Bagaço de cana é alternativa para gerar energia

Publicado em 16 de setembro de 2019 às 10h34

Última atualização em 15 de maio de 2025 às 16h53

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Empresa exporta excedente da produção energética para o Sistema Interligado Nacional.

Foto Divulgação

A competitividade da indústria brasileira está fortemente correlacionada ao custo de um dos seus principais insumos: a energia elétrica. No setor de celulose, as plantas industriais são capazes de produzir toda a energia necessária ao processo fabril, disponibilizando o excedente para o Sistema Interligado Nacional (SIN). Com licença para exportar 27 megawatts para o SIN, a Veracel Celulose passou a ver esse mercado livre como oportunidade de diversificação dos negócios e investiu em ações internas para ampliar a produção de energia. “Essa é uma relevante fonte de receita para empresa”, diz Melissa Pimenta, assistente técnico da área de Recuperação e Utilidades da empresa.

Localizada no Nordeste, a Veracel deu início à pesquisas internas, explorando novas fontes, além das que já são utilizadas pela setor de modo geral. Até o ano passado, a geração de energia era feita a partir da queima do lodo primário (resíduo da produção de celulose), madeira inservível (tora de eucalipto desclassificada como madeira de processo) e ainda a biomassa gerada internamente na picagem da madeira de processo (cascas, “overs e finos”). No último ano, a quantidade de madeira inservível reduziu e isso motivou a equipe a procurar alternativas que não impactasse nos custos nem no processo de produção.

O bagaço de cana, utilizado também em usinas de açúcar, foi o primeiro combustível pesquisado. “Foi uma aplicação totalmente inovadora. Não temos conhecimento de outra empresa do setor que tenha feito isso”, conta Melissa. Os estudos deram certo e a preocupação da equipe passou a ser o volume do bagaço que poderia ser queimado diariamente na caldeira. “Em 2018, a receita virou um mix composto por de 6% de bagaço de cana, 38% de inservíveis, 1% de lodo primário e 54% de biomassa gerada internamente”, revela.

Esse mix de combustíveis para geração de energia possibilitou à Veracel a venda de 13MW para o mercado nacional no ano passado . “Continuamos em busca de novas alternativas para aumentar a queima da biomassa e consequentemente exportar mais energia para o SIN. Em breve estaremos testando a queima de caroço de açaí, porém, a madeira inservível é imprescindível na composição desse mix – não podemos queimar o bagaço ou o caroço de açaí sem a madeira, um depende do outro, em proporções diferentes para os equipamentos que temos e sem grandes investimentos em melhorias”, explica Melissa.

Outro fator importante que deixou a fábrica da Veracel com mais eficiência energética foi a contenção do vapor resultante do processo de produção. Esse vapor também é usado para a geração de energia. “Havia um desperdício de vapor e não sabíamos onde. Na Parada Geral deste ano, quando todos os equipamentos da fábrica entram em manutenção, conseguimos identificar o local e corrigimos a falha”, conta Saulo Pignaton, especialista da área. Com a eliminação desses pontos de vazamento de vapor, a empresa conseguiu retomar a economia de 1 MW/hora, volume significativo no custo de energia.    

Sobre a Veracel

Instalada em Eunápolis, desde 1991, a Veracel é um empreendimento agroindustrial que integra operações florestais, industriais e de logística. A capacidade de produção anual da empresa é de 1,1 milhão de toneladas de celulose branqueada de eucalipto, atingindo em maio deste ano a marca de 15 milhões de toneladas produzidas. A atual configuração da base florestal da Veracel mantém um hectare protegido ambientalmente para cada hectare de plantio de eucalipto.

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