Como o uso de drones de pulverização pode contribuir para a aviação agrícola?

Esse receio do mercado de drones prejudicar o de aviação agrícola é comum, devido a muitas pessoas atuarem nessa atividade, afinal, o Brasil tem a segunda maior frota de aeronaves agrícolas do mundo, com cerca de 2300 aeronaves (atrás apenas dos EUA que tem mais de 3500).
Drone - Crédito: Shutterstock

Publicado em 17 de janeiro de 2021 às 09h47

Última atualização em 17 de janeiro de 2021 às 09h47

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| Artigo | – Por Dr. Fernando Kassis Carvalho

Drone – Crédito: Shutterstock

Esse receio do mercado de drones prejudicar o de aviação agrícola é comum, devido a muitas pessoas atuarem nessa atividade, afinal, o Brasil tem a segunda maior frota de aeronaves agrícolas do mundo, com cerca de 2300 aeronaves (atrás apenas dos EUA que tem mais de 3500). A aviação agrícola ainda desempenha um papel muito importante para a agricultura do país, atuando em áreas como de tratamento fitossanitário, distribuição de fertilizantes, sementes. E ainda auxilia em outras áreas, como o de combate a incêndios, visto recentemente em vários locais, incluindo o Pantanal e a Amazônia. No entanto, o principal mercado, de fato, é o de aplicação de defensivos agrícolas. E sabemos que o uso de drones para essa finalidade vem aumentando.

 A utilização de drones para aplicação de defensivos agrícolas já é bastante antiga em países asiáticos. Apesar do grande destaque dado ao papel da China no desenvolvimento do mercado de drones para a agricultura, a Yamaha (Japão) foi a primeira empresa de grande porte a investir nesse mercado, ainda na década de 1980. A Yamaha começou com o modelo R-50, que entrou em fase testes em 1987 e foi lançado no mercado em 1991. É uma longa história. O R-50 “evoluiu” para o RMAX e hoje há mais de 2.600 unidades operando em todo o mundo.

 Portanto, a pergunta que muitos prestadores de serviços e usuários da aviação agrícola têm, é: os drones vão competir com os aviões agrícolas?

 A princípio, essas duas tecnologias se mostram complementares. Afinal, por serem menores, os drones podem operar em áreas menores ou de difícil acesso, onde aviões não operariam, por exemplo. Podemos citar as áreas mais inclinadas como as lavouras de café, no Espírito Santo, áreas de hortifruti, ou até propriedades menores com culturas como milho e soja, além de vários outros nichos de mercado.

 Além disso, a aviação agrícola segue uma regulamentação que estabelece que faixas de aplicação sejam mantidas sem pulverização a certas distâncias de locais como áreas de preservação permanente (APP), mananciais de captação de água para abastecimento, entre outros. Ao menos parte dessas áreas aparentemente poderá ser aplicadas via drones.

 Outro aspecto pouco falado é que a indústria de defensivos agrícolas vem trabalhando intensamente no desenvolvimento de formulações para aplicações em baixos volumes de calda (ou taxa de aplicação). Como a aviação já usa volumes menores, o desenvolvimento dessas formulações pode favorecer muito o setor, pois um dos gargalos da aviação agrícola é a dificuldade do manuseio de produtos, e principalmente problemas físicos na calda (incompatibilidade física ou dificuldade de diluição).Enquanto isso, temos vistoque está havendo o pedido de patente de vários produtos e formulações para aplicações como de 10 L/ha e 20 L/ha, visando melhorar essas características. Formulações mais modernas, além de mais segurança ambiental podem trazer ganhos operacionais, pois possibilitam otimizar o tempo de trabalho.

 Ainda há um longo caminho a ser traçado para um uso maior de drones no mercado de pulverização. Entidades de pesquisa, como a AgroEfetiva de Botucatu/SP, têm desenvolvido vários estudos  para empresas do Brasil e do exterior. Temos vários desafios pela frente, não só ligados à custos, formulações de defensivos agrícolas, mas também com relação àcapacitação dos operadores em Tecnologia de Aplicação, segurança e qualidade das aplicações. Há uma “lacuna” de informações.

 Portanto, as perspectivas de crescimento do mercado de drones são boas, mas esse caminho deve ser traçado com conhecimento e técnica, pois só assim teremos sustentabilidade nesse processo.

**Fernando Kassis Carvalho é engenheiro agrônomo, formado em 2010 pela Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP), Bandeirantes/PR. Concluiu o doutorado na área de tecnologia de aplicação pela Faculdade de Ciências Agronômicas (FCA) da Universidade Estadual Paulista (UNESP) em 2016, Câmpus de Botucatu/SP. Atualmente é pesquisador na AgroEfetiva, em Botucatu/SP. Atua principalmente em trabalhos relacionados às boas práticas em aplicações aéreas e terrestres de defensivos agrícolas.

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