Conflito derruba exportações para países do Golfo em março, mas trimestre segue positivo

Vendas ao bloco recuam 31%, enquanto acumulado do ano avança 8,14% e soma US$ 2,41 bilhões.
Divulgação Estreito de Ormuz: estratégico para agro brasileiro
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O conflito no Oriente Médio, iniciado no fim de fevereiro, já impacta as exportações brasileiras para os países árabes do Golfo, importantes mercados para produtos do agronegócio e minerais.

As vendas para Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Kuwait, Bahrein e Omã — que formam o bloco econômico conhecido como Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) — caíram 31,47% em março na comparação anual, para US$ 537,11 milhões, segundo dados da Inteligência de Mercado da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira.

Apesar do recuo no mês, o desempenho no trimestre ainda é positivo. De janeiro a março, as exportações para o CCG cresceram 8,14%, somando US$ 2,41 bilhões. Considerando todos os 22 países acompanhados pela entidade, incluindo as nações árabes do Levante e as africanas, a alta foi de 3,90%, para US$ 5,13 bilhões.

Fonte: Câmara Árabe-Brasileira a partir de dados públicos.

Segundo a Câmara Árabe, o fechamento do Estreito de Ormuz, que restringiu o acesso a portos estratégicos do Golfo, interrompeu uma trajetória de alta nas vendas brasileiras. O impacto ainda não compromete o resultado agregado, mas pode se intensificar ao longo do ano, dependendo da evolução do conflito.

“As vendas para o CCG, que concentra os maiores mercados árabes e responde por 47% das exportações para o bloco de países, vinham em alta em janeiro e fevereiro na comparação com 2025, segundo melhor ano da série histórica”, afirma o secretário-geral da Câmara Árabe-Brasileira, Mohamad Mourad. “O recuo de março decorre do conflito e, por ora, não afeta o acumulado, mas ainda pode trazer impactos”.

No agronegócio, que responde por cerca de 75% das vendas, as exportações para o CCG recuaram 25,38% em março, mas acumulam alta de 6,8% no trimestre, de US$ 1,44 bilhão, graças a ganhos em produtos importantes, contrabalançados por perdas em outros itens. Principal item da pauta agropecuária, o frango recuou 13,80% no mês, para US$ 185,50 milhões, mas só 2,32% no acumulado, para US$ 619,12 milhões.

O açúcar, segundo principal produto, recuou 43,37% em março, para US$ 54,07 milhões, mas avançou 26,41% no ano, para US$ 363,11 milhões. A carne bovina destoou, com alta de 23,87% no mês mais intenso do conflito, para US$ 47,75 milhões, além de avanço de 65,29% no trimestre, para US$ 194,56 milhões.

O milho praticamente deixou de ser embarcado ao CCG em março, com queda de 99,96%, para US$ 0,03 milhão, embora o recuo no acumulado ainda seja limitado a 5,8%, no total de US$ 61,22 milhões. Já o café registrou alta de 34,24% no mês de março, para US$ 9,97 milhões, e de 64,3% no trimestre, para US$ 49,58 milhões.

Outro ponto de atenção é o recuo nas importações brasileiras de fertilizantes provenientes do CCG, que caíram 51,35% no primeiro trimestre. A região responde por cerca de 10% do fertilizante adquirido pelo agronegócio brasileiro no exterior.

“Esse é um ponto que preocupa tanto o nosso agro quanto os países árabes, que dependem da capacidade do Brasil de disponibilizar alimentos excedentes”, pontua Mourad. “É preciso buscar formas de minimizar esses impactos”, finaliza.

Baixe a íntegra dos dados aqui

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