Implantação de cafeeiros: Fertilizantes de eficiência aumentada

A utilização de novas tecnologias é cada vez mais crescente na cadeia produtiva do café, de modo que técnicas de manejo, como a adubação, colheita e aplicação de produtos fitossanitários estão cada vez mais práticas e fáceis de serem realizadas, isto devido à frequente contribuição das empresas do setor cafeeiro, com o lançamento de equipamentos cada vez mais aprimorados.
Plantação de café - Fotos: Ana Maria Diniz

Publicado em 25 de junho de 2020 às 09h07

Última atualização em 25 de junho de 2020 às 09h07

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Autores

Giovani Belutti Voltolini Engenheiro agrônomo e doutorando em Agronomia/Fitotecnia – Universidade Federal de Lavras (UFLA)giovanibelutti77@hotmail.com

Ademilson de Oliveira AlecrimEngenheiro agrônomo e doutor em Agronomia/Fitotecnia – UFLAjoaopedromirandasilvestre@gmail.com

Joao Pedro Miranda Silvestre Graduando em Agronomia – UFLAademilsonagronomia@gmail.com

Plantação de café – Fotos: Ana Maria Diniz

 A utilização de novas tecnologias é cada vez mais crescente na cadeia produtiva do café, de modo que técnicas de manejo, como a adubação, colheita e aplicação de produtos fitossanitários estão cada vez mais práticas e fáceis de serem realizadas, isto devido à frequente contribuição das empresas do setor cafeeiro, com o lançamento de equipamentos cada vez mais aprimorados.

Neste sentido, os avanços na produtividade do cafeeiro caminham de encontro ao lançamento destas tecnologias, de forma que os índices produtivos por área plantada são incrementados ano a ano.

Eficiência nutricional

No caso das tecnologias voltadas à adubação dos cafeeiros, têm-se os fertilizantes convencionais e os de eficiência aumentada. Dentre os fertilizantes mais eficientes, se destacam os estabilizados, os de liberação lenta e os de liberação controlada.

Assim, atrelado a estas tecnologias, há uma maior segurança quanto à disponibilização dos nutrientes, assim como a liberação ao longo do tempo, ou até mesmo a garantia de eficiência mesmo em condições inadequadas para a liberação do mesmo no solo, e consequente absorção pelas plantas.

Desta forma, são características dos fertilizantes estabilizados a adição nos grânulos dos fertilizantes nitrogenados, de inibidores de uréase, fazendo com que a liberação destes seja mais lenta, quando comparada aos fertilizantes convencionais.

Por outro lado, os fertilizantes de liberação lenta são aqueles adicionados de formaldeído na composição dos grânulos, fazendo com que, após esta associação, cadeias de carbono sejam formadas em torno do dado nutriente, e assim, a liberação do mesmo só aconteça quando estas cadeias de carbono são quebradas.

Nesse sentido, a ação de microrganismos, assim como a presença de umidade no solo, ou em condições de ocorrência de chuvas, faz com que estas cadeias sejam quebradas e, consequentemente, ocorra a liberação do nutriente.

Já os fertilizantes de liberação controlada são aqueles onde os grânulos de cada nutriente são submetidos à adição de polímeros, que atuam revestindo os grânulos de cada tipo de fertilizante. Assim, a liberação gradativa atrelada a esta tecnologia se dá por meio de diferentes espessuras utilizadas no revestimento destes grânulos, de modo que uma dada porcentagem de grânulos possui uma fina camada de revestimento, e outra dada porcentagem uma maior camada de revestimento.

Portanto, por meio da ação do clima, principalmente no que diz respeito à umidade do solo, ocorre a liberação gradativa destes fertilizantes, por meio da degradação destas camadas de polímero. Por fim, ressalta-se que, este recobrimento realizado nos grânulos pode ser feito com polímeros de diferentes origens, assim como ácidos orgânicos, entre outros elementos.

Vantagens

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Dentre as principais vantagens da utilização destes fertilizantes tem-se a maior eficiência na utilização dos nutrientes pelas plantas, isso porque, devido à liberação gradativa destes, menores índices de lixiviação, assim como de volatilização de nutrientes, são observados.

Ainda, salienta-se a possibilidade de realização de apenas um parcelamento da adubação, facilitando o operacional das propriedades cafeeiras, assim como a redução de demanda de mão de obra para regiões montanhosas, que indispõem de mecanização em suas áreas.

Desvantagens

Como algumas desvantagens, pode-se listar o maior custo atrelado à utilização destes fertilizantes, assim como, em alguns casos, como os fertilizantes de liberação lenta, que quando submetidos a grandes índices pluviométricos podem ser liberados de modo rápido, que implica em possibilidade de lixiviação no perfil do solo e consequente  falta deste nutriente até o final do ciclo de demanda deste pelas culturas.

Uso em cafeeiros em formação

Em se tratando de lavouras de cafeeiro em formação, a utilização de mão de obra se torna cada vez mais frequente, e estes fertilizantes de eficiência aumentada, com aplicação única durante o período chuvoso, fazem com que ocorra a redução de gastos com trabalhadores, impactando no custo de produção.

Ainda, a garantia de liberação ao longo do tempo, atrelado às tecnologias inerentes a cada um deles, faz com que a marcha de liberação dos nutrientes seja equivalente à demanda nutricional da planta ao longo do tempo. No caso dos cafeeiros, existem fertilizantes com liberação por até seis meses após a aplicação.

Custo

Geralmente, o custo associado à utilização destes fertilizantes é cerca de 40 – 50% superior aos fertilizantes convencionais. Entretanto, quando se comparam as perdas de nitrogênio, principalmente os fertilizantes convencionais chegam a até 40% em condições extremas, enquanto os de eficiência aumentada, as perdas são muito reduzidas.

Ainda, o custo inerente a 4-5 parcelamentos nos fertilizantes convencionais deve ser levado em conta, pois no caso dos fertilizantes especiais, há possibilidade de uma única aplicação no início do período chuvoso.

Portanto, o posicionamento técnico da utilização destes fertilizantes de eficiência aumentada deve ser feito de maneira muito categórica, de modo que cada cafeeiro possui características próprias ao seu local de cultivo.

Características como a mecanização, ou também o regime pluviométrico, são fatores chaves para a tomada de decisão de se utilizar ou não estas tecnologias. O custo também deve ser analisado, visto que, devido ao maior investimento inicial associado a esta técnica, os parâmetros de custo-benefício devem ser estudados para que a viabilidade econômica destes seja atestada.

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