontra na edição de agosto da revista Campo & Negócios Hortifrúti. Adquira a sua para leitura integral.

 

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