Rafael Rosa Rocha
Engenheiro agrônomo e mestre em Ambiente e Sistemas de Produção Agrícola – UNEMAT
rafaelrochaagro@outlook.com
A mosca-branca (Bemisia tabaci) está entre as pragas mais desafiadoras para o cultivo de tomate, causando prejuízos expressivos tanto de forma direta quanto indireta. Diante desse cenário, o uso do fungo entomopatogênico Beauveria bassiana tem ganhado protagonismo como uma alternativa eficiente e sustentável dentro do manejo integrado de pragas.
Naturalmente presente no ambiente, esse microrganismo tem sido amplamente utilizado em formulações comerciais, contribuindo para o controle da praga ao longo de todo o ciclo da cultura.
Mosca-branca compromete produtividade e qualidade
Os danos causados pela mosca-branca vão muito além da sucção de seiva. Durante a alimentação, o inseto injeta toxinas que afetam a qualidade dos frutos, podendo deixá-los com aspecto esponjoso e inadequado para a indústria.
Além disso, a excreção de substâncias açucaradas favorece o desenvolvimento da fumagina, um fungo que reduz a área fotossintética da planta. Em casos severos, a infestação pode provocar murcha, queda de folhas e perdas que chegam a 50% da produção.
Outro fator crítico é a transmissão de geminivírus, que causa sintomas como nanismo, enrolamento das folhas e amarelecimento, comprometendo totalmente o desenvolvimento da planta.
Como atua a Beauveria bassiana
O diferencial da Beauveria bassiana está no seu modo de ação biológico e altamente eficiente. Após a aplicação, os conídios do fungo aderem ao corpo do inseto e iniciam o processo de infecção.
Em condições favoráveis, esses esporos germinam rapidamente e produzem enzimas que degradam a cutícula do inseto, permitindo a penetração no organismo. No interior do hospedeiro, o fungo se multiplica, libera toxinas e consome os nutrientes, levando o inseto à morte.
Posteriormente, ocorre a esporulação, fase em que novos conídios são liberados no ambiente, ampliando o controle de forma natural e contínua.
Condições ideais para eficiência
A eficiência do fungo depende diretamente das condições ambientais. Alta umidade relativa, acima de 65%, temperaturas entre 22 e 30°C e baixa radiação solar favorecem o desenvolvimento do patógeno.
Por isso, aplicações realizadas no final da tarde ou em dias nublados tendem a apresentar melhores resultados, garantindo maior sobrevivência e atividade dos conídios.
Importância da tecnologia de aplicação
Para obter alto desempenho no campo, a tecnologia de aplicação é determinante. Como o fungo atua por contato, a cobertura da pulverização deve ser uniforme e atingir diretamente os insetos.
Outro ponto essencial é a compatibilidade com produtos químicos. Misturas inadequadas, especialmente com fungicidas, podem reduzir drasticamente a viabilidade dos conídios e comprometer o controle.

Manejo integrado é a chave do sucesso
Apesar da eficiência da Beauveria bassiana, seu uso isolado não é suficiente em situações de alta infestação. A melhor estratégia é integrá-la a um programa de manejo integrado de pragas.
O monitoramento constante da lavoura permite identificar precocemente a presença da mosca-branca e definir o momento ideal de intervenção. Medidas culturais também desempenham papel fundamental, como eliminação de restos culturais, controle de plantas daninhas e rotação de culturas.
O uso de barreiras vegetais e armadilhas contribui para reduzir a população da praga e limitar sua disseminação.
Preservação de inimigos naturais
Um dos grandes benefícios do controle biológico é a seletividade. Diferentemente de muitos inseticidas químicos, a Beauveria bassiana atua preferencialmente sobre a praga-alvo, preservando inimigos naturais importantes, como parasitoides e predadores.
Essa característica favorece o equilíbrio do sistema produtivo e potencializa o controle natural da mosca-branca ao longo do tempo.
Redução de resistência e sustentabilidade
O uso contínuo de inseticidas químicos pode levar ao desenvolvimento de resistência da mosca-branca, tornando o controle cada vez mais difícil. Já o controle biológico apresenta menor risco nesse aspecto, sendo uma ferramenta importante para diversificar estratégias de manejo.
Além disso, contribui para a redução de resíduos químicos, alinhando a produção às exigências de mercados mais rigorosos e às práticas sustentáveis.

Estratégia eficiente do início ao fim do ciclo
A mosca-branca pode estar presente desde a fase de mudas até a colheita, exigindo atenção constante do produtor. Nesse contexto, a Beauveria bassiana se destaca como uma aliada importante ao longo de todo o ciclo do tomateiro.
Seu uso estratégico, aliado a boas práticas agrícolas, permite reduzir perdas, melhorar a qualidade dos frutos e aumentar a rentabilidade da lavoura.
Beauveria bassiana no controle da mosca-branca
| Aspecto | Descrição | Benefício no manejo | Impacto na produção |
| Modo de ação | Infecção por contato e colonização do inseto | Controle biológico eficiente | Redução da população da praga |
| Condições ideais | Alta umidade e temperaturas entre 22 e 30 °C | Maior germinação e infecção | Melhor desempenho do produto |
| Aplicação | Necessidade de boa cobertura e tecnologia adequada | Maior eficiência no campo | Controle mais uniforme |
| Integração com MIP | Uso combinado com práticas culturais e monitoramento | Manejo mais sustentável | Menor risco de perdas |
| Seletividade | Baixo impacto sobre inimigos naturais | Preservação do equilíbrio biológico | Controle contínuo e natural |
