Algas proporcionam uniformização na germinação do eucalipto

Crédito Luize Hess

Publicado em 24 de março de 2015 às 07h00

Última atualização em 24 de março de 2015 às 07h00

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Nilva Teresinha Teixeira

Engenheira agrônoma, doutora em Solos e Nutrição de Plantas e professora do Curso de Engenharia Agronômica do Centro Regional Universitário de Espírito Santo do Pinhal (UNIPINHAL)

nilvatteixeira@yahoo.com.br

Crédito Luize Hess
Crédito Luize Hess

As algas marinhas são organismos vegetais, unicelulares ou pluricelulares, que fazem fotossíntese. Como são organismos marinhos, alimentam-se dos princípios nutritivos do mar e, assim, possuem excelentes concentrações de sais minerais, dentre eles macro e micronutrientes de plantas, de vitaminas, glicoproteínas, como o alginato, de aminoácidos, que podem funcionar como bioestimulantes vegetais, e, ainda, de estimulantes naturais, como: auxinas, giberelina e citocininas.

Macroalgas são utilizadas como fertilizantes na agricultura há vários séculos, com destaque para as regiões litorâneas do hemisfério Norte. Entretanto, somente nos anos 1950, passaram a ser comercializadas com objetivos de melhorar a taxa de germinação de sementes, crescimento do sistema radicular, a produção de flores, a frutificação e a indução de resistência a pragas e doenças.

Mesmo os materiais que apresentam maior facilidade de enraizamento podem reduzir seu tempo de permanência em viveiros - Crédito: Allan Camatta Mônico
Mesmo os materiais que apresentam maior facilidade de enraizamento podem reduzir seu tempo de permanência em viveiros – Crédito: Allan Camatta Mônico

Atuação

As algas são empregadas com o objetivo de estimular as respostas às condições de estresse, principalmente o hídrico, como fertilizante, na forma seca ou de extrato líquido, à resistência das plantas a doenças.

Extratos de algas marinhas podem contribuir como fonte de nutrientes às plantas. Entretanto, outros aspectos precisam ser abordados. Como já se referiu, as algas marinhas são ricas em auxinas, giberelinas e citocininas naturais. Então, a introdução dos mesmos no processo produtivo de plantas promove o estímulo da divisão celular, o que favorece a formação das raízes, propiciando, assim, o melhor aproveitamento da água e dos nutrientes.

Ainda, tem que ser lembrado que os compostos presentes nos extratos de algas estimulam a formação da clorofila e, por consequência, a própria fotossíntese, que é a fonte de toda a estrutura da planta.

A partir dos açúcares formados na fotossíntese se originam todos os demais componentes das plantas (proteínas, óleos, etc.). Também, substâncias presentes nas algas marinhas beneficiam o Ciclo de Krebs, que é o centro do metabolismo vegetal: fonte de intermediários para a formação de aminoácidos, que formarão as proteínas e, também, dos ácidos graxos que integrarão os óleos e demais lipídeos importantes na vida vegetal, por exemplo.

É preciso enfatizar, também, que as substâncias presentes nas algas podem complexar os nutrientes em uma formulação de fertilizantes, o que favorece o aproveitamento dos nutrientes, assim apresentados.

As algas são empregadas com o objetivo de estimular as respostas às condições de estresse - Crédito Ana Maria Diniz
As algas são empregadas com o objetivo de estimular as respostas às condições de estresse – Crédito Ana Maria Diniz

Vantagens

O emprego dos extratos de algas marinhas no sistema produtivo pode propiciar a produção de fitoalexinas (indutoras de resistência das plantas às doenças e pragas), fortalecendo os mecanismos de resistência das plantas.

Elas são fonte de antioxidantes, substâncias produzidas a partir do metabolismo secundário das algas, que estimulam a proteção natural dos vegetais contra pragas e doenças, favorecendo a vida microbiológica do solo e tornando as plantas menos vulneráveis às variáveis abióticas, como temperatura, raios ultravioletas, salinidade, seca, etc.

Em relação ao efeito indutor de resistência, relatos de literatura permitem concluir que extratos de algas reduzem o desenvolvimento de fungos fitopatogênicos, o que desfavorece ataques importantes de doenças causadas por tais organismos, o que pode ser explicado por:

ü Tais extratos são abundantes em compostos elicitores;

ü Apresentam atividade direta contra fungos e bactérias, inibindo o desenvolvimento de micélios e a multiplicação de bactérias;

ü O emprego dos referidos produtos aumenta a presença de antagonistas no solo e, ainda, estimula o crescimento das plantas.

Os elicitores

Mas, o que são elicitores? Nada mais do que substâncias que têm como função gerar respostas de defesa. Tais substâncias são produzidas pelas próprias plantas (através de seu metabolismo) ou, ainda, podem ser adicionadas por meio de organismos aplicados via pulverização ou solo.

Os elicitores têm a capacidade de desencadear uma série de alterações no metabolismo celular vegetal, as quais, em seu conjunto, concorrem para a formação de uma rede de defesa da planta ao ataque do patógeno.

Sabe-se que tanto as algas vermelhas como as marrons contêm elicitores. Como exemplo pode-se citar a gama-carragenana, um polissacarídeo sulfatado encontrado na parede celular de algas marinhas vermelhas que induz acúmulo de ácido salicílico que, por sua vez, desempenha papel central na defesa das plantas contra o ataque de microrganismos.

O ácido salicílico pode ser considerado um mensageiro que ativa a resistência contra patógenos, incluindo a síntese de proteínas relacionadas com a destruição dos agentes estranhos. Um polímero linear de β-1,3-glucana, chamado de laminarana, extraído e purificado da alga marrom Laminaria digitatatambém estimula a formação de ácido salicílico.

Ainda, derivados de Fucanas sulfatadas, componentes estruturais de paredes celulares de algas marinhas marrons, têm atividade elicitora, estimulando a formação da fitoalexinaescopoletina.

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