A participação da AgroVivaz na Fruit Attraction evidenciou um cenário em transformação no mercado de frutas, com o Brasil ganhando cada vez mais protagonismo internacional.
Para Altair Zotti, sócio-proprietário da empresa, o evento mostrou que o setor vive um momento de expansão e precisa ser valorizado. “A feira está valendo a pena e a gente precisa perseverar e acreditar no segmento de frutas do Brasil, porque o país está se tornando uma referência internacional cada vez maior”, afirma.
Segundo ele, a presença crescente de países como Grécia, Egito e nações da América Latina reforça o potencial de crescimento tanto nas exportações quanto nas importações. “O mercado internacional vai crescer, e o Brasil precisa estar preparado para ocupar esse espaço”, destaca.
Genética e novas variedades no centro das atenções
Com uma década de atuação na importação de mudas, a AgroVivaz levou à feira seu portfólio de plantas frigo, desenvolvidas em parceria com a espanhola Viveros California, referência global com mais de 50 anos de experiência.
A empresa tem concentrado esforços na busca por novas variedades de morango, embora o mercado ainda dependa fortemente de cultivares já consolidadas. “Hoje seguimos com variedades como San Andreas, Flórida Beauty, Monterrey, Albion e Portola, que continuam sendo as mais bem posicionadas. Mas estamos em busca de uma nova genética que atenda às demandas do mercado”, explica Zotti.
Cadeia de frio e logística ainda são gargalos
Um dos principais pontos levantados durante a feira foi a fragilidade da cadeia de frio no Brasil, considerada um dos maiores entraves para o avanço da cultura do morango. “O sistema precisa funcionar desde a saída do campo até o ponto de venda. Hoje, essa ainda é uma das maiores dificuldades”, ressalta.


A alta perecibilidade do morango exige rapidez e eficiência logística. “O fruto precisa girar em até sete dias para manter qualidade. A logística refrigerada é essencial para garantir esse processo”, completa.
Tecnologia e automação como resposta à falta de mão de obra
Outro desafio crítico apontado é a escassez de mão de obra, problema que afeta diversos setores do país e impacta diretamente a produção. “O produtor vai precisar investir mais em tecnologia, tecnificação e automação para ganhar eficiência”, afirma Zotti.
Nesse contexto, o cultivo de morango passa por uma transformação. Tradicionalmente associado à agricultura familiar, o setor começa a atrair novos investidores e modelos de produção mais estruturados. “Já vemos grandes produtores entrando, formação de cooperativas e sistemas de integração para garantir escala e qualidade”, observa.
Estufas, substratos e microclima elevam o padrão produtivo
A modernização dos sistemas de cultivo também foi destaque. O uso de estufas mais tecnificadas, cultivo suspenso e substratos de maior eficiência, como a fibra de coco, tem impulsionado ganhos em produtividade e qualidade. “Quanto mais o produtor investir em microclima, nutrição, genética e manejo, mais ele se diferencia no mercado”, explica.
Os resultados já aparecem em propriedades mais tecnificadas. “Temos clientes que alcançam de 1,0 a 2,0 quilos por planta por ciclo, dependendo da região, do manejo e da tecnologia aplicada”, afirma Zotti. Em sistemas bem ajustados, a durabilidade do fruto pode praticamente dobrar.


Qualidade, sabor e durabilidade definem o futuro
O grande desafio da cadeia do morango, segundo o empresário, é equilibrar três fatores essenciais: sabor, durabilidade e qualidade pós-colheita. “O mercado busca um fruto com bom brix, boa durabilidade e shelf life. Esse é o tripé que define o sucesso hoje”, pontua.
Além disso, o setor enfrenta pressão crescente de produtos importados, especialmente morangos congelados de países como Egito e Marrocos, que impactam preços e competitividade no mercado interno.


Um setor que precisa evoluir para sobreviver
Para Zotti, o momento exige mudanças rápidas e estruturais. A agregação de valor ao produto deixou de ser diferencial e passou a ser necessidade. “O produtor precisa agregar valor. Se não fizer isso, não vai conseguir sobreviver no mercado”, alerta.
Ele vai além ao projetar um cenário de seleção natural no setor. “Vai haver uma grande transformação. Quem não se adaptar às novas exigências de tecnologia, qualidade e mercado, pode ficar pelo caminho.”
Inovação como caminho sem volta
A presença da AgroVivaz na Fruit Attraction reforçou uma mensagem clara: o futuro do morango no Brasil depende de inovação, integração e profissionalização.
Entre genética avançada, tecnologia de produção e eficiência logística, o setor está diante de uma encruzilhada. De um lado, desafios estruturais. Do outro, oportunidades de crescimento em um mercado global cada vez mais exigente.
E, como resume Altair Zotti, a escolha precisa ser feita agora. “A gente precisa acreditar, investir e evoluir rápido. O mercado não espera.”
