Inoculante pode antecipar o corte do eucalipto?

Publicado em 18 de abril de 2017 às 07h13

Última atualização em 15 de maio de 2025 às 16h55

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David Pessanha Siqueira

Engenheiro agrônomo, mestrando em Produção Vegetal

 

Crédito Fibria
Crédito Fibria

Dentre as áreas utilizadas em plantios florestais para fins industriais, o eucalipto se destaca, sendo responsável por mais de 70% de todo esse território, ocupando em torno de 5,5 milhões de hectares plantados, com perspectivas de crescimento para os próximos anos.

Devido ao aumento contínuo das áreas plantadas e da demanda do mercado consumidor do eucalipto em seus diferentes usos, ao longo dos anos vêm se desenvolvendo pesquisas nas diversas áreas, buscando reduzir o tempo entre o plantio e o corte do eucalipto, reduzindo os custos com o manejo e acelerando a entrada da matéria-prima no mercado.

Em geral, o primeiro corte do eucalipto é feito aos seis ou sete anos após o plantio, havendo possibilidade de condução da rebrota, sem que haja grandes perdas para o produtor, desde que se utilize o manejo adequado. Um dos fatores primordiais para se obter sucesso no plantio florestal é a escolha das mudas que serão utilizadas, devendo apresentar porte adequado e boa qualidade sanitária.

Inoculação do eucalipto

Uma prática que tem contribuído para a melhor formação de mudas de eucalipto, ainda em nível de pesquisa, é a inoculação de bactérias, promovendo benefícios para o crescimento das mudas. Estudos recentes com a inoculação de bactérias do gênero Bacillus apresentaram benefícios para o crescimento, no entanto, estes ainda são restritos à fase de viveiro.

Nesta etapa, a inoculação promoveu incrementos positivos para altura e biomassa aérea das mudas, o que ainda não é suficiente para prever redução no tempo do corte final do eucalipto, sendo necessário que se façam novos estudos em nível de campo.

A interação entre as plantas e o grupo de bactérias conhecidas como rizobactérias (localizadas na zona radicular) promotoras de crescimento já é bem conhecida, como é o caso da associação simbiótica com o gênero Rhizobium, responsáveis pelo processo da fixação biológica do nitrogênio, que já é largamente utilizado na soja. Além do gênero Rhizobium, os Bacillus, Pseudomonas e Azospirillum também se enquadram neste grupo.

Benefícios

Os benefícios das rizobactérias para o crescimento vegetal pode ser explicado por alguns fatores, como o aumento da disponibilidade de nutrientes essenciais, como o fósforo. Esse aumento da disponibilidade ocorre por meio da liberação de secreções pelas bactérias (ácidos orgânicos e/ou fosfatases), que atuam convertendo os nutrientes para a forma prontamente assimilável para as plantas.

As rizobactérias também são capazes de atuar nos níveis de alguns hormônios vegetais, como por exemplo, a redução do etileno, resultando em alongamento do sistema radicular, aumentando a habilidade de se fixar no solo e melhorando a absorção de água e nutrientes.

Essas bactérias possuem ainda efeitos de inibição ao crescimento de alguns fungos, bactérias e nematoides causadores de doenças em plantas, aumentando a tolerância das plantas nessas situações, como por exemplo, a ferrugem em eucalipto.

Recomendações

A inoculação das bactérias, na fase de viveiro, deve ser feita no momento do plantio ou transplantio, reduzindo os custos com a mão de obra, adicionando-as bem próximo as raízes, aproveitando o mesmo orifício feito no substrato.

É importante lembrar que o tipo de solo, a espécie a ser cultivada e o tempo de cultivo podem influenciar no comportamento das bactérias. Assim, essas interações deverão ser estudadas com cautela para averiguação dos reais benefícios da inoculação no eucalipto após plantio no campo, nas diferentes condições de clima e solo.

Essa matéria você encontra na edição de março/abril 2017  da revista Campo & Negócios Floresta. Adquira já a sua.

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