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Bio e nanotecnologia: inovações no tratamento de sementes

O avanço dos bioinsumos, da nanotecnologia e do tratamento industrial de sementes está transformando a proteção das sementes e elevando o potencial produtivo das lavouras desde os primeiros dias de desenvolvimento.

Publicado em 10 de julho de 2026 às 10h20

Última atualização em 10 de julho de 2026 às 10h20

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José Rafael de Souza
Engenheiro agrônomo, doutor em Fitotecnia, coordenador, professor e pesquisador – Centro Univ. Arnaldo Horácio Ferreira (UNIFAAHF)
rafaqc_agro@yahoo.com.br
Mônica Cagnin Martins
monicacagninmartins@gmail.com
Rafael de Queiroz Costa
jrafaelsouza@faahf.edu.br
Engenheiros agrônomos, doutores em Agronomia, professores e pesquisadores – UNIFAAHF

A qualidade da semente é um dos principais fatores para o estabelecimento adequado das lavouras e para a expressão do potencial produtivo das culturas. Sementes com elevada qualidade fisiológica, sanitária, física e genética proporcionam emergência uniforme, melhor estande de plantas e maior capacidade de enfrentamento dos estresses iniciais do ambiente de produção.

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Entretanto, após a semente atingir a maturidade fisiológica e ocorrer o desligamento da planta-mãe, inicia-se naturalmente um processo de deterioração irreversível. Durante o armazenamento, fatores como temperatura, umidade, danos mecânicos e a ação de microrganismos podem acelerar a perda de vigor e da capacidade germinativa, comprometendo o desempenho das sementes no campo.

Nesse cenário, o tratamento de sementes tornou-se uma ferramenta estratégica para preservar a qualidade adquirida durante a produção e proteger a semente até o estabelecimento inicial da cultura.

Nos últimos anos, a biotecnologia e a nanotecnologia passaram a ocupar papel de destaque nesse processo, oferecendo soluções inovadoras que contribuem para a proteção, o vigor e a produtividade das lavouras.

Biotecnologia no tratamento de sementes

A biotecnologia aplicada ao tratamento de sementes vem promovendo uma verdadeira transformação no manejo agrícola. O uso de microrganismos benéficos permite proteger as sementes contra patógenos, estimular o crescimento das plantas e favorecer processos relacionados à disponibilidade e absorção de nutrientes.

Além do controle biológico de doenças, esses organismos podem atuar como promotores de crescimento, auxiliando no desenvolvimento radicular, na tolerância aos estresses ambientais e no estabelecimento inicial das culturas.

Como resultado, os produtores obtêm maior uniformidade de emergência, melhor desenvolvimento das plântulas e maior potencial produtivo.

O crescimento do mercado de bioinsumos demonstra a importância dessas tecnologias para a agricultura moderna. A busca por sistemas produtivos mais sustentáveis tem impulsionado a adoção de agentes biológicos que contribuem para a redução da dependência de insumos convencionais e para a construção de ambientes agrícolas mais equilibrados.

Trichoderma e Paenibacillus no tratamento de sementes

Entre os microrganismos mais utilizados no tratamento de sementes destacam-se espécies dos gêneros Trichoderma spp. e Paenibacillus spp., reconhecidos pelos múltiplos benefícios proporcionados às culturas agrícolas.

O Trichoderma spp. atua principalmente no controle biológico de fungos habitantes do solo, responsáveis por doenças como tombamento de plântulas, podridões radiculares e lesões em raízes.

Seus mecanismos de ação incluem competição por espaço e nutrientes, produção de substâncias antimicrobianas e parasitismo direto sobre fungos fitopatogênicos. Além disso, pode estimular o crescimento radicular e ativar mecanismos naturais de defesa das plantas.

Algumas espécies de Trichoderma spp. também apresentam potencial no manejo de fitonematoides, atuando por meio da produção de enzimas e metabólitos capazes de afetar ovos e/ou juvenis desses organismos, contribuindo para a redução dos danos ao sistema radicular.

Já bactérias do gênero Paenibacillus spp. exercem importante papel na promoção do crescimento vegetal e na proteção das plantas. Esses microrganismos produzem compostos antimicrobianos que auxiliam no controle de patógenos do solo e também atuam na solubilização de nutrientes, especialmente fósforo, aumentando sua disponibilidade para as plantas.

Além disso, favorecem o desenvolvimento radicular, permitindo maior exploração do solo e melhor aproveitamento de água e nutrientes.

Os bionematicidas no tratamento de sementes

Os bionematicidas constituem uma importante biotecnologia empregada no tratamento de sementes, atuando como uma estratégia sustentável para o manejo de fitonematoides.

Aplicados diretamente às sementes, esses agentes biológicos auxiliam na redução da ação dos nematoides no solo e minimizam seus efeitos sobre o sistema radicular desde os estágios iniciais de desenvolvimento das culturas, favorecendo o estabelecimento das plantas.

Os microrganismos utilizados como bionematicidas atuam por diferentes mecanismos, incluindo a produção de metabólitos com efeito antagônico aos nematoides, a colonização da rizosfera e a indução de mecanismos naturais de defesa das plantas.

Além disso, contribuem para a manutenção da saúde radicular e para uma melhor absorção de água e nutrientes.

Ao reduzir a pressão dos fitonematoides desde o início do ciclo da cultura, os bionematicidas favorecem o desenvolvimento radicular, promovem maior vigor inicial e contribuem para lavouras mais uniformes, produtivas e sustentáveis.

Inovação para vigor e crescimento inicial

A nanotecnologia tem ampliado as possibilidades do tratamento de sementes por meio do desenvolvimento de sistemas capazes de aumentar a eficiência dos produtos aplicados e favorecer o estabelecimento inicial das culturas.

Entre essas inovações destacam-se os microgéis, estruturas poliméricas com elevada capacidade de absorção e retenção de água que, quando associados às sementes, atuam como reservatórios hídricos próximos ao embrião, contribuindo para a manutenção da disponibilidade de água durante o processo germinativo.

Além de contribuir para a retenção de água, os microgéis podem atuar como matrizes de encapsulamento e liberação controlada de nutrientes, bioestimulantes e microrganismos benéficos, promovendo maior disponibilidade desses componentes ao longo do desenvolvimento inicial das plantas e aumentando sua eficiência agronômica.

Essa característica favorece maior eficiência no aproveitamento dos insumos aplicados e cria condições mais favoráveis para o desenvolvimento inicial das plântulas, especialmente em ambientes sujeitos a estresses hídricos ou condições adversas de estabelecimento.

Como resultado, observa-se maior uniformidade de emergência, incremento do vigor e melhor desenvolvimento radicular, fatores que contribuem diretamente para a formação de lavouras mais produtivas e resilientes.

Assim como outras tecnologias inovadoras aplicadas ao tratamento de sementes, os microgéis têm como objetivo potencializar a expressão do potencial produtivo das cultivares, reduzindo falhas no estande, aumentando a eficiência do uso de recursos e promovendo sistemas agrícolas mais sustentáveis e rentáveis para o produtor.

Tratamento de Sementes Industrial: precisão e eficiência

O avanço das biotecnologias aplicadas à agricultura está diretamente relacionado à evolução do tratamento de sementes industrial (TSI), uma vez que essa tecnologia desempenha papel fundamental na precisão e na uniformidade da aplicação de agentes biológicos e de outros produtos utilizados no tratamento de sementes.

Realizado em unidades especializadas, o processo assegura que cada semente receba a quantidade adequada de fungicidas, inseticidas, nematicidas, inoculantes, bioestimulantes e agentes biológicos, contribuindo para a manutenção da qualidade fisiológica e para o melhor desempenho das culturas desde a semeadura.

Além de reduzir desperdícios e aumentar a segurança operacional, o TSI possibilita a compatibilidade entre diferentes tecnologias de tratamento, permitindo a associação de produtos biológicos, químicos e nanoestruturados em programas mais completos e eficientes.

Essa integração potencializa os benefícios de cada ferramenta e amplia a proteção das sementes durante as fases iniciais de desenvolvimento.

A combinação entre agentes biológicos, nanotecnologia e TSI vem redefinindo o manejo inicial das culturas ao promover proteção contra patógenos, estímulo ao crescimento das plântulas, maior eficiência nutricional e maior tolerância aos estresses ambientais.

Nesse cenário, a integração dessas tecnologias representa um importante avanço para a agricultura moderna, unindo produtividade, eficiência operacional e sustentabilidade.

Ao atuarem de forma complementar, biotecnologia, nanotecnologia e TSI fortalecem o desenvolvimento inicial das culturas e contribuem para a formação de lavouras mais vigorosas, resilientes e competitivas.

Desafios para a adoção das novas tecnologias

Apesar dos avanços observados nos últimos anos, alguns desafios ainda precisam ser superados para ampliar a adoção das biotecnologias e nanotecnologias no tratamento de sementes.

Entre os principais desafios destacam-se a necessidade de armazenamento adequado dos produtos biológicos, a compatibilidade entre diferentes ingredientes ativos, a capacitação técnica dos usuários e a correta interpretação das condições de campo para maximizar os resultados.

Questões relacionadas aos custos iniciais de adoção, ao desenvolvimento de formulações mais estáveis e à ampliação das pesquisas sobre interação entre microrganismos, sementes e ambiente também continuam sendo fundamentais para a expansão dessas tecnologias.

Além disso, a difusão do conhecimento técnico é essencial para que produtores e consultores compreendam os benefícios e as limitações de cada ferramenta disponível.

Resultados no campo

A qualidade da semente é construída ao longo de todo o processo de produção, desde a semeadura, o manejo da lavoura até a etapa de colheita. Entretanto, as tecnologias incorporadas ao tratamento de sementes desempenham papel fundamental na manutenção dessa qualidade até a semeadura, protegendo as sementes e favorecendo o estabelecimento inicial das culturas.

Nesse contexto, a biotecnologia, a nanotecnologia e o tratamento de sementes industrial (TSI) consolidam-se como ferramentas estratégicas para a agricultura moderna.

Além de proteger as sementes, essas tecnologias promovem maior vigor, uniformidade e produtividade das plantas, contribuindo para sistemas agrícolas mais eficientes e sustentáveis e reforçando a importância do tratamento de sementes para o sucesso das lavouras.

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