Calcário pode trazer ganho na soja

Encerrando a safrinha já é hora de planejar a próxima. Um dos elementos que devem ser levados em conta é a correção do solo, custo que, segundo especialistas, deve ser mantido.
Soja - Crédito: Shutterstock

Publicado em 11 de agosto de 2020 às 08h40

Última atualização em 11 de agosto de 2020 às 08h40

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Encerrando a safrinha já é hora de planejar a próxima. Um dos elementos que devem ser levados em conta é a correção do solo, custo que, segundo especialistas, deve ser mantido. O calcário, atualmente 2,7% dos custos de produção da soja estimados para a safra 2020/21, pode se transformar em ganhos de até 20% no volume de grãos colhidos.

Um levantamento que reúne a análise de mais de 249 mil amostras de solo de municípios de Mato Grosso no período de 2016 a 2019 revela uma crescente nas condições favoráveis à produtividade. Isso porque a avaliação comparada dos índices do chamado V% (percentagem de saturação por bases) indicam um manejo mais assertivo da acidez do solo, naturalmente alta nos solos mato-grossenses.

Aliado a isso, pesquisas científicas comprovam que a aplicação de calcário em doses customizadas ao tipo de solo da região elevam o V% e, consequentemente, os índices de produtividade.

O levantamento feito com amostras de solo cedidas por três laboratórios com atuação no Estado mostra que resultados mais altos de V%, acima de 65%, eram pífios no solo para as safras 2016 e 2017, atingindo então um volume de apenas 6% das amostras, conjunto elevado para 14% das porções de solo analisadas em 2018 e 2019.

O universo de exemplares com V% acima de 45% subiu de 58% do total de amostras analisadas em 2016 e 2017 para 61% nas duas safras seguintes. Em números absolutos, mais de 59 mil amostras passaram a apontar índices maiores de fertilidade do solo.

De acordo com mais recente boletim da soja divulgado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária, o Imea, o custo médio com corretivo de solo é de R$ 66 por hectare na safra 2020/2021, o que significa 1,62% do custo total de produção, calculado em R$ 4.054,9 o hectare.

Foco

O presidente do Sindicato das Indústrias de Extração de Calcário de Mato Grosso (Sinecal-MT), Kassiano Riedi, ressalta que os agricultores, nos últimos anos, têm se preocupado cada vez mais com a calagem.

Pesquisador radicado em Sinop, o engenheiro agrônomo e professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) Anderson Lange lembra que investir em calcário é investir na produtividade da soja. A afirmação é pautada em quatro anos de estudos numa área experimental no Norte do Estado.

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A aplicação de doses extras de calcário, chegando a cinco toneladas por hectare (bem acima das prescrições agronômicas receitadas, leva a vagens mais firmes nos pés de soja, com maior número de grãos em cada planta e, ao final da colheita, mais produção para dentro dos armazéns. O aumento chega a patamares de 10% a 20% por talhão analisado.

“Os dados são claros, entabulados num criterioso e longo experimento, onde não poupamos atenção e rigor científico. A hipótese era a de que mais calcário no solo ácido de Mato Grosso geraria mais produtividade e renda ao produtor. E, de fato, aquilo que era vivência a campo, se confirmou numa verdade científica. Produtor que põe mais calcário no solo, de forma planejada e bem manejada, colhe mais”, destaca Lange.

Na safra 2019/20, a produtividade média atingida pela soja em Mato Grosso é de 57,71 sacas por hectare. Em cinco anos, o ganho no indicador é de 9,08% e chega a 12% em algumas regiões. No Médio-Norte do Estado, maior produtor no mapa regional, o incremento foi de 8,42%.

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