O agro não pode parar

Publicado em 6 de abril de 2020 às 10h00

Última atualização em 6 de abril de 2020 às 10h00

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Autor

Roberta Züge
Diretora administrativa do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS); de Inteligência Científica Milk.Wiki; médica veterinária doutora e sócia da Ceres Qualidade
Crédito: Shutterstock

 Estamos vivendo um cenário de incertezas, fomentado por uma criatura invisível que causa estragos no mundo todo. Amplamente divulgado, o vilão do momento é o Coronavírus. Este é um grande vírus que causa infecções respiratórias, de modo geral, de leves a moderadas, em seres humanos.

Os sintomas mais comuns são os de um resfriado: febre, tosse seca e dificuldade de respiração. Este novo Coronavírus também pode causar dor de garganta, corrimento nasal, dores de cabeça e/ou musculares e cansaço.

Algumas espécies deste vírus, podem ocasionar pneumonia em idosos e pessoas com problemas cardiovasculares ou com o sistema imunológico comprometido. Há variedades que acometem os animais, mas com sintomas diferentes, pois são microrganismos de gênero e espécies distintas.

Mitos e verdades

Como sempre, muitas falsas notícias ganham repercussão e precisam ser exaustivamente desmentidas pelos especialistas, começando com a eficácia do vinagre ser melhor que o álcool 70°, chegando até no absurdo que buscarem utilizar vacinas para animais nos humanos.

No entanto, uma certeza existe: deve-se prevenir e mitigar o máximo de contato para evitar a transmissão. As cidades estão parando, mas como parar a produção de alimentos? O produtor precisa continuar produzindo, caso contrário, a sociedade não se alimenta.

Novamente, a produção agropecuária vai diminuir os impactos no cenário econômico brasileiro. No entanto, o produtor precisa se cuidar também. Afinal, ele não está imune. Provavelmente, tenha menos contatos do que as pessoas que utilizam transportes públicos nas cidades, mas também é contactante de representantes comerciais, técnicos de assistência ou o freteiro, no caso da produção de leite, quase todos os dias.

Lembrando que há pessoas que não apresentam sintomas, mas que transmitem a doença. O velho ditado “quem vê cara não vê coração” pode ser muito bem aplicado. Para mitigar o contato da assistência há aplicativos já desenvolvidos que podem ser utilizados pelas empresas, com envio de procedimentos, controles realizados de forma remota, com compartilhamento de vídeos e fotos, etc.

A tecnologia já chegou ao campo, precisa somente ser mais utilizada. Assim, menos uma pessoa pode estar distribuindo o vírus nas suas atividades de trabalho. Os controles necessários continuam sendo realizados, mas com a segurança da distância necessária para não ocorrer a propagação do vírus.

De maçanetas a porteiras, nada pode ser abandonado. O inimigo é invisível e doido para conseguir uma oportunidade para entrar no corpo humano, só lá que ele se replica e dará continuidade em seu ciclo. Outro produto para desinfecção também adequado é o Lysoform, que não deve ser diluído.

Aos que são do Sul, a roda de cuia deve ser banida. Para os que possuem funcionários, há necessidade de sensibilização e monitoramento constantemente da saúde de todos. Solicitar que tenham o mínimo de contato com outras pessoas, também é muito relevante.

As festas de família, e aqueles almoços de domingo, precisam ser adiados, troque por um vídeo pelo aplicativo de mensagens. É um momento muito importante, precisamos preservar a saúde dos que trabalham no campo.

O mantra “se o produtor não trabalha, a cidade não se alimenta”, está sendo muito bem entendido aos que correm para os supermercados para adquirirem comida e ampliarem o abastecimento.

Precisamos manter a população bem nutrida e, também, continuar com o motor que impulsiona o Agro Brasileiro.

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