Algas reduzem os estresses bióticos e abióticos das plantas

Dentre as diversas algas marinhas existentes, a espécie Ascophyllum nodosum é a mais difundida e estudada pela ciência. Tais algas apresentam uma particularidade específica: única espécie de alga encontrada apenas no mar do Atlântico Norte, sobrevivendo na região “entre-marés“, ficando emersa e submersa a cada seis horas do dia.

Publicado em 10 de abril de 2017 às 07h19

Última atualização em 10 de abril de 2017 às 07h19

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Arlindo de Salvo

Engenheiro agrônomo e consultor científico de citrus

Fotos Shutterstock
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Dentre as diversas algas marinhas existentes, a espécie Ascophyllum nodosum é a mais difundida e estudada pela ciência. Tais algas apresentam uma particularidade específica: única espécie de alga encontrada apenas no mar do Atlântico Norte, sobrevivendo na região “entre-marés“, ficando emersa e submersa a cada seis horas do dia.

Devido a isso, são capazes de acumular uma grande quantidade de carboidratos e bioativos marinhos que auxiliam as plantas a suportar todas as intempéries que ocorrem na região que se desenvolvem e sobrevivem.

Assim, a aplicação desta espécie de alga em plantas faz com que a mesma atue como promotora da síntese de carboidratos, proteínas, aminoácidos, hormônios e demais moléculas, que são capazes de auxiliar as plantas em situações de estresses severos, fazendo com que as mesmas continuem com sua atividade metabólica ativa mesmo em condições bem adversas.

Ação bioestimulante

Os diversos carboidratos presentes no Ascophyllumnodosum são únicos e peças-chaves, capazes de ativar diferentes sinais de indução na planta. Atuam, por exemplo, no metabolismo energético da planta (fotossíntese), fazendo com que esse processo seja mais eficiente, oferecendo mais energia à planta e, consequentemente,favorecendo o aumento de sua produtividade.

Além disso, atuam também como elicitores, induzindo o sistema de autodefesa da planta ao estimular a síntese de enzimas e proteínas.

Para a agricultura

As algas marinhas podem ser aplicadas via solo, via fertirrigação, via drench ou via folha, sendo essas últimas as melhores opções (visto que a alga Ascophyllum nodosum age estimulando a defesa natural das plantas). Além disso, os extratos líquidos (os quais preservam todas as características das algas), podem ser usados junto dos defensivos agrícolas para estimular a defesa natural das plantas e para situações de estresses abióticos.

Já os extratos secos podem ser usados como quelatizantes nos adubos, mas não apresentam todo o conteúdo de extrato líquido inicial.

Resistência

O Ascophyllumnodosum, por meio de seus bioativos, reduz significativamente os estresses bióticos e abióticos das plantas.

  • Abióticos: estimulando a defesa das plantas contra situações adversas do meio ambiente (seca, altas temperaturas, salinidade, etc.).
  • Bióticos: ativando a defesa interna das plantas, reduzindo os estresses oriundos da presença de pragas, doenças, podas, plantas daninhas, etc.

Resultados em grãos

Ascophyllum nodosum emite sinais que estimulam cada momento fisiológico em que a planta se encontra, ou seja, se aplicada no momento do plantio, ela irá auxiliar no enraizamento; se aplicada no momento da florada, irá auxiliar na regulação do sistema osmótico, promovendo menor estresse nesta fase, melhorando assim o pegamento de vagens.

Gráfico Defensive original

Custo

O custo da aplicação de Ascophyllum nodosum depende de sua concentração, dosagens e momentos de aplicação recomendados por cada empresa. A concentração de ingrediente ativo é muito importante para determinação da dosagem por hectare (existem produtos com extratos líquidos de 08 a 48% de Ascophyllum nodosum em sua formulação e com extratos secos em pó de 90 a 95% em sua formulação). Seu custo pode variar de R$ 30,00/ha até R$ 150,00/ha.

O custo-benefício da aplicação das algas marinhas é muito importante, visto que as plantas podem perder seu potencial produtivo muito mais por questões abióticas (seca, temperatura, salinidade) do que por questões bióticas (pragas e doenças).

O papel das algas marinhas é diminuir os efeitos que os estresses abióticos causam às plantas, aumentando assim a produtividade das mesmas. O investimento e o retorno podem ser muitas vezes maiores na colheita da safra.

Crédito Shutterstock
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Essa matéria você encontra na edição de abril 2017 da revista Campo & Negócios Grãos. Adquira já a sua.

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