Boas práticas de manejo no milho: construindo o potencial produtivo da lavoura

Plantabilidade, manejo eficiente do nitrogênio e uso correto de herbicidas formam a base para o estabelecimento de uma lavoura uniforme, saudável e capaz de expressar seu máximo potencial produtivo.

Publicado em 13 de julho de 2026 às 06h22

Última atualização em 10 de julho de 2026 às 14h59

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Priscila Carvalho da Silva
Biotecnologista, doutora em Produção Vegetal e analista de serviços agronômicos – GDM Sementes

Na cultura do milho, o potencial produtivo começa a ser definido antes da emergência. Inicia-se com as tomadas de decisões corretas de manejo. Fatores como regulagem da plantadeira, manejo do nitrogênio e uso adequado de herbicidas são estratégicos e influenciam diretamente no estabelecimento do estande e no desempenho produtivo ao longo do ciclo.

1º Pilar: Boas práticas de plantabilidade

Um plantio bem executado assegura distribuição uniforme, profundidade correta, bom contato semente-solo e emergência homogênea.

A cultura do milho apresenta baixa capacidade de compensação, e falhas, plantas duplas ou dominadas aumentam a competição por recursos.

Por isso, o ajuste de discos, anéis, singuladores, vácuo, profundidade e velocidade devem ser tratados como prática essencial.

A profundidade de plantio é condicionada pela temperatura, umidade e tipo de solo. Em solos mais pesados ou frios, recomenda-se em torno de 3,0 a 5,0 cm; e em solos arenosos, 5,0 a 7,0 cm para melhor aproveitamento da umidade.

Plantios muito rasos (<2,5 cm) limitam o enraizamento e a ancoragem, enquanto profundidades excessivas (>8 cm), dependendo do solo, aumentam o consumo de reservas, atrasam a emergência e elevam a desuniformidade do estande.

Da mesma forma, a velocidade de semeadura deve ser ajustada adequadamente, pois operações muito rápidas aumentam o risco de rebote das sementes, falhas, duplas e oscilação de profundidade, podendo elevar a incidência de plantas dominadas, especialmente em áreas com maior presença de palhada.

Como referência, de acordo com a tecnologia da plantadeira, sugerem-se as seguintes velocidades: semeadoras de disco de 4,0 a 6,0 km/h; e semeadoras pneumáticas de 6,0 a 8,0 km/h.

📊 Guia Rápido – Regulagem para Sementes

2º Pilar: Adubação de cobertura

O nitrogênio (N) é essencial para o milho, está relacionado a processos estruturais e fisiológicos, além de influenciar nos componentes de rendimento.

Cerca de 60% do N é absorvido durante a fase vegetativa e 40% do R1 à granação, via absorção do solo e redistribuição interna, o que torna a adubação de cobertura estratégica.

O N absorvido nos estádios iniciais (V4) pode ser armazenado e posteriormente remobilizado para os grãos, favorecendo o enchimento e reduzindo perdas sob estresse na fase reprodutiva.

3º Pilar: Manejo de herbicidas

Cada biotecnologia confere tolerância específica, baseada em processos de detoxificação metabólica ou de sítio de ação.

Dessa forma, a planta mantém seu metabolismo funcional quando o herbicida é aplicado de acordo com as recomendações técnicas.

Doses elevadas, misturas inadequadas ou aplicações fora do estádio recomendado, como exemplo, após V5, podem ocasionar estresse fisiológico, “fitotoxicidade oculta” e desarranjos nos componentes de produção.

“Boas práticas de manejo devem ser integradas. Plantar bem, nutrir no momento correto e manejar herbicidas com segurança são essenciais para construir e proteger o potencial produtivo da lavoura.”

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