Produtores de Congonhas do Norte retomam produção de uvas

Produtores de Congonhas do Norte retomam produção de uvas?
Produtores de Congonhas do Norte retomam produção de uvas?

Publicado em 20 de novembro de 2019 às 10h25

Última atualização em 15 de maio de 2025 às 15h43

Acompanhe tudo sobre Alambique, Café, Colheita, Feijão, Irrigação, Oliveira, Plantio, Solo e muito mais!

Atividade começou na região há mais de 100 anos e é retomada com apoio da Emater-MG

Congonhas do Norte é um município localizado na região central de Minas Gerais, a cerca de 200 quilômetros de Belo Horizonte. No campo, as principais atividades desenvolvidas são a bovinocultura de leite e corte, a produção de cachaça, hortaliças, milho e feijão. Porém, uma fruta que já foi muito cultivada há mais de um século promete ocupar novamente as terras locais: a uva.

Segundo relatos, por volta de 1850, foram feitos os primeiros plantios de uva por uma família que passou a produzir vinhos. Em pouco tempo, outros produtores aderiram à ideia. O cultivo era feito em grandes áreas nos quintais das casas e fazendas. A produção, beneficiada pelo solo, clima e altitudes favoráveis, teve seu auge a partir de 1940. Cerca de 30 anos depois, começou o declínio da atividade. A falta de renovação das plantas provocou o desgaste das parreiras e muitas lavouras foram ocupadas por construções.

Porém, agricultores das famílias que antigamente produziam uvas, e que ainda têm videiras remanescentes nos quintais, se interessaram em voltar a produzir a fruta, como alternativa de renda. Para garantir o plantio com técnicas adequadas e eficientes, procuraram a Emater-MG, empresa vinculada à Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa).

“Implantamos três unidades demonstrativas em propriedades do município. A primeira área foi plantada no ano passado, com 250 mudas e está prestes a iniciar a colheita. As outras duas unidades foram formadas recentemente e começam a produzir no ano que vem. No total foram plantadas 550 mudas. A formação destas unidades demonstrativas está despertando o interesse de mais produtores da região”, explica o técnico da Emater-MG no município, Valdecir de Oliveira Cirino.

As variedades plantadas são a Niágara Rosa, a Niágara Bordô e a Isabel Precoce. Estas uvas foram escolhidas pela rusticidade e boa tolerância a doenças. Os agricultores também estão investindo em projetos de irrigação para as lavouras e a produção esperada é de 10 a 12 toneladas por hectare na primeira safra e de 15 a 20 toneladas nas safras seguintes. Para o ano que vem, a expectativa é que sejam implantadas três novas unidades em outras propriedades de Congonhas do Norte.

Produção de vinhos

O técnico da Emater-MG explica que a ideia é vender as uvas para o consumo in natura e também para produção artesanal de sucos e vinhos. “Além de Congonhas do Norte, a fruta pode ser comercializada nas feiras dos municípios de Conceição do Mato Dentro e de Diamantina. Outra possibilidade é a comercialização por agricultores familiares, que investirem na produção de uva, pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae)”, afirma.

A produtora Maria Saldanha é uma das responsáveis pela retomada da produção de uvas em Congonhas do Norte. Ela conta que a atividade era desenvolvida pelos avós e pelos pais há mais de 60 anos e que, na propriedade da família, ainda se encontram algumas videiras antigas, que estão sendo recuperadas.

Depois de se aposentar, Maria Saldanha voltou a morar no município. Com a intenção de fazer um novo plantio de uvas, com as variedades adequadas, procurou a Emater-MG e está entusiasmada com os pés carregados. “Os pés estão lindos. Cheios de cachos”, comemora.

De acordo com a produtora, no sítio onde vive já existe produção de café, milho e frutas para o consumo familiar, além de um pequeno rebanho leiteiro. Ela também tem um alambique para produção de cachaça artesanal, mas quer ampliar a produção de bebidas. “Vamos usar a estrutura que já existe para produção de cachaça e começar também a produção de vinho artesanal. Essa é a nossa ideia, diversificar”, afirma.

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