Indígenas têm duas vezes mais chances de morrer em incêndios florestais

Povos da América do Sul sofrem com exposição à fumaça de queimadas; áreas do Brasil, Peru e Bolívia têm mortalidade até 6 vezes maior que a média.
indigenous tribe of Bahia

Publicado em 4 de maio de 2023 às 16h34

Última atualização em 4 de maio de 2023 às 16h34

Acompanhe tudo sobre Amazônia, Florestas, Incêndio, Indígenas e muito mais!
Foto Depositphotos

Novo estudo, publicado na revista Environmental Research Health da IOP Publishing, revela que indígenas da bacia amazônica têm duas vezes mais chances de morrer prematuramente em decorrência da exposição à fumaça emitida por incêndios florestais do que a população sul-americana. Regiões no Peru, Bolívia e Brasil são apontadas como focos de exposição à fumaça, com taxas de mortalidade 6 vezes mais altas que a da população em geral.

“Estudos como esse ressaltam a importância da gente olhar para a questão do uso do fogo na Amazônia como uma questão de saúde pública, o que nem é pensado atualmente. Estamos perdendo vidas por causa dos aumentos das queimadas e isso só tende a piorar nesse cenário acirrado pelas mudanças climáticas. Precisamos olhar para o uso do fogo e, realmente, reforçar políticas que controlem esse uso”, afirma a diretora de Ciência do IPAM e coautora do estudo, Ane Alencar.

Os resultados mostram que a fumaça dos incêndios florestais na América do Sul é responsável por aproximadamente 12.000 mortes entre 2014 e 2019, com cerca de 230 delas ocorrendo em territórios indígenas. A exposição a partículas de fumaça nocivas é muito maior durante a estação seca da Amazônia, entre agosto e novembro, quando incêndios florestais mais que dobram a concentração de compostos químicos em suspensão na atmosfera.
 

Principal autora do estudo, Eimy Bonilla afirma: “embora os territórios indígenas sejam responsáveis ​​por poucos incêndios na bacia amazônica, nossa pesquisa mostra que as pessoas que vivem nesses territórios sofrem riscos de saúde significativamente maiores devido às partículas de fumaça, em comparação com a população em geral.”
 

Pesquisas anteriores sobre o tema se concentram nos impactos de saúde dos países em escalas maiores ou dependem fortemente de dados de internação hospitalar. Isso não destaca com precisão o impacto sobre as pessoas que vivem em territórios indígenas, localizadas mais próximas dos incêndios, expostas a partículas de fumaça por períodos mais longos e que, muitas vezes, não têm acesso a cuidados médicos adequados, materiais de higiene ou água potável.
 

O novo estudo, liderado por pesquisadores da Universidade de Harvard, usa uma combinação de modelos de transporte químico atmosférico e uma função de resposta de concentração atualizada para estimar a taxa de mortalidade de indígenas expostos a altas concentrações de MP 2.5, nome dado às partículas microscópicas emitidas pelas queimadas.
 

Impacto das queimadas
 

Nos últimos anos, a taxa de queima de biomassa na América do Sul aumentou, impulsionada pela degradação florestal causada pela atividade humana (como mineração, extração de madeira e uso de terras agrícolas) e variações nas condições climáticas.
 

Esses incêndios florestais liberam minúsculas partículas chamadas MP2.5, conhecidas por contribuir significativamente para as concentrações de aerossóis e serem nocivas à saúde humana. A exposição a esse material pode resultar em sintomas fisiológicos como doenças cardiovasculares e respiratórias e percorrem grandes distâncias, afetando a qualidade do ar em vários países da América do Sul.
  “Esses incêndios têm um impacto desproporcional sobre as pessoas que vivem em territórios indígenas. Com tempos de exposição mais longos e acesso limitado a atendimento médico, populações indígenas correm um risco muito maior de morrer em incêndios”, afirma Bonilla. “Recomendamos que os governos forneçam assistência financeira para monitorar a qualidade do ar nessas regiões, fornecendo sensores de baixo custo para estudar o impacto da exposição de curto e longo prazo à fumaça.”

Participe do Nosso Canal no WhatsApp

Receba as principais atualizações e novidades do agronegócio brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Pesquisar

Últimas publicações

1

FMC leva soluções inovadoras para manejo de pragas e doenças na Expocitros 2026

2

APAS Show 2026 destaca inovação, eficiência e valor agregado no setor de alimentos frescos

3

Cerrado concentra 55% do desmatamento do Brasil em 2025, aponta relatório do MapBiomas

4

Corrida Rural FertiSystem J2M une esporte, agro e inclusão em Passo Fundo

5

Novas espécies de minhocas são descobertas em sistemas integrados de produção em São Paulo

Assine a Revista Campo & Negócios

Tenha acesso a conteúdos exclusivos e de alta qualidade sobre o agronegócio.

Publicações relacionadas

imagem_2026-05-26_104842941

Exclusiv Evo: nova geração de bionematicida chega ao mercado para elevar o controle de nematoides na soja e milho

Trator AGT-20 da Agritech exposto na Expocafé 2026 para mecanização da cafeicultura em áreas adensadas.

Agritech aposta na mecanização da cafeicultura e lança trator na Expocafé 2026

Movimentação de visitantes e expositores durante a AgroBrasília 2026, com destaque para máquinas agrícolas, tecnologia e inovação no agronegócio.

AgroBrasília 2026 se consolida como espaço de conhecimento, inovação e geração de resultados para o agro

Pesquisadores da Embrapa apresentam novas cultivares de soja e maracujá durante a AgroBrasília 2026, com foco em produtividade e resistência a doenças.

Embrapa lança nova cultivar de soja e apresenta novas opções para produtores do Cerrado