Goma resina – Um mercado em franca expansão

Crédito Laércio Couto

Publicado em 29 de junho de 2018 às 07h24

Última atualização em 15 de maio de 2025 às 16h53

Acompanhe tudo sobre Madeira, Pinus, Traça e muito mais!

Ananda Virginia de Aguiar

Pesquisadora em Conservação e Melhoramento Genético Florestal – Embrapa Florestas

ananda.aguiar@embrapa.br

Jarbas Y. Shimizu

Engenheiro florestal, Ph.D., chefe adjunto técnico do Centro Nacional de Pesquisa de Florestas – Embrapa Florestas

Valderês Aparecida de Sousa

Engenheira florestal, Ph.D. e pesquisadora da Embrapa Florestas

Crédito Laércio Couto
Crédito Laércio Couto

A resinagem é uma atividade que consiste na extração de goma resina de algumas espécies arbóreas, em especial do gênero Pinus. A produtividade média de resina de pinus no Brasil é de 3,5 kg por árvore ao ano.

Porém, em alguns povoamentos pode-se atingirde 06 a 08 kg por árvore/ano. Todavia, existemárvores que, aos 27anos de idade, chegaram a produzir até 16 kg por ano. Essa atividade possibilita a obtenção de receitas extras por vários anos até o corte final das árvores quando, então, a madeira pode ser destinada ao mercado.

Todas as espécies de Pinusproduzem resina em maior ou menor quantidade. Dentre aproximadamente 80 espécies já submetidas à resinagem, algumas têm se destacado na economia florestal de diversos países. Por exemplo, Pinuselliottii var. elliottii e P. palustris no Sul e Sudeste dos Estados Unidos, P. massoniana e P.yunanensis na China, P. pinaster e P. sylvestris na Europa.

Resina

Porém, sendo o México o centro da maior diversidade de espécies de Pinus, é, também, onde se encontra o maior número de espécies envolvidas na extração de resina como P. oocarpa, P. tenuifolia, P. pseudostrobus, P. lawsonii, P. devoniana, P. pringlei, P. herrerae, P. montezumae, P. leiophylla, P. teocote e P. douglasiana.

No Brasil, a extração comercial de resina é feita em plantações comerciais de P. elliottii var. elliottii, P. caribaea (variedadescaribaea, hondurensis e bahamensis) e híbridos de P. elliottii var. elliottii com P. caribaea.

Extração

A extração da resina de pinusno Brasil se inicia em povoamentos com idade variando de sete a 10 anos, dependendo do crescimento que apresentam. Vários métodos podem ser utilizados no processo. Dentre eles, o mais utilizado éo método americano, que consiste na remoção da casca e do floema em estrias horizontais com 14 a 18 cm de largura a 20 cm do nível do solo.

Logo abaixo da estria fixa-se um saco plástico para coletar a resina exsudada. Em contato com o ar, a resina tende a se solidificar. Assim, para que ela continue fluindo por mais tempo, aplica-se uma fina camadade pastaácida sobre o tecido exposto na estria.

Trata-se de uma mistura de ácido sulfúrico e etileno que age como estimulante do fluxo de resina, fazendo com que os canais resiníferos permaneçam abertos por até 15dias.

Após esse período, realiza-se a coleta da resina e a abertura de nova estria acima da anterior e a fixação de novo saco coletor. São efetuadas, em média, 17 estrias em cada árvore por ano. A resina pode ser extraída durante a maior parte do ano. Somente no período mais frio do ano (normalmente junho e julho) a atividade é interrompida devido ao baixo fluxo de resina.

Importância nacional

O Brasil é o segundo maior produtor de resina do mundo, com aproximadamente 167.000 t/ano em 2016/17, perdendo somente para a China. A produção nacional de resina representa uma transação financeira da ordem de US$ 25 milhões. Os Estados que mais produzem resina no País são: São Paulo e Rio Grande do Sul.

Outros, onde essa atividade vem se desenvolvendo ou têm potencial são: Espírito Santo, Rondônia, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais, Bahia, Goiás e Tocantins.

A resina é empregada na geração de dois subprodutos básicos utilizados nas indústrias farmacêutica e química: breu e terebintina. Esses são destinados à produção de solventes, tinta, verniz,adesivos, inseticidas, lubrificantes e muitos outros.

Sendo uma “commodity“, a resina tem o preço dependente das condições do mercado internacional, mas, em média, tem sido da ordem de R$2,75/kg. Os custos da sua produçãoincorporam aqueles relacionadosà implantação dos povoamentos, ao preço da terra e à mão deobra para extraçãoe transporte dessa matéria-prima.

Essa matéria você encontra na edição de maio/junho de 2018 da Revista Campo & Negócios Floresta. Adquira o seu exemplar.

 

Ou assine

Participe do Nosso Canal no WhatsApp

Receba as principais atualizações e novidades do agronegócio brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Pesquisar

Últimas publicações

1

Novo combo de uvas tintureiras reforça produção de sucos e vinhos brasileiros

2

Dicas para fazer uma horta doméstica no feriado

3

Aquishow Brasil 2026 volta a Uberlândia (MG) para fomentar a piscicultura no Triângulo Mineiro e região

4

Fungo amazônico pode controlar doenças agrícolas e gerar novos antibióticos

5

Uso de bioinsumos eleva em mais de 8% a produtividade da soja no Paraná

Assine a Revista Campo & Negócios

Tenha acesso a conteúdos exclusivos e de alta qualidade sobre o agronegócio.

Publicações relacionadas

A rica biodiversidade da Amazônia é fonte de recursos estratégicos para novos insumos agrícolas e farmacêuticos, e produtos biotecnológicos de última geração. Foto: Felipe Rosa

Fungo amazônico pode controlar doenças agrícolas e gerar novos antibióticos

Após o término da reunião de colegiado que reúne 19 ministérios, a ministra Marina Silva e integrantes do Governo do Brasil concederam entrevista coletiva à imprensa no Palácio do Planalto. Foto: Rogério Cassimiro/MMA

Amazônia tem queda de 35% nas áreas sob alerta de desmatamento entre agosto de 2025 e janeiro de 2026

Fotos: Alexandre Amaral/Emater-MG

Silvicultura impulsiona produção na agroindústria e no campo

floresta-ibf-Telefone

Goiás anuncia plano para ampliar setor florestal e atrair novas indústrias